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Homicídio nos Ingleses

"Se ele matou por vergonha, está claro que é transfobia", diz ativista LGBT sobre assassinato de Jennifer

Suspeito pela morte de transexual nos Ingleses foi preso neste domingo e confessou o crime 

24/04/2017 - 13h54 - Atualizada em: 24/04/2017 - 14h45

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Por Redação NSC
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Apesar de a Polícia Civil não considerar crime de ódio ou transfobia a morte de Jennifer Celia Henrique, de 37 anos, entidades LGBT e de igualdade de gênero pensam exatamente o contrário. Para Kelly Vieira Meira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Florianópolis, trata-se de um caso claro de preconceito contra uma pessoa trans e que foi determinante para a morte dela.

O delegado Eduardo Mattos afirmou na manhã desta segunda-feira (24) que o assassino confesso Dik Greisson Isidoro da Silva, 22 anos, teve relações sexuais com a vítima antes do crime, e que por isso não vê como crime de transfobia. Conforme o depoimento do suspeito, ele matou Jenni após ela ameaçar contar para os amigos dele sobre o envolvimento entre os dois.

— No momento em que ele pensou que amigos iriam zombar, que a família iria condenar, achou justificável matar para não passar vergonha. É transfobia sim e tem uma proximidade muito grande com a misoginia — argumenta Kelly Meira, a primeira transgênero líder de um órgão em defesa dos direitos femininos no Brasil.

— A Jenni foi duas vezes diminuída, uma por ser mulher e outra porque negou sua condição de masculino — conclui.

Jennifer tinha forte atuação em movimentos de causas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros
Jennifer tinha forte atuação em movimentos de causas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros
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Para a ativista, é urgente a tipificação desse tipo de crime, já que as leis brasileiras não protegem gays, travestis e transexuais vítimas de violência. Por isso a nomenclatura é tão necessária. Kelly afirma que considerar apenas crime passional é relativizar o preconceito de gênero.

Suspeito foi preso na noite de domingo

A Delegacia de Homicídios de Florianópolis esclareceu nesta segunda-feira a morte de Jennifer. Em coletiva de imprensa, o delegado Eduardo Mattos informou que Dik Greisson foi preso pela PM na noite de domingo no bairro Itacorubi. Segundo o próprio depoimento do suspeito, o jovem matou a vítima a pauladas após os dois terem relações sexuais em uma obra na servidão Paraíso dos Ingleses.

— Ele contou que após a relação sexual, a vítima falou para ele que gostaria de manter sempre relações sexuais com ele. Eles tiveram uma discussão breve ali e ela ameaçou de contar a relação que eles tiveram para os amigos dele. Em razão disso, ele teve a reação de golpear com um pedaço de pau na região do pescoço.

Dik Greison, 22 anos, será denunciado por homicídio duplamente qualificado
Dik Greison, 22 anos, será denunciado por homicídio duplamente qualificado
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O delegado descartou transfobia pelo fato de os dois terem mantido relações sexuais. Ele está detido no presídio da Agronômica e será denunciado por homicídio duplamente qualificado: por motivo fútil e que impossibilitou a defesa da vítima. Eduardo Mattos também pedirá a conversão de prisão temporária em preventiva.

A Polícia Civil chegou até o suspeito após ouvir outros moradores de rua que costumam ficar próximo ao local do crime. Também analisou imagens de videomonitoramento que mostram Dik Greison e Jenni entrando na obra e em seguida apenas o jovem saindo. O suspeito disse que estava sob efeito de crack.

Sobre o fato de haverem dois pedaços de pau com marcas de sangue, o que levou a polícia a acreditar que duas pessoas pudessem ter matado Jenni, o delegado Matos explicou que foi o próprio Dik quem usou os as duas armas. No local do crime, os agentes também encontraram R$ 150 que pertenciam a Jenni, o que descartou o crime de latrocínio.

Dik Greison não tinha antecedentes criminais. Ele era natural de Criciúma e informou que trabalhava como reciclador. Após o crime, perambulou pelas ruas da Praia do Forte, Barra da Lagoa, e Centro, até ser detido no Itacorubi.

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Quem era Jenni

Nas redes sociais, onde a morte teve grande repercussão, amigos e familiares da vítima afirmam que o homicídio teve motivações preconceituosas, intolerantes e de transfobia. Jennifer, conhecida por todos no Norte da Ilha como Jenny, tinha forte atuação em movimentos de causas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), além de ser muito conhecida nas regiões dos Ingleses e Santinho, onde morava com seus pais. Jenny trabalhava como revendedora de uma marca de cosméticos.

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