Uma manifestante atingida por um raio durante o ato político de Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, no domingo (25), foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Marta, informou o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) na segunda-feira (26). A paciente é Maria Eli Silva, de 58 anos, que foi do interior de São Paulo à capital do país de carro com a amiga, Lucia Canhada, para comparecer à Caminhada pela Liberdade liderada pelo parlamentar.

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De acordo com a unidade de saúde, 14 pessoas foram atendidas após a queda da descarga elétrica. (veja o vídeo abaixo)

“Deste total, três pacientes seguem internados e estáveis, um paciente foi transferido para a UTI do Hospital Santa Marta e um paciente recebeu alta a pedido para a rede privada. Os demais pacientes já receberam alta hospitalar”, disse o hospital, em nota.

Amigas se conhecem há mais de 40 anos

As duas amigas se conhecem há mais de 40 anos e decidiram, de última hora, que iriam ao DF para o ato no domingo.

— No dia 21, ela mandou um vídeo do Nikolas e disse: estou morrendo de vontade de estar lá dia 25. Eu, muito maluquinha, disse: “vamos”. Mas passe em casa antes e pegue a chave com a vizinha para pegar as roupas e bandeiras — contou Lucia em entrevista ao Metrópoles.

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As duas amigas estavam juntas quando foram atingidas pelo raio na manifestação. Ambas foram socorridas pelos bombeiros e encaminhadas ao hospital.

Lucia e Maria estavam ao lado do guindaste — que, segundo os bombeiros, contribuiu para o incidente — que foi atingido por um raio. Em entrevista, Lucia contou que caiu quando o raio atingiu o solo e temeu pela amiga.

— Eu caí, ouvi um estrondo absurdo achando que era atentado. Quando acordei, alguém me levantou e vi minha amiga sendo levada para debaixo da tenta azul. Tive a impressão que iria perdê-la de vista, foi horrível. Logo um bombeiro veio e a colocou nas costas e fomos para outra tenda, e daí para o HRAN. Eu achei que ela tinha morrido, demorou um tempo para voltar, não conseguia falar e vomitava muito — descreveu Lucia.

Ela também foi atendida na unidade médica, mas o procedimento durou cerca de quatro horas.

— Tive uma hemorragia no tímpano, com um som forte, como de cigarra — detalhou.

A amiga já recebeu alta, mas segue acompanhando Maria no hospital. As duas tinham programado voltar para casa na segunda-feira. Por enquanto, não há previsão de volta.

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Relembre o incidente

O incidente ocorreu na Praça do Cruzeiro, em um ponto de concentração na chegada da marcha a Brasília em ato de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Chovia e, segundo o Corpo de Bombeiros, a presença de um guindaste no local contribuiu para o incidente.

Cerca de 72 pessoas foram atendidas pelos bombeiros, sendo que 30 tiveram de ser levadas ao hospital. Destas, oito apresentavam situação “instável”, de acordo com um comunicado emitido pela corporação.

O tenente do Corpo de Bombeiros Elson Silva explicou que parte dos feridos sofreu queimaduras ao ter contato com estruturas metálicas no momento da descarga elétrica. Outros manifestantes se machucaram ao cair durante o susto provocado pelo raio, com relatos de pessoas que bateram a cabeça no chão.

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Um vídeo registrado pelo repórter João Paulo Biage, do jornal O Povo, mostra o momento em que um raio atinge a região. Nas imagens, é possível ver a luminosidade que irradia pelo local no momento em que o raio atinge o chão — além de ouvir o barulho que assustou diversas pessoas que estavam na manifestação.

Assista ao registro

Ato ocorreu em Brasília

Caminhada Pela Liberdade partiu de Paracatu (MG) em 19 de janeiro e percorreu 240 quilômetros até chegar a Brasília. Durante o trajeto, manifestantes e outros parlamentares de direita — como Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado em Santa Catarina — se juntaram ao grupo.

A mobilização pedia a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Papudinha, dentro no Complexo Penitenciário da Papuda, após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O grupo defendeu a derrubada no Congresso dos vetos do presidente Lula (PT) ao projeto da dosimetria, substituto do projeto da anistia para os envolvidos nos atos do 8 de janeiro. A proposta reduz a pena de Bolsonaro e de outros condenados.

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*Com informações do Metrópoles, g1 e O Globo