Aviões de guerra americanos e israelenses transformaram o coração de Teerã em ruínas na manhã deste sábado (28). O alvo principal era o complexo residencial do aiatolá Ali Khamenei, 86 anos, líder supremo do Irã há mais de três décadas. Segundo o presidente Donald Trump, que confirmou a morte nas redes sociais, “Khamenei, um dos homens mais maldosos da história, está morto.”
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A operação, batizada de “Lion Roar” pelos israelenses, não foi um ato impulsivo. Foi mais um capítulo de uma escalada que remonta ao ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, evento que redefiniu a geopolítica do Oriente Médio. A “guerra de 12 dias” em junho de 2025 já havia sido um ensaio para o que ocorreu neste sábado.
A justificativa americana era clara: o Irã havia falhado nas negociações sobre o programa nuclear. Uma autoridade americana afirmou que Teerã não demonstrou “seriedade para alcançar um acordo real”, mesmo diante da oferta americana de “combustível nuclear gratuito para sempre”. Para Washington e Tel Aviv, a única saída passou a ser a eliminação da liderança.
Khamenei não era apenas um líder político. Era o arquiteto de décadas de confronto com o Ocidente. Ele controlava todos os ramos do governo e das forças armadas e era considerado o líder espiritual máximo do país, respondendo apenas a Deus segundo a hierarquia iraniana. Sob seu comando, o Irã financiou milícias por todo o Oriente Médio, resistiu a sanções econômicas paralisantes e avançou silenciosamente em direção à capacidade nuclear.
Além do próprio Khamenei, entre os mortos confirmados estão Ali Shamkhani, conselheiro pessoal de segurança do Líder Supremo, e o general Mohammad Pakpour, comandante dos Guardiões da Revolução, responsável pelos sistemas de mísseis iranianos.
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A reação iraniana foi imediata. Mísseis balísticos foram lançados contra Israel e bases americanas no Golfo. Os Guardiões da Revolução rebatizaram a primeira fase da operação de represália e ameaçaram usar “armas nunca vistas antes”.
Nas ruas de Teerã, porém, a reação foi diferente. Pessoas saíram às janelas para aplaudir e tocar músicas em comemoração, segundo testemunhas e gravações de áudio, pouco após as confirmações da morte de Khamenei. Na prática, a morte do líder supremo não encerra o conflito, mas pode transformá-lo, garantem especialistas.

Quem era o aiatolá
Ali Hosseini Khamenei nasceu em 19 de abril de 1939 na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, em uma família de clérigos xiitas. Desde jovem, seguiu os passos do pai nos estudos religiosos, tornando-se discípulo do aiatolá Ruhollah Khomeini, homem que lideraria a Revolução Islâmica de 1979.
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Khamenei participou ativamente dessa revolução, foi preso e torturado pelo regime e emergiu do caos pós-revolucionário como uma das figuras centrais da nova República Islâmica. Ocupou a presidência do país entre 1981 e 1989, período marcado pela devastadora guerra contra o Iraque, que custou mais de um milhão de vidas. Com a morte de Khomeini, em junho de 1989, foi escolhido como o novo aiatolá.
Por 36 anos, Khamenei foi o homem mais poderoso do Irã, com autoridade acima do presidente, do parlamento e do judiciário. Era ele quem definia as diretrizes da política externa, controlava as Forças Armadas e os temidos Guardiões da Revolução, e determinava os limites do que era permitido na sociedade iraniana.
Sob sua liderança, o Irã construiu uma vasta rede de milícias aliadas pelo Oriente Médio, do Hezbollah no Líbano ao Hamas em Gaza, dos Houthis no Iêmen às facções xiitas no Iraque, transformando o país no principal patrocinador do que ele mesmo chamava de “Eixo da Resistência” contra Israel e os Estados Unidos.
Anticomunista e antiamericano por convicção, Khamenei via o Ocidente como uma ameaça civilizacional ao islã, e dedicou sua vida a construir um Irã capaz de resistir a essa influência, legado que, agora, com sua morte, enfrenta um futuro incerto.
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