Um paciente de 58 anos quase morreu após tomar um remédio indicado em uma farmácia de Gaspar. O caso veio à tona quando o homem passou mal e precisou ser hospitalizado às pressas. Durante a internação, ele contou que tinha recebido ao menos duas doses de uma medicação sugerida por um atendente do estabelecimento. Ao olhar o nome do produto, o médico percebeu a origem do problema.

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Após ter alta, o paciente procurou a delegacia e revelou o que tinha ocorrido. Ele contou que foi à farmácia e mostrou o resultado dos exames de sangue. O atendente sugeriu um remédio, mas não teria dito que se tratava de um anabolizante sem registro na Anvisa. O homem chegou a tomar três doses da medicação até começar a passar mal e procurar ajuda médica.

A investigação apontou que o atendente e o dono da farmácia trabalhavam de forma articulada vendendo anabolizantes e de remédio para emagrecer que não são autorizados no Brasil. Na última quinta-feira, 30 de abril, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão. No local encontrou uma série de medicamentos proibidos no país, incluindo o aplicado no paciente que quase morreu.

Os produtos estavam armazenados de forma irregular, escondidos em caixas no depósito, sem qualquer controle térmico — o que pode comprometer a segurança dos consumidores. Na casa do dono da farmácia, os policiais também localizaram medicamentos de uso controlado, como clonazepam e sibutramina, que estariam sendo mantidos fora do estabelecimento para venda sem prescrição médica.

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Nesta segunda-feira (4), a polícia chegou também ao responsável por fornecer os medicamentos para a farmácia alvo da investigação. Com ele foram apreendidos anabolizantes, caixas de tizerpatida da mesma marca encontrada na farmácia de Gaspar, seringa, agulhas, além de equipamentos para transporte térmico, perfumes, bebidas importadas e um caderno com a contabilidade das vendas.

O delegado Filipe Martins disse se tratar de um caso grave, que quase levou uma vítima à morte. Até o momento, três pessoas foram presas, mas as apurações seguem em andamento para desarticular toda a cadeia de fornecimento e identificar outros envolvidos. Se condenados, os investigados podem pegar penas que variam de 10 a 15 anos de prisão.

Os três foram liberados pela Justiça em audiência de custódia e vão responde em liberdade.