Justiça entende que a coleta de dados deve ser opcional e que o direito à privacidade não pode gerar prejuízo financeiro ao consumidor (Foto: Divulgação)
A Justiça do Maranhão determinou que a rede de farmácias Drogasil não poderá mais condicionar a concessão de descontos e promoções ao fornecimento do CPF ou de qualquer outro dado pessoal dos consumidores. A decisão, que tem validade em todo o território nacional, foi proferida pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.
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Na sentença, o juiz Douglas de Melo Martins estabeleceu que os preços promocionais devem ser oferecidos de forma acessível a todos os clientes, independentemente de cadastro prévio ou compartilhamento de informações pessoais no momento da compra.
A ação foi movida pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo e pelo Instituto de Comunicação e Educação em Defesa dos Consumidores e Investidores, que questionaram a prática adotada pela rede.
Além de interromper a exigência de dados para concessão de descontos, a Drogasil deverá implementar uma política de transparência em todas as suas unidades. A medida prevê que a adesão a programas de fidelidade ou a coleta de dados pessoais só poderá ocorrer após os consumidores serem informados sobre a finalidade da coleta, o período de armazenamento das informações e eventual compartilhamento com terceiros.
Segundo a decisão, a recusa em fornecer dados pessoais não poderá resultar na perda dos descontos oferecidos pela farmácia.
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A rede também foi condenada ao pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O valor será destinado ao Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos (FEPDD), conforme prevê a Lei nº 7.347/1985.
Quais as maiores empresas de SC
Fonte: Anuário Valor 1000, com dados dos balanços de 2024. Crédito das imagens: Divulgação e Arquivo NSC Total
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Bunge Alimentos (Agronegócio). Posição no ranking nacional: 15ª. Receita líquida em 2024: R$ 69,8 bilhões (-14,6% em relação a 2023)
BRF (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 20ª. Receita líquida em 2024: R$ 61,3 bilhões (+14,5% em relação a 2023)
WEG (Mecânica). Posição no ranking nacional: 21ª. Receita líquida em 2024: R$ 37,9 bilhões (+16,9% em relação a 2023)
Aurora (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 61ª. Receita líquida em 2024: R$ 22,8 bilhões (+13,5% em relação a 2023)
Grupo Pereira (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 110ª. Receita líquida em 2024: R$ 13,2 bilhões (+13,6% em relação a 2023)
Whirlpool (Eletroeletrônica). Posição no ranking nacional: 112ª. Receita líquida em 2024: R$ 12,9 bilhões (+12,6% em relação a 2023)
Havan (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 119ª. Receita líquida em 2024: R$ 11,7 bilhões (+25,5% em relação a 2023)
Engie Brasil (Energia). Posição no ranking nacional: 125ª. Receita líquida em 2024: R$ 11,2 bilhões (+4,4% em relação a 2023)
Tupy (Metalurgia e Siderurgia). Posição no ranking nacional: 131ª. Receita líquida em 2024: R$ 10,66 bilhões (-6,2% em relação a 2023)
Celesc (Energia). Posição no ranking nacional: 132ª. Receita líquida em 2024: R$ 10,65 bilhões (+2,5% em relação a 2023)
Grupo Koch (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 151ª. Receita líquida em 2024: R$ 9,39 bilhões (+29,3% em relação a 2023)
Cooperalfa (Agronegócio). Posição no ranking nacional: 160ª. Receita líquida em 2024: R$ 8,42 bilhões (+1,2% em relação a 2023)
Tigre (Plásticos e Borracha). Posição no ranking nacional: 266ª. Receita líquida em 2024: R$ 4,82 bilhões (-1,6% em relação a 2023)
Intelbras (Eletroeletrônica). Posição no ranking nacional: 270ª. Receita líquida em 2024: R$ 4,75 bilhões (+15,9% em relação a 2023)
Grupo Dass (Indústria da Moda). Posição no ranking nacional: 273ª. Receita líquida em 2024: R$ 4,68 bilhões (+17,5% em relação a 2023)
Coopercampos (Agronegócio). Posição no ranking nacional: 298ª. Receita líquida em 2024: R$ 4,18 bilhões (-4,8% em relação a 2023)
Mexichem do Brasil (Plástico e Borracha). Posição no ranking nacional: 346ª. Receita líquida em 2024: R$ 3,54 bilhões (+16,4% em relação a 2023)
Angeloni (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 351ª. Receita líquida em 2024: R$ 3,46 bilhões (+8,5% em relação a 2023)
Giassi (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 356ª. Receita líquida em 2024: R$ 3,44 bilhões (+9,5% em relação a 2023)
Copérdia (Agronegócio). Posição no ranking nacional: 388ª. Receita líquida em 2024: R$ 3,09 bilhões (-7,9% em relação a 2023)
Metal Group (Metalurgia e Siderurgia). Posição no ranking nacional: 398ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,97 bilhões (+15,9% em relação a 2023)
Portobello (Materiais de Construção e Acabamentos). Posição no ranking nacional: 473ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,40 bilhões (+9,9% em relação a 2023)
Vitru (Educação). Posição no ranking nacional: 518ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,14 bilhões (+9,1% em relação a 2023)
Pamplona (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 524ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,11 bilhões (+9,6% em relação a 2023)
Granja Faria (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 532ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,05 bilhões (+10,8% em relação a 2023)
Tuper (Metalurgia e Siderurgia). Posição no ranking nacional: 544ª. Receita líquida em 2024: R$ 2,02 bilhões (-1,2% em relação a 2023)
Casan (Água, Saneamento e Serviços Ambientais). Posição no ranking nacional: 559ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,95 bilhão (+19,4% em relação a 2023)
Schulz (Mecânica). Posição no ranking nacional: 561ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,94 bilhão (+1% em relação a 2023)
SCGás (Petróleo e Gás). Posição no ranking nacional: 567ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,91 bilhão (-9,1% em relação a 2023)
Guararapes Painéis (Materiais de Construção e Acabamentos). Posição no ranking nacional: 585ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,81 bilhão (+23,9% em relação a 2023)
Krona (Plástico e Borracha). Posição no ranking nacional: 622ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,63 bilhão (-1,2% em relação a 2023)
Scherer (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 640ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,58 bilhão (+8,5% em relação a 2023)
Gomes da Costa (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 692ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,47 bilhão (+15% em relação a 2023)
Adami (Papel e Celulose). Posição no ranking nacional: 698ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,43 bilhão (+6,2% em relação a 2023)
Portonave (Transportes e Logística). Posição no ranking nacional: 702ª. Receita líquida em 2024: R$ 142 bilhão (+23,6% em relação a 2023)
Cooperativa Auriverde (Agronegócio). Posição no ranking nacional: 721ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,37 bilhão (-4,5% em relação a 2023)
Lunelli (Indústria da Moda). Posição no ranking nacional: 737ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,32 bilhão (+5,1% em relação a 2023)
Coopercarga (Transporte e Logística). Posição no ranking nacional: 754ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,28 bilhão (+8,7% em relação a 2023)
Copobras (Plástico e Borracha). Posição no ranking nacional: 766ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,27 bilhão (+9,4% em relação a 2023)
Cassol (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 792ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,22 bilhão (+7% em relação a 2023)
Porto Itapoá (Transportes e Logística). Posição no ranking nacional: 793ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,22 bilhão (+88% em relação a 2023)
Sker/Statkraft (Energia). Posição no ranking nacional: 815ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,17 bilhão (+24,1% em relação a 2023)
Ascensus Group (Transportes e Logística). Posição no ranking nacional: 843ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,11 bilhão (+67,1% em relação a 2023)
Master (Alimentos e Bebidas). Posição no ranking nacional: 852ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,10 bilhão (+23,3% em relação a 2023)
Unifique (TI e Telecom). Posição no ranking nacional: 889ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,025 bilhão (+16,1% em relação a 2023)
Multilog (Transportes e Logística). Posição no ranking nacional: 893ª. Receita líquida em 2024: R$ 1,023 bilhão (-1,2% em relação a 2023)
Senior Sistemas (TI e Telecom). Posição no ranking nacional: 906ª. Receita líquida em 2024: R$ 976 milhões (+16,8% em relação a 2023)
Vequis Trading (Comércio Atacadista e Exterior). Posição no ranking nacional: 912ª. Receita líquida em 2024: R$ 962,9 milhões (+21,6% em relação a 2023)
Mueller (Eletroeletrônica). Posição no ranking nacional: 920ª. Receita líquida em 2024: R$ 947,5 milhões (+23% em relação a 2023)
Lojas Koerich (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 928ª. Receita líquida em 2024: R$ 937,1 milhões (+26,5% em relação a 2023)
EQS Engenharia (Construção e Engenharia). Posição no ranking nacional: 958ª. Receita líquida em 2024: R$ 881,4 milhões (+9,3% em relação a 2023)
Top Car Veículos (Comércio Varejista). Posição no ranking nacional: 960ª. Receita líquida em 2024: R$ 878,5 milhões (+11,4% em relação a 2023)
Ventisol (Eletroeletrônica). Posição no ranking nacional: 978ª. Receita líquida em 2024: R$ 838,4 milhões (+18,8% em relação a 2023)
Prática foi considerada abusiva
Na avaliação do magistrado, a exigência de dados pessoais para acesso a preços mais baixos configura um método comercial coercitivo e desleal, vedado pelo Código de Defesa do Consumidor.
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A sentença destaca que a coleta de informações deve ser opcional e que os consumidores não podem sofrer prejuízo financeiro por exercerem o direito à privacidade. Para o juiz, a prática caracteriza uma forma indireta de venda casada e gera vantagem excessiva para a empresa.
“A ré utiliza a necessidade básica de acesso à saúde e a sensibilidade do preço dos medicamentos como ferramentas de pressão para inflar seu banco de dados, configurando patente abuso de direito e violação da boa-fé objetiva que deve nortear as relações comerciais”, afirmou Douglas Martins na decisão.
O magistrado também ressaltou que, para o tratamento de dados pessoais ser considerado legal, a legislação exige que o consentimento do titular seja livre, claro e informado, requisitos que, segundo a sentença, não eram observados no modelo adotado pela rede de farmácias.