“Quem imaginaria que no ano de 1973 um homem considerado sonhador criaria um evento de tanto sucesso e que entraria para a história de Lages? Nem eu acreditei”. Esta afirmação é da professora de História e Estudo Regionais, Adelma Paim, viúva do idealizador da Festa Nacional do Pinhão, Aracy Paim.

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— Na época ele era secretário executivo da Serratur, órgão responsável pelo turismo na região, e sempre tinha ideias diferenciadas. Nunca esqueço quando um dia me disse: “Adelma já imaginou se as fazendas virassem hotéis, traríamos muito mais turistas pra cá”. Eu ouvia as ideias, sem acreditar muito nelas. Hoje os hotéis fazenda são uma realidade. Ele ficaria feliz em ver. Assim foi com a festa, teve a ideia e a autorização em realizá-la. Porque o Aracy não era um homem só de ideias. Também era da ação — conta Adelma.

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O que Paim queria era criar um evento que movimentasse a cidade, além de destacar e divulgar as características do município como polo econômico e cultural. Após projetar a festa, a apresentou a representantes em uma reunião na prefeitura.

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— Ele projetou a festa sobre um papel. Entre riscos e rabiscos surgiram as primeiras ideias. Rabiscou araucárias e lá num momento da reunião disse: “Será Festa do Pinhão destacando a semente tão apreciada em nossa região” — ressalta Adelma.

E assim aconteceu. A primeira Festa do Pinhão foi realizada nos dias 14 e 15 de julho de 1973, na Praça João Costa, conhecida como Calçadão de Lages. O evento, mesmo modesto, reuniu um número expressivo de pessoas ao redor de tonéis cheios de pinhões cozidos. Foi elevado um pequeno palco para a apresentação de alguns artistas locais. Também foram organizadas barracas para a venda de doces, pipoca, rapadura e bebidas quentes.

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Dona Adelma conta que a segunda festa aconteceu em 1974 na Avenida 1º de maio, no Centro de Tradições Gaúchas, mas infelizmente não alcançou o mesmo impacto da primeira edição. Isto fez com que ela não recebesse mais apoio para edições futuras. Foi assim que o evento ficou dormente por 13 anos.

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— Quando a festa foi retomada no ano de 1987, o Paim, que tanto acreditou naquela ideia, já havia falecido há três anos. O certo mesmo é que, mesmo tendo um início simples e acanhado, ela se consolidou — pontua.

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Entre tantos recortes e notícias que mostram o sucesso da festa, Dona Adelma só sente a ausência dele.

— É uma pena ele não ter vivido para ver a concretização do sonho — lamenta a viúva.

Nos anos de 1987 e 1988 o prefeito Paulo Duarte reativou a festa, que passou a acontecer no Parque Conta Dinheiro. Mas foi no ano de 1989 que o então prefeito Raimundo Colombo relançou o evento como 1º Festa Nacional do Pinhão, que neste ano de 2024 completa 34 anos.

Hoje o Recanto do Pinhão, evento que antecede o início da festa e acontece na Praça João Costa, berço originária da primeira festa, lá em 1973, leva o nome de Aracy Paim.

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— Não fico pensando sobre a contagem dos números da festa. Sei bem quando ela iniciou. E me orgulho do feito do meu marido. Quando vejo a cidade repleta de gente, chegando aos milhares em nossa Lages, imagino como ele ficaria eufórico. Tal qual as gralhas escondem os pinhões, que ficam dormentes antes de surgir belas araucárias, assim foi a festa que meu marido sonhou. Hoje ela é altiva, tal qual uma bela e majestosa araucária — conclui Dona Adelma.

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