Santa Catarina tem 28 cães-guias para atender 180 mil pessoas com deficiência visual — o equivalente a um animal a cada 6,4 mil. Os dados são da União Nacional de Usuários de Cães-Guias (UNUCG). A baixa quantidade de animais treinados reflete em filas de espera por pessoas que buscam mais inclusão, autonomia e independência no dia a dia. 

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Após seis anos na fila de espera, Samuel Stumpf conseguiu adotar Capone, um cão-guia da raça labrador e treinado para amparar uma pessoa que não enxerga. A dupla, que vive em Florianópolis, passou por anos de treinamento. Quando Capone foi dado ao tutor, uma nova jornada de aprendizado começou.

— Ele se tornou meu parceirão. Eu levo ele para o campismo, a gente faz tracking, monta barraca, ele tá sempre comigo. A gente corre junto na praia, eu treinei ele pra correr comigo […] traz mais autonomia, mais independência, mais liberdade — conta Samuel, que é consultor de acessibilidade e inclusão. 

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Preço para preparar um cão-guia chega a R$ 100 mil

No país, apenas oito instituições são licenciadas para treinar e entregar cães-guias. Uma delas é a escola Helen Keller, localizada em Balneário Camboriú. O local forma até seis cães por ano e possui uma fila de espera de 200 inscritos. Segundo a presidente da escola, o preço para preparar um animal especializado é de R$ 100 mil.

— O treinamento de uma escola gabaritada demanda dois anos. É um processo muito dedicado desde o cruzamento, nascimento e socialização. Depois tem o treinamento específico. Isso demanda custo e uma equipe técnica competente — fala Elis Busanello, presidente da Escola de Cães-Guias Helen Keller. 

Na expectativa por mais autonomia, Gustavo Nunes entrou na fila de espera da escola, que treina os cães e doa os animais. No aguardo desde o ano passado, ele ainda não tem previsão de quando vai receber o cão.

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— Como eu sou deficiente visual recente eu aprendi a andar de bengala, mas é uma segurança maior estar com o cão-guia. Vai mudar minha vida, eu vou poder me locomover pra muitos lugares sem medo de estar batendo em algum lugar e me perdendo — conta. 

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Se mantendo positivo durante a espera, o Gustavo já imagina o que vai mudar na sua vida quando conseguir um cãozinho.

— Eu pretendo ir morar sozinho por conta da autonomia. Minha expectativa é conseguir fazer tudo sozinho e não precisando de alguém do meu lado — pontua.

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Falta de acessibilidade e inclusão

Recursos como as bengalas e cães-guias eliminam as barreiras que limitam as pessoas com deficiência. Mas para Jairo da Silva, vice-presidente da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC), essa acessibilidade ainda não é fácil.

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— É muita dificuldade de acessibilidade, às tecnologias assistivas de forma geral. Uma pessoa que não tem deficiência calça um sapato e vai. Nós não conseguimos sem uma tecnologia assistiva — explica.  

Apesar da independência, a vida com o cão-guia significa companhia o tempo todo. Além do trabalho e da ajuda, cães como o Capone estão cheios de amor e carinho pra dar.

— Para mim é uma conexão e um entendimento de amor sendo aplicado a todo meu dia e tá comigo independente da situação que a gente estiver ele está curtindo — finaliza Samuel Stumpf, dono do animal.

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