O governo de SC anunciou a criação de um “comitê de crise” para coordenar as ações contra a dengue no Estado e vai liberar R$ 10 milhões para auxiliar os municípios. A implantação do Centro de Operações e Emergências (COE) em Arboviroses foi detalhada em entrevista coletiva nesta segunda-feira, com a presença do governador Jorginho Mello e da secretária estadual de Saúde, Carmen Zanotto.

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As medidas foram tomadas em função do alto número de casos de dengue registrados neste início de ano em SC. Segundo o governo, o Estado já soma 10 mil suspeitas da doença e 3 mil confirmações, em números atualizados até o último sábado (18). Na semana passada, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) emitiu alerta crianças e adolescentes de 0 a 19 anos têm apresentado maior incidência e agravamento da doença — são 26,2% dos pacientes do Estado com esta faixa etária, contra 19% no mesmo período do ano passado.

Os R$ 10 milhões anunciados por Jorginho Mello devem ter como prioridade custear horas extras de servidores para ampliar o horário de atendimento em unidades básicas de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) nos municípios. A intenção é desafogar prontos-socorros de hospitais da demanda de pacientes com sintomas de dengue.

A situação mais grave da alta da dengue em SC está na Grande Florianópolis, local do anúncio desta segunda. Somente em Palhoça há cerca de 1 mil casos confirmados, mais de um terço do total de casos do Estado. A cidade já vive situação de epidemia e vem executando nas últimas semanas ações como aplicação de inseticidas nos bairros para tentar conter o problema.

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A doença também já teve um óbito confirmado, em Florianópolis. Outras cinco mortes estão em investigação. No ano passado, mais de 90 pessoas morreram por conta da doença em SC. Como o calor é um ponto importante para a proliferação da doença, a expectativa é de que o aumento de casos no Estado ainda possa ocorrer até maio.

Diante do agravamento da situação, o Estado anunciou a criação do COE Arboviroses, que deve articular com municípios medidas para combater o mosquito transmissor, aedes aegypti. O médico infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente da Diretoria de Vigilância em Saúde da Dive/SC, será o coordenador do COE.

— O objetivo do COE é intensificar as ações, identificar porque determinada ação não está funcionando bem em determinado município. Com essa parceria, identificando dificuldade que eles estão tendo, o COE vai utilizar todos os instrumentos possíveis para que elas possam se realizar — avalia Gaudenzi.

O governador Jorginho Mello afirmou que a intenção do novo grupo é auxiliar os municípios.

—  É um comitê de crise para juntar a saúde do Estado, do município, para lidar com essa situação que estamos vivendo —  afirmou.

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Estratégia adotada também pelo governo federal

Secretária Carmen Zanotto (d) deu detalhes sobre a criação do COE sobre a dengue em SC (Foto: Jean Laurindo, Diário Catarinense)

A estratégia de criar um centro de operações de emergência foi adotada também pelo Ministério da Saúde, que anunciou na semana passada a criação de um COE Arboviroses em âmbito federal. A intenção é orientar ações nos Estados e monitorar a alta de casos, que já é de 43% no país em comparação com o ano passado.

Além da criação do COE, a secretária Carmen Zanotto também lembrou que solicitou ao governo federal medidas como a ampliação do número de agentes de endemias nos municípios de SC. Nesta semana especialistas da União devem vir ao Estado para discutir as ações contra a doença.

Carmen também citou que após a criação do COE, o Estado cogita criar um grupo de resposta e ações coordenadas (Grac). A ação deve ser tomada caso o combate à dengue passe a exigir ações de outras secretarias do Estado.

No anúncio, a secretária frisou a importância da atenção dos moradores a possíveis focos do mosquito e também do hábito da hidratação, apontado como um dos principais fatores para o não agravamento da dengue nos pacientes.

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— Tudo isso será em vão se não fizermos nossa parte como cidadão. Cada um de nós somos responsáveis. Não dá para apontar o dedo para o outro, porque se nós tivermos focos dentro de nosso terreno ou no terreno ao lado, é impossível as prefeituras chegarem a todos os domicílios para fazerem aquilo que é nosso dever individual como catarinense — afirmou.

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