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Roberto Alvim é exonerado após pronunciamento semelhante a de ministro de Hitler

Secretário de Cultura divulgou um vídeo em que utilizava trechos do discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista 

17/01/2020 - 12h24 - Atualizada em: 17/01/2020 - 20h45

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Por Folhapress
Redação
Por Redação DC
Discurso de Alvim utilizou trechos de fala nazista
Discurso de Alvim utilizou trechos de fala nazista
(Foto: )

A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece após Alvim parafrasear um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

No começo da tarde, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a demissão pelo Twitter. "Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", escreveu.

Na manhã desta sexta (17), Planalto havia avisado o Congresso que o secretário seria demitido após a repercussão do caso e a manifestação pública da classe política. Entre os que pediram a saída de Alvim está o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-A​P), além do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli.

"O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo", afirmou Maia nas redes sociais. Já Alcolumbre, que é judeu, qualificou em nota o discurso de Alvim de "acintoso, descabido e infeliz". E Toffoli disse que a fala foi "uma ofensa ao povo brasileiro".

Outros que repudiaram o discurso foram o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, e o apresentador Luciano Huck, cotado para lançar candidatura à Presidência.

Em vídeo postado pela Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, o secretário da Cultura Roberto Alvim copia trechos de discurso de Goebbels, ministro de cultura e comunicação de Hitler, o que provocou uma onda de indignação nas redes sociais na madrugada desta sexta (17). Abaixo, veja o vídeo no canal de O Globo no YouTube.

Compare as frases:

— A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada — disse o ministro de cultura e comunicação de Hitler em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich.

— A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada — afirmou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

Estética do vídeo e trilha sonora

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter durante a madrugada e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler.

Uma das referências no vídeo é a música de fundo, que veio da ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida. O pronunciamento de Alvim foi gravado em uma sala que tem o retrato do presidente Jair Bolsonaro ao fundo, a bandeira brasileira de um lado e uma cruz do outro.

Nas redes sociais, Alvim fala em “erro involuntário”

Em postagem nas redes sociais na manhã desta sexta, Roberto Alvim disse que não sabia que o pronunciamento tinha menções nazistas e afirmou que ele foi escrito a partir de várias ideias ligadas à arte nacionalista.

"Se eu soubesse da origem da frase, jamais a teria dito. Tenho profundo repúdio a qualquer regime totalitário, e declaro minha absoluta repugnância ao regime nazista. Meu posicionamento cristão jamais teria qualquer relação com assassinos", escreveu.

Alvim também pediu perdão à comunidade judaica pelo que chamou de “erro involuntário” e afirmou que após o mal-estar causado pelo episódio colocou o cargo à disposição do presidente com a intenção de protegê-lo.

Confira a íntegra do texto:

“Caros: ontem lançamos o maior projeto cultural do governo federal. Mas no meu pronunciamento, havia uma frase parecida com uma frase de um nazista. Não havia nenhuma menção ao nazismo na frase, e eu não sabia a origem dela. O discurso foi escrito a partir de várias ideias ligadas à arte nacionalista, que me foram trazidas por assessores. Se eu soubesse da origem da frase, jamais a teria dito. Tenho profundo repúdio a qualquer regime totalitário, e declaro minha absoluta repugnância ao regime nazista. Meu posicionamento cristão jamais teria qualquer relação com assassinos... Peço perdão à comunidade judaica, pela qual tenho profundo respeito. Do fundo do coração: perdão pelo meu erro involuntário. Mas, tendo em vista o imenso mal-estar causado por esse lamentável episódio, coloquei imediatamente meu cargo a disposição do Presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de protegê-lo . Dei minha vida por esse projeto de governo, e prossigo leal ao Presidente, e disposto a ajudá-lo no futuro na dignificação da Arte e da Cultura brasileiras.”

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