O relatório do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), da Transparência Internacional, traz um “balde de água fria” em narrativas políticas comuns de ambos os lados do espectro. O ranking derruba discursos de direita ao mostrar que países com Estados fortes e serviços amplos, como o Uruguai, são os mais limpos, e que Cuba (40 pontos) é percebida como menos corrupta que economias de mercado como Brasil (35) e Argentina (36). Por outro lado, desmonta falas de esquerda ao evidenciar que regimes como Venezuela (10) e Nicarágua (14) figuram na base da pirâmide, provando que o autoritarismo é o terreno mais fértil para desvios.
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A análise, que foi tema de reportagem da CNN e da CNN en Español, avaliou cerca de 180 países ao redor do mundo em uma escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito limpo). Os dados reforçam que a corrupção não respeita cartilhas ideológicas: ela se infiltra onde as instituições são frágeis, independentemente de quem está no poder.
O cenário do Brasil e o crime organizado
O Brasil ocupa a 9ª posição no recorte da América Latina. O relatório da Transparência Internacional acende um alerta: em países como Brasil, México e Colômbia, a corrupção tem permitido que o crime organizado se infiltre na política. Isso afeta diretamente o dia a dia da população, já que recursos que deveriam ir para Segurança e Saúde acabam sendo desviados, fortalecendo grupos criminosos.
Ranking da América Latina (da melhor para a pior nota)
Confira a pontuação dos países latinos. Quanto maior a nota, mais “limpo” é o país perante especialistas e executivos:
- 1º Uruguai: 73 pontos
- 2º Chile: 63 pontos
- 3º Costa Rica: 56 pontos
- 4º Cuba: 40 pontos
- 5º Guiana: 40 pontos
- 6º Colômbia: 37 pontos
- 7º República Dominicana: 37 pontos
- 8º Argentina: 36 pontos
- 9º Brasil: 35 pontos
- 10º Equador: 33 pontos
- 11º Panamá: 33 pontos
- 12º El Salvador: 32 pontos
- 13º Peru: 30 pontos
- 14º Bolívia: 28 pontos
- 15º México: 27 pontos
- 16º Guatemala: 26 pontos
- 17º Paraguai: 24 pontos
- 18º Honduras: 22 pontos
- 19º Haiti: 16 pontos
- 20º Nicarágua: 14 pontos
- 21º Venezuela: 10 pontos
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Além da ideologia: o mapa da transparência em imagens
*Lembrando que o ranking vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito limpo).
Realidades que contrariam as expectativas políticas
Os dados revelam contradições que desafiam o que é pregado em muitas bolhas digitais:
1. O “Oásis” Uruguai e Chile
- O que contraria o discurso de direita: O Chile, frequentemente citado como exemplo de liberalismo econômico, viu sua nota cair nos últimos anos devido a escândalos na relação entre os setores público e privado.
- O que contraria o discurso de esquerda: O Uruguai, que possui um Estado forte e serviços públicos amplos, lidera o ranking com folga, provando que o tamanho do Estado não é sinônimo de corrupção, desde que haja controle.
2. O caso de Cuba e Venezuela (A queda de braço ideológica)
- O que contraria o discurso de esquerda: A Venezuela (10 pontos) e a Nicarágua (14 pontos) ocupam a base da pirâmide. Para quem defende esses regimes sob o manto da “justiça social”, os dados mostram que a concentração absoluta de poder quase sempre resulta em cleptocracia.
- O que contraria o discurso de direita: Cuba (40 pontos) aparece à frente de países com economias muito mais abertas. Isso surpreende quem prega que o socialismo é, por definição, o único berço da corrupção institucionalizada.
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3. A Estagnação de Gigantes (Brasil e México):
- O Brasil (35) e o México (27) sofrem do mesmo mal: independentemente da alternância de governos, as notas pouco se movem. Isso derruba o discurso de que “basta trocar o governante” para acabar com o problema. O índice sugere que a corrupção é estrutural e ligada ao desmonte de mecanismos de controle, independentemente da ideologia do presidente.
4. O Fenômeno Bukele em El Salvador:
- Apesar da alta popularidade em certas bolhas digitais devido ao combate ao crime, El Salvador (32 pontos) continua com baixa percepção de integridade. Isso ocorre porque o governo reduziu o acesso a dados públicos e enfraqueceu o Legislativo. Para a Transparência Internacional, quando a transparência cai, o risco de corrupção aumenta, mesmo que a segurança pública apresente melhoras.
Panorama mundial e o caminho para a mudança
No topo do mundo, a Dinamarca lidera como o país mais limpo (89 pontos), seguida por Finlândia (88) e Singapura (84). Já os piores do mundo, empatados com a Venezuela no pé da tabela, são a Somália e o Sudão do Sul (ambos com 9 pontos). A análise foi originalmente publicada pela CNN en Español, trazendo o histórico da percepção de corrupção.
De acordo com Luciana Torchiano, conselheira da Transparência Internacional ouvida pela CNN, a receita para mudar esses números passa por “um poder judiciário forte e independente“, além do “aumento da transparência nas contratações públicas”.
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Considerando os 182 países analisados no ranking mundial, o Brasil fica na segunda metade da lista, na posição 107, conforme destacou a reportagem.
FAQ da corrupção na América Latina
Qual é o país menos corrupto da América Latina?
- De acordo com o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional, o Uruguai lidera como o país menos corrupto da América Latina, com uma pontuação de 73, seguido pelo Chile e pela Costa Rica.
Qual a posição do Brasil no ranking de corrupção?
- O Brasil ocupa a 9ª posição no recorte da América Latina, com 35 pontos. O país apresenta um cenário de estagnação, onde a corrupção é vista como estrutural, independentemente da orientação ideológica do governo.
Por que a Venezuela é considerada o país mais corrupto da região?
- A Venezuela ocupa o último lugar do ranking com apenas 10 pontos. Segundo especialistas, isso se deve ao caos institucional, ao autoritarismo e à concentração absoluta de poder, que criam um terreno fértil para a cleptocracia.
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É verdade que Cuba é menos corrupta que o Brasil?
- Sim. De acordo com o relatório destacado pela CNN, Cuba aparece com 40 pontos, à frente do Brasil (35) e da Argentina (36). Esse dado surpreende muitas bolhas digitais, pois Cuba supera — no quesito percepção de integridade — países com economias de mercado mais abertas.
Qual o impacto da corrupção no crime organizado?
- Em países como Brasil, México e Colômbia, a corrupção institucionalizada facilita a infiltração do crime organizado na política. Segundo o estudo, isso resulta no desvio de verbas que deveriam ir para Saúde e Segurança Pública, fortalecendo diretamente grupos criminosos.
Como funciona a nota do ranking da Transparência Internacional?
- O índice utiliza uma escala de 0 a 100. O número 0 indica que o país é considerado altamente corrupto, enquanto o 100 indica um país “muito limpo”. A nota é baseada na percepção de especialistas e executivos de negócios sobre a transparência do setor público.






















