A preocupação com a próxima safra brasileira de milho, por conta do aumento de custos de insumos e estreita janela para plantio, motivou uma reunião em Brasília nesta semana, convocada pelo Ministério da Agricultura. O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e da Associação Brasileira de Produtores de Milho (Abramilho), Enori Barbieri, advertiu que “poderemos ter um apagão de milho no país este ano”.

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Durante a reunião com as Câmaras Setoriais da Soja e do Milho, foi feito um levantamento em todos os estados sobre os resultados das perdas ocasionadas pela estiagem (do sudeste para cima) e pelo excesso de chuva (no sul do Brasil).

A questão do milho é muito mais preocupante do que a soja porque, além das perdas ocasionadas, há um problema de janela de plantio. O milho da safrinha é plantado após a colheita da soja. Em decorrência do atraso do plantio da soja no Mato Grosso (maior produtor brasileiro e maior produtor brasileiro de milho de safrinha), o plantio da época do milho ficou bastante restrito.

Em Santa Catarina, as perdas de produção foram avaliadas na ordem de 15% em relação à safra do ano passado para as culturas da soja e do milho, conforme o vice-presidente da Faesc.

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— Os cálculos de todos os especialistas não dão conta de que vai ter rentabilidade na próxima lavoura de milho, em função dos preços atuais e alto custos. É uma situação bem dramática para Santa Catarina, que é importador de milho — explica Barbieri.

O Brasil consome 80 milhões de toneladas de milho por ano. Em Santa Catarina, são cerca de oito milhões de toneladas, sendo que seis milhões são importadas de outros estados.

Redução da safra de milho

Em 2024, o Brasil estima uma safra de milho – já deduzidas as perdas ocasionadas pela demora de plantio, estiagem e excesso de chuva – em torno de 115 milhões de toneladas. No entanto, 90% da safra de milho ainda está para ser plantada. No ano passado, a safra foi de 130 milhões de toneladas.

A Faesc e demais entidades do agronegócio apuraram que produtores do centro-oeste brasileiro teriam manifestado a intenção de reduzir a área de plantio no Mato Grosso, principalmente em função desse pequeno espaço de tempo que está sobrando entre o plantio da soja (que está sendo colhida) e o plantio do milho (que deveria estar sendo preparado).

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— Plantar vislumbrando o vermelho lá na frente não é bom. E o problema é dinheiro. O pessoal que está tirando a soja não está vendo rentabilidade para investir na lavoura do milho — explica.

De acordo com Barbieri, uma nova reunião das Câmaras Setoriais ocorrerá na próxima semana para tratar sobre o tema.

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