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Reajuste da Petrobras põe diesel em SC acima dos R$ 7 e pressiona inflação

Novos preços devem chegar às bombas tão logo os valores das refinarias sejam alterados, neste sábado

17/06/2022 - 15h56 - Atualizada em: 17/06/2022 - 16h42

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Paulo
Por Paulo Batistella
Setor de transporte de cargas tem usado diesel como principal indicador para reajustes
Setor de transporte de cargas tem usado diesel como principal indicador para reajustes
(Foto: )

O aumento no valor dos combustíveis anunciado pela Petrobras nesta sexta-feira (17) despertou uma reação em cadeia de alta de preços. Nos postos catarinenses, a gasolina deve subir cerca de R$ 0,15 e o diesel, até R$ 0,65 por litro, conforme os novos valores passem a valer nas refinarias da estatal, neste sábado (18).

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A estimativa do aumento nas bombas é do vice-presidente do Sindicato de Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis), Joel Fernandes.

— Tão logo os postos comecem a receber os produtos com um novo preço, eles automaticamente vão repassar isso para o consumidor — disse à CBN Floripa.

No caso do diesel, o litro deve ultrapassar com folga a casa dos R$ 7. Na última semana, o valor médio do óleo em SC ficou em R$ 6,474, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já o preço do diesel S10 estava em R$ 6,897, e o da gasolina comum era de R$ 7,110.

A alta deve ir além das bombas dos postos, conforme lembrou o dirigente do Sindópolis, devido ao peso dos combustíveis nos preços de diversos produtos e serviços. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal rodoviário é responsável por cerca de 64,7% do transporte de cargas no Brasil.

— Nós vamos enfrentar sérios problemas com o diesel. Ele movimenta toda a nossa economia. Nossa inflação já está nos dois dígitos, e vai subir um pouco mais — prevê. 

Em maio, a inflação oficial no país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tinha alta acumulada de 11,73% em 12 meses. A previsão de Fernandes vai ao encontro do que já comunicou o setor de transporte de cargas em Santa Catarina. O frete deverá ter aumento emergencial de 5% a 9%.

A indicação é da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), que representa cerca de 20 mil empresas catarinenses do setor e comunicou a alta logo na sequência do anúncio da Petrobras.

Em seu comunicado, a entidade diz que os aumentos recorrentes do diesel têm desestimulado a atuação de empresários no setor, repudia a política de preços adotada pela Petrobras e reforça a alta geral de preços que o novo reajuste deve causar.

"A Fetrancesc entende que em um momento de crise generalizada, a Petrobras e o governo federal deveriam ter uma preocupação maior para reduzir a inflação e equilibrar a economia", escreve a entidade no anúncio.

O diesel é hoje o componente de maior peso nos custos dos transportes, segundo a Fetrancesc também destaca no comunicado, fazendo menção a um cálculo realizado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

O gasto com o combustível corresponde, em média, a 35% do valor dos fretes, podendo chegar a 60% a depender da transportadora.

Um estudo recente da CNT mostrou que 57,1% dos empresários do ramo usam a variação do diesel como principal indicador para mexer hoje no valor do frete e que 82,3% deles colocam o combustível como maior dificuldade para atuar com transportes.

Isso já havia ficado evidente no início de maio, quando o setor indicou aumento de até 5,4% no valor dos fretes em Santa Catarina depois de um reajuste da Petrobras.

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