Trabalhadores e empresas do setor de cultura e da indústria criativa de Santa Catarina são responsáveis por 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. O dado relativo ao ano de 2020 foi divulgado por uma plataforma inédita do setor, apresentada nesta segunda-feira (10), pelo Observatório Itaú Cultural. Segundo os dados apresentados no evento de lançamento da plataforma, a arrecadação de Santa Catarina supera o índice nacional, que é de 3,11%.

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No mesmo ano analisado pela plataforma, o Estado arrecadou R$ 349,3 bilhões e as atividades culturais, então, acumularam o equivalente a R$ 29,6 milhões. O índice catarinense é mais do que o dobro gerado em todo o país. Todas as informações relativas ao setor estão disponíveis no Painel de Dados, do Observatório Itaú Cultural e a divulgação dos índices foi realizada em São Paulo, durante uma coletiva de imprensa na sede do instituto.

Dados para embasar políticas públicas

O lançamento da plataforma acompanhou o anúncio de um evento dedicado às políticas públicas do setor cultural. Na terça-feira (11), o instituto de pesquisa irá sediar um encontro do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura para que os dados coletados possam contribuir nos investimentos públicos da área.

De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o presidente Rafael Nogueira não irá ao evento e o órgão ainda estuda a possibilidade de encaminhar algum representante. A FCC é a instituição responsável por organizar as políticas estatais no setor, além de realizar a elaboração de editais para que artistas e trabalhadores da área possam acessar os investimentos públicos.

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A importância da utilização destes dados para a elaboração de políticas públicas foi um dos temas mais comentados pelo presidente da Fundação Itaú, Eduardo Saron. Para ele, essa plataforma pode ser uma ferramenta decisiva na hora da aplicação desses recursos. Afinal, sabendo o quanto o setor arrecada ou gera renda, por exemplo, é possível investir mais recursos para impulsionar o segmento. Ainda conforme ele, “a nova plataforma traz a real dimensão da contribuição da cultura e das indústrias criativas para o desenvolvimento econômico do Brasil”.

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Entenda quem compõe a indústria criativa

Para padronizar o levantamento de dados, os pesquisadores realizaram uma comparação de metodologias entre diversos países. Dessa forma, chegaram a um denominador comum entre quem são os trabalhadores que integram a indústria criativa em todo o país e em todo o mundo. A padronização levou em consideração as informações apresentadas pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE) e apenas as categorias profissionais que possuem registro de dados no Brasil foram analisadas.

Assim, trabalhadores da indústria criativa são aqueles que atuam nos setores de moda, atividades artesanais, indústria editorial, cinema, rádio e TV, música, desenvolvimento de software e jogos digitais, serviços de tecnologia da informação dedicados ao campo criativo, arquitetura, publicidade e serviços empresariais, design, artes cênicas, artes visuais,
museus e patrimônio. Os segmentos que não estão nessa lista não possuem dados estruturados para a análise e por isso ficaram de fora.

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Como os dados foram levantados

A renda foi o critério principal para que o instituto chegasse até o PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas. Isto quer dizer que os dados englobam a massa salarial. massa de lucros e de outros rendimentos levantados por estas empresas e por estes profissionais. A metodologia foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores, liderado por Leandro Valiati, professor e pesquisador da University of Manchester, no Reino Unido, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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Conforme o pesquisador que liderou a metodologia, o indicador seguirá em constante aprimoramento. Para determinação do PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas foram utilizados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNADc/IBGE), da Relação de Informações Sociais (RAIS), do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), além das Tabelas de Recursos e Uso do IBGE (TRU) para contabilização dos impostos e o histórico de prestação de contas da lei Rouanet.

Como algumas bases de dados não foram totalmente atualizadas em relação a 2021 e 2022, o primeiro levantamento do PIB da cultura do Observatório Itaú Cultural só conseguiu determinar o valor da geração de riquezas produzido pela cultura e pelas indústrias criativas até 2020. O instituto afirma que seguirá atualizando a plataforma e aprimorando os indicadores.

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