Dois golfinhos-listrados (Stenella sp.), espécie incomum de ser vista em áreas costeiras, foram encontrados mortos em praias do Litoral Norte catarinense no final da semana passada. Um deles, resgatado em Bombinhas, teve a cauda amputada por rede de pesca e provavelmente morreu asfixiado. O outro, que não tinha lesões aparentes, foi localizado em Barra Velha.

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É a primeira vez em sete anos que a espécie é encontrada em praias de Santa Catarina. O primeiro encalhe foi registrado na última quinta-feira (4) na Praia do Canto Grande, em Bombinhas. O golfinho tinha pouco mais de um metro e era uma fêmea jovem.

O resgate e estudo foi feito pela equipe da Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, uma das instituições do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos. Entre as principais avaliações externas está a amputação total da nadadeira caudal, lesão associada às marcas evidentes de emalhe em rede de pesca.

A suspeita da equipe veterinária ao analisar as lesões internas foi de morte por asfixia. No corpo foi possível identificar marcas profundas compatíveis com o petrecho pesqueiro.

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Caso em Barra Velha

O segundo encalhe foi registrado na Praia do Tabuleiro, em Barra Velha, na sexta-feira (5). O golfinho era um macho, estava magro e tinha “piolhos de baleia” e sanguessugas na nadadeira caudal.

O diagnóstico apontou “enterite parasitária e congestão no fígado”. Para tornar o entendimento da causa de morte mais conclusivo, foram coletadas amostras biológicas, que serão processadas no Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Univali. 

Golfinhos

Golfinhos são animais pulmonados, ou seja, respiram fora da água. Quando eles ficam presos a uma rede, por exemplo, têm a capacidade biológica de impedir a entrada de ar nos pulmões. Basicamente, se “suicidam” pelo estresse gerado ao não conseguirem se mover.

No golfinho de Bombinhas não havia conteúdo alimentar no estômago, o que indica que ele estava sem se alimentar há dias. 

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Registros como esses são fundamentais para o entendimento da condição de saúde de animais marinhos no momento do encalhe nas praias. As informações adquiridas na necropsia ajudam na compreensão do funcionamento dos sistemas, o que permite, inclusive, tornar mais efetivo o tratamento de animais vivos. 

Muitas mortes estão relacionadas às interações antrópicas, aquelas que possuem alguma relação do homem e seu impacto ambiental. A pesca, por exemplo, é uma ameaça, mas nem sempre é a causa da morte. Há outros fatores e outras atividades humanas que afetam a vida marinha. 

A espécie

A estimativa de vida para os indivíduos dessa espécie é em torno de 60 anos. Internacionalmente, o risco de extinção da espécie é “pouco preocupante”, porém, é ameaçada pelo interesse da caça predatória e ilegal, principalmente no Japão, pela captura acidental nas redes de pesca e pela poluição dos mares.

Por ser um mamífero de hábitos oceânicos, vê-lo em praias é extremamente raro.

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