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"Quem está botando fogo, queima a própria alma", diz coordenador do Parque da Serra do Tabuleiro

Somente na quinta-feira (10), quando o fogo atingiu a área pela terceira vez em 30 dias, foram consumidos cerca de 30 hectares, segundo Carlos Cassini

12/10/2019 - 10h47 - Atualizada em: 12/10/2019 - 10h49

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Coordenador do parque e oceanólogo Carlos Cassini
(Foto: )

A maior área de preservação de Santa Catarina foi tomada pela fumaça pela terceira vez, na última quinta-feira (10), exatamente um mês depois do incêndio que destruiu mais de 800 hectares do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Dessa vez, foram consumidos cerca de 30 hectares da área, segundo análise preliminar realizada pelo coordenador do parque, Carlos Cassini. No dia seguinte (11), novos focos precisaram ser controlados pelas instituições responsáveis.

Em pouco mais de 30 dias, as entidades foram movimentadas no combate de novos focos ao menos cinco vezes. São mais de mil hectares destruídos. Na primeira ocasião, o Instituto Geral de Perícias (IGP) concluiu que o fogo foi criminoso. A Polícia Civil instaurou inquérito para identificar os responsáveis, mas não chegou à autoria até então. Nos registros seguintes, áreas de difícil acesso foram atingidas e, embora ainda sem conclusão sobre o motivo que iniciou as chamas, a suspeita de incêndio criminoso já foi levantada.

Coordenador do parque desde 2017, o oceanólogo Carlos Cassini acompanha de perto todas as ocorrências. Ele e outros servidores do IMA entram na mata todas as vezes que o fogo reaparece, junto com equipes especializadas no combate aos incêndios, na tentativa de minimizar os danos na reserva natural. É ele, também, quem argumenta sobre a forte hipótese de que o fogo foi provocado propositalmente:

— O fogo começou próximo à estrada, mas mais uma vez, mas longe o suficiente para não ser um acidente. E o último foco que combatemos estava completamente isolado, sem nada em volta dele, o que sugere que alguém havia acabado de colocar fogo no local — diz.

A imagem mostra todas as áreas atingidas em 30 dias
A imagem mostra todas as áreas atingidas em 30 dias
(Foto: )

Nos 30 hectares destruídos na quinta-feira, entre as ramificações do Rio da Madre, aproximadamente cinco hectares destruídos eram de vegetação nativa. Outros cinco eram de área contaminada por pinheiro da espécie pinus. E, em outros 20 hectares de área, as chamas foram contidas, dentro do possível, pelas equipes do IMA, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental.

Quem está botando fogo, não está queimando só a vegetação e os animais, está queimando a própria alma. Em um momento ou outro, vai sentir o resultado disso que está provocando — desabafa.

Cassini ainda ressalta que a quantidade de água utilizada no combate às chamas é grande e pode fazer falta dentro das casas da população, especialmente em tempo de estiagem:

— Essa água não vem de rio, deveria estar indo para as torneiras e não para apagar o fogo que uma ou mais pessoas estão provocando — conclui.

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