A chegada de turistas argentinos a Santa Catarina caiu 3,5% em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado. Dados da Embratur mostram que a redução está concentrada nas viagens por terra (ou seja, de carro ou ônibus), tendência observada em todo o Brasil.
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No Estado, o total de visitantes argentinos passou de 155.347 em janeiro de 2025 para 150.042 em janeiro de 2026. Nas viagens de avião, o fluxo aumentou, passando de 61.931 para 88.230, uma alta de 42,5%.
Já a chegada por transporte terrestre diminuiu significamente. Foi de 76.085, em janeiro de 2025, para 49.178 neste ano, uma redução de 35,4%, conforme dados da Embratur.
Fenômeno nacional
O resultado também indica que a queda no número de visitantes da Argentina não é um fenômeno exclusivo de Santa Catarina, mas parte de uma retração mais ampla de viagens ao Brasil. Nacionalmente, os turistas argentinos passaram de 870.318, em janeiro de 2025, para 741.827, neste ano. A variação foi de -17,3% — quase cinco vezes maior do que o percentual catarinense, de 3,5%.
O comportamento dos viajantes também foi semelhante no cenário nacional. As entradas terrestres caíram 34%, de 591.903 para 390.480. As chegadas por avião também cresceram em todo o país, indo de 228.515 para 310.798 (+36%).
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Mesmo com a redução nas viagens por terra, os argentinos seguem como o principal público internacional no Estado respondendo por cerca de 73,1% das chegadas internacionais em 2026. Outro destaque são os visitantes do Chile, que somam 40.361 neste ano, 19,8% do total de turistas.
Comerciantes de SC relatam menos turistas argentinos
Chegada de visitantes em SC em janeiro de 2026
Argentina
- Via aérea: 88.230 visitantes
- Via terrestre: 49.178 visitantes
- Via marítima: 12.615 visitantes
Chile
- Via aérea: 40.361 visitantes
- Via terrestre: 27 visitantes
- Via marítima: 297 visitantes
Uruguai
- Via aérea: 1.965 visitantes
- Via terrestre: 46 visitantes
- Via marítima: 1.200 visitantes
Paraguai
- Via aérea: 884 visitantes
- Via terrestre: 2.101 visitantes
- Via marítima: 31 visitantes
Estados Unidos
- Via aérea: 412 visitantes
- Via terrestre: 4 visitantes
- Via marítima: 785 visitantes
O que motiva o “sumiço” dos argentinos?
Um levantamento da Fecomércio SC em relação à primeira quinzena de janeiro, já havia mostrado que a participação de turistas argentinos no litoral de Santa Catarina caiu de 22%, no ano passado, para 19%, no início desta temporada. Florianópolis foi a cidade mais impactada pela retração, com uma queda de 39% do total de visitantes no início da temporada passada para 24% neste ano.
De acordo com a Fecomércio SC, a redução da presença argentina no litoral catarinense está ligada a uma combinação de fatores econômicos. O Índice de Confiança do Consumidor Argentino registrou queda de 1,04% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024.
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Além disso, o endividamento das famílias argentinas passou a representar 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2025, ante 5% no primeiro trimestre do ano.
Outro fator citado é a valorização do real ao longo de 2025. A moeda brasileira acumulou alta de 11% em relação ao dólar no ano passado, tornando o Brasil um destino relativamente mais caro para os argentinos.
— Na temporada passada, o Brasil estava muito barato para eles. Havia uma diferença grande entre os preços praticados aqui e na Argentina. Neste ano, esse gap diminuiu, o que ajuda a explicar a redução da presença deles nas nossas praias — afirma o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni.
Messi, Milei e Mickey
De acordo com o secretário de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de Florianópolis, Juliano Pires, o resultado pode ser explicado pela teoria dos 3Ms: Messi, Milei e Mickey.
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O primeiro fator tem relação ao futebol e a preferência que muitos argentinos deram, neste ano, para viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo, que deve ser a última do ídolo Lionel Messi.
Já o fator Milei tem a ver com políticas econômicas do presidente Javier Milei e o cenário de 2026, pior do que em 2025 para os hermanos. A economia argentina segue fortemente dolarizada, o que limita o poder de compra no exterior. Além disso, o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou a desvalorização do dólar frente a moedas de mercados emergentes.
— A gente considera que o câmbio foi uma questão que predominou no ano passado, e em 2026 nós tivemos uma movimentação política na Argentina que também deve causar algum tipo de retração por parte do público local — disse Juliano Pires, em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da CBN.
Por fim, há o fator Mickey. O governo Trump, aliado de Milei, iniciou um processo para isentar argentinos da exigência de visto para entrada no país.
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