O Rio São Lourenço, localizado em Mafra, no Planalto Norte catarinense, voltou a ser encoberto por uma espécie de “tapete verde”, causado pela proliferação de macrófitas na superfície da água. A situação é acompanhada pelas autoridades e investigada em um processo aberto pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
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Moradores do município registraram o reaparecimento do fenômeno nos últimos dias. Alguns trabalhadores chegaram a entrar na água para retirar parte do tapete verde na manhã desta quarta-feira (20).
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A Prefeitura de Mafra afirma que acompanha o caso do Rio São Lourenço desde os primeiros registros da proliferação da espécie “salvinia spp”. Segundo o município, as empresas investigadas realizam regularmente coleta e análise da água, além de monitoramento constante das condições observadas no rio e na represa.
Quando anomalias são identificadas, a prefeitura encaminha relatórios ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e ao MPSC para as providências cabíveis.
Limpeza das plantas aquáticas
A Prefeitura de Mafra ainda informou que a limpeza das plantas aquáticas é de responsabilidade da Celesc Geração de Energia, que contratou uma empresa terceirizada para realizar a retirada das macrófitas.
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Essa limpeza é realizada conforme avaliação técnica da própria Celesc, principalmente em situações que possam comprometer a estrutura da barragem, a captação de água para geração de energia ou a qualidade da água.
“Também existem relatos de moradores e observações da própria equipe técnica do Meio Ambiente de Mafra de que pontos de proliferação dessas plantas podem ocorrer naturalmente ao longo do rio e da represa. Em muitos casos, trata-se de um mecanismo natural do próprio ecossistema aquático diante de alterações ambientais, fenômeno considerado comum em diversos rios e represas”, disse a prefeitura em nota.
O município ainda alertou que ações voluntárias de retirada dessas plantas têm ocorrido sem orientação técnica adequada, o que pode acabar “interferindo em processos naturais do ecossistema sem o devido conhecimento ambiental.”
“Tapete verde” revelou caso de poluição
Segundo o MPSC, um grande volume da espécie “salvínia spp” foi identificada no Rio São Lourenço em outubro de 2025. A planta é “amplamente utilizada em processos de biorremediação e cuja presença está fortemente associada a ambientes com elevada concentração de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, além de agrotóxicos, o que constitui importante bioindicador da influência de insumos agrícolas.”
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Foi apurado que ações da JBS e do Serviço de Limpeza Urbana de Mafra (Seluma), empresa terceirada responsável pelo aterro sanitário na cidade, estariam poluindo o rio. Essa situação levou o Ministério Público a ajuizar quatro ações civis públicas, todas com pedido de liminar.
As outras duas ações são contra a Celesc Geração S/A, responsável pela operação da hidrelétrica na área em que ocorreu a poluição, o município de Mafra, o Estado de Santa Catarina e o IMA. O objetivo das ações é cessar as atividades poluidoras na região.
As atividades da JBS chegaram a ser suspensas por cinco dias pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Após isso, o Instituto Nacional do Meio Ambiente determinou que a empresa apresentasse um plano de ação, contemplando a apresentação das alternativas avaliadas para a solução definitiva do lançamento de seu efluente industrial.
Ao NSC Total, na época da abertura da investigação, a JBS informou que a unidade de Itaiópolis opera regularmente, com todas as licenças ambientais vigentes.
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“A companhia cumpre rigorosamente a legislação e mantém controles operacionais e ambientais alinhados às normas dos órgãos competentes. A JBS reafirma seu compromisso com o meio ambiente e com as comunidades onde está presente”, disse.
Já a Seluma se manifestou no processo e afirmou estar “integralmente mobilizada para promover as melhores soluções dentro do seu contexto de atuação”.
“Nesse sentido, já foram intensificadas/implementadas: remoção de lodo para recuperar volumes úteis e tempos de detenção; otimização do tratamento físico-químico (jar tests, ajuste de pH e alcalinidade); realocação de aeradores para maximizar ganhos de OD e favorecer nitrificação/desnitrificação revitalização da zona de raízes; e preparação para desaguamento de lodo via geotubes”, detalhou a empresa.
O caso segue sob investigação das autoridades competentes.












