Um print de conversa de WhatsApp foi uma das provas que a moradora de Blumenau apresentou à Justiça para obrigar o ex-namorado a dividir o prêmio de cerca de R$ 2,8 milhões que ganhou na Mega-Sena. Na mensagem obtida com exclusividade pelo g1, a vítima se irrita com a evidente falta de vontade do parceiro em fazer a transferência. Ao lembrá-lo do acordo verbal de repartir a bolada por fazerem a aposta em conjunto, o homem apenas responde: “Calma, mulher“.
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A história já havia tido um desfecho em primeira instância, mas os dois envolvidos recorreram e o caso foi pauta dos desembargadores do TJSC recentemente. Para a Justiça, o vencedor deve repartir a bolada com a ex-namorada.
Briga na Justiça
Trocas de mensagens, boletim de ocorrência e depoimentos de testemunhas estiveram entre as provas do processo. O Tribunal de Justiça estadual (TJSC) reforçou a decisão da primeira instância e condenou o homem a pagar R$ 1,3 milhão à ex. Ele já recorreu e agora a história chegará a Brasília.
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O sorteio da loteria foi em maio de 2022. À época, o concurso 2486 pagou R$ 117,5 milhões aos vencedores de um bolão com 42 cotas feito na Lotérica da Velha. Assim, uma cota rendeu cerca de R$ 2,8 milhões a cada sortudo.
Ocorre que o morador em questão fazia os jogos com a mulher com quem mantinha um relacionamento, contou o TJ. O combinado era que quando um ganhasse, ambos dividiram o valor. Porém, ao faturar os R$ 2,8 milhões, o homem se recusou a repassar metade para a parceira de apostas.
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Recursos
Na primeira instância, a comarca entendeu que ele deveria pagar parte do dinheiro, descontando o que já havia transferido ao longo da briga. Ambas as partes recorreram. O réu por defender que não havia provas de aposta conjunta. Já a autora defendeu que merecia metade da bolada, não só uma parte.
Por unanimidade, em junho, os desembargadores do TJSC entenderam que não há dúvidas do acordo entre os dois, já que mensagens entre eles foram apresentadas como provas. Assim, o homem deve pagar R$ 1,3 milhão, descontando o que já havia repassado à ex, além de bancar os honorários advocatícios.
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Testemunhas confirmam versão
Os depoimentos de testemunhas também fizeram parte da decisão do TJ. Uma delas, um amigo do ex-casal, disse que o homem e a mulher sempre jogavam juntos na loteria e que, às vezes, participava dos bolões deles.
Outra testemunha, que trabalhava com a mulher, ouviu uma conversa entre ela e o homem em que discutiam o prêmio. Ela disse que o réu declarou, inicialmente, a inexistência do sorteio. Depois, admitiu, mas falou que o valor do prêmio era de R$ 300 mil.
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Por fim, outro fator levado em consideração pelo desembargador foi o fato de que o réu repassou à mulher um valor de R$ 200 mil e um apartamento. A advogada Katlen Germano, que faz a defesa dela, explicou que, quando isso foi feito, o processo já havia sido aberto, mas o homem ainda não havia sido citado.
Para o desembargador, essa atitude do réu reforça a tese de que eles tinham um acordo verbal na hora de fazer as apostas.
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