A Defesa Civil de Santa Catarina informou que está descartada a possibilidade de operar a barragem de José Boiteux, a maior de contenção de cheias no Estado e fundamental para controlar o nível do Rio Itajaí-Açu no Médio Vale. A equipe técnica concluiu não ser seguro fechar as comportas, o que deveria ter sido feito quando o rio alcançou os 6 metros em Blumenau, às 16h.

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Atualização: Defesa Civil decide fechar barragem de José Boiteux, a maior do Estado

A barragem está sem maquinário para operação regular desde 2014, quando a estrutura foi depredada. De lá para cá, se falava em fechar e abrir as comportas com o uso de um caminhão hidráulico. Um vídeo do teste dessa operação chegou a ser feito em 2019 para mostrar que a manobra era possível (confira abaixo).

Agora, porém, o secretário de Estado da Defesa Civil, coronel Armando, frisa que não se sabe as condições da tubulação e seria perigoso fechar as comportas sem garantia de conseguir abri-las novamente. Ele frisa o risco de a água verter e a situação sair do controle. Ainda conforme o chefe da pasta, futuramente serão feitos testes para avaliar se a manobra “improvisada” é viável.

O coronel destaca, entretanto, que o papel de reter água continua sendo desempenhado pela barragem

Imagens feitas na tarde desta quarta-feira (4) em José Boiteux mostram a força das águas passando pelas comportas e descendo o Rio Hercílio, pra depois desaguar no Itajaí-Açu em Ibirama. Conforme o coronel Olímpio Menestrina, secretário de Defesa Civil de Blumenau, a estrutura é capaz de reduzir em até dois metros o nível do rio na cidade.

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Blumenau entra em situação de enchente quando o rio atinge 8 metros. Mas antes disso, na região Norte da cidade, já há pontos de inundação. Confira a cota por rua aqui.

Investimento promete dar fim a impasse

Um investimento estimado em R$ 20 milhões promete dar fim ao impasse que afeta diretamente o funcionamento da barragem de José Boiteux, no Alto Vale do Itajaí. O governo do Estado garantiu a execução das obras dentro da terra indígena Xokleng determinadas pela Justiça Federal há 20 anos.

As ações são uma compensação pelos danos causados à comunidade com a construção da estrutura no território que legalmente pertence aos indígenas. Perda de casas, de escola e da melhor parte da terra fértil para plantio são alguns dos impactos deixados pela obra.

A localidade onde vivem mais de mil famílias também convive com os reiterados alagamentos quando chove por poucos dias seguidos. É o que mostra a foto acima, feita em julho deste ano. A situação compromete, por exemplo, o acesso das crianças às salas de aula.

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