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    SC espera plano do governo Bolsonaro para vacinação contra o coronavírus, mas cidades negociam compra de SP

    Governo de São Paulo espera começar vacinação no Estado no dia 25 de janeiro, enquanto SC não tem cronograma

    08/12/2020 - 05h00 - Atualizada em: 08/12/2020 - 12h51

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    Por Lucas Paraizo
    Vacina coronavírus
    Na Europa, Rússia já começou a vacinação e a Inglaterra pretende iniciar nas próximas semanas
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    A corrida pela vacina contra o coronavírus vive um momento de diferenças de atitude em Santa Catarina. Enquanto o governo catarinense diz aguardar e depender de um Plano Nacional de Imunização, municípios de SC já estão se adiantando e vão negociar a compra de doses da Coronavac com o governo de São Paulo, que anunciou nesta segunda-feira (7) um plano de começar a vacinar a população paulista no dia 25 de janeiro.

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    A Coronavac será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo, através de uma parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. A vacina está na última fase de testes e aguarda os resultados sobre eficácia, e após isso deverá passar por análise da Anvisa para ser liberada no Brasil.

    Inicialmente, a Coronavac não integra o rol dos medicamentos que o governo federal pretende disponibilizar aos brasileiros, já que o Ministério da Saúde aposta as fichas na vacina da farmacêutica AstraZeneca, também conhecida como “a vacina de Oxford”, e que está prevista apenas para fevereiro ou março.

    A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, em nota, diz que não pretende negociar diretamente com laboratórios a compra de outras vacinas, e que “está alinhada ao Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde que definirá quais vacinas serão disponibilizadas, após chancela da Anvisa”.

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    O plano nacional, no entanto, ainda não prevê datas ou a definição das vacinas que serão usadas no Brasil. Portanto, na prática, Santa Catarina ainda aguarda por decisões de Brasília que não têm data para ocorrer.

    Enquanto isso, o governo catarinense afirma que “está preparando a logística” e mapeando os locais de vacinação. Há a previsão de compra por parte do Estado de super-refrigeradores que precisarão ser usados caso a vacina aprovada necessite de resfriamento abaixo dos 40 graus, além de insumos como seringas e agulhas.

    Municípios vão negociar diretamente com SP

    Em um ato crítico à postura do governo de SC de esperar por uma definição do Ministério da Saúde, a Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) está abrindo caminho para que prefeituras negociem a compra de vacinas diretamente com o Estado de São Paulo e o Instituto Butantan.

    Nesta quinta-feira (10), uma comitiva com a diretoria da Fecam e prefeitos catarinenses vai até São Paulo para a assinatura de um protocolo de intenções com o Butantan, o que irá permitir que, após a aprovação da Coronavac, os municípios de SC possam comprar doses da vacina independentemente do plano nacional ou estadual.

    - Só dá para dizer que existe um plano [do governo federal] quando tiver qual o tipo de vacina, quem vai tomar, qual o cronograma, como distribuir isso geograficamente dentro de uma logística, como são os materiais e insumos necessários… Se a gente tem uma vacina da Pfizer é uma seringa, se tem da Sinovac é outra, por exemplo. E o governo de SC dizendo que vai seguir um plano nacional de vacinação que ainda não existe - ressalta o consultor em saúde da Fecam, Jailson Lima.

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    Foi com essa visão que a federação decidiu buscar o caminho alternativo em São Paulo, com a interlocução do atual Secretário de Turismo do Estado de SP, Vinícius Lummertz, que é catarinense.

    Segundo Lima, o protocolo deverá deixar em aberto as possibilidades de compra por meio dos consórcios de municípios catarinenses ou diretamente pelas prefeituras que desejarem. Prazos de entrega e quantidades de doses que poderão ser negociadas de SP para SC são detalhes a serem definidos depois da assinatura na quinta-feira.

    - O movimento é de municipalização para desideologizar a vacina. Os prefeitos querem vacina de qualquer lugar - afirma o consultor da Fecam.

    Entidades nacionais cobraram ação federal organizada pelo governo

    A busca regionalizada pela vacina por parte de estados e municípios tem sido inflada no último mês por causa da falta de uma definição nacional sobre o plano de imunização. Enquanto países europeus, como a Inglaterra, já pretendem começar a vacinação e se prepararam com estoques de diferentes marcas do medicamento, no Brasil há uma cobrança para que o Ministério da Saúde faça o mesmo movimento.

    Em nota conjunta divulgada no fim de semana, o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) cobraram que o governo federal incorpore todas as vacinas possíveis e disponíveis no Plano Nacional de Imunização, pois o cenário mundial indica “insuficiência de doses para vacinar toda a população”.

    A nota diz que “é urgente” que todos os esforços para organização da rede de logística necessária para a vacinação sejam coordenados pelo Ministério da Saúde.

    “A falta de coordenação nacional, a eventual adoção de diferentes cronogramas e grupos prioritários para a vacinação em diferentes estados são preocupantes, pois gerariam iniquidade entre os cidadãos das unidades da federação, além de dificultar as ações nacionais de imunização”, diz a nota.

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