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    Seca: cidades do Médio Vale do Itajaí criam ações e pedem para a população poupar água 

    Região enfrenta falta de chuvas e moradores precisam fazer uso consciente da água potável para evitar desabastecimento 

    12/05/2020 - 17h37

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Foto do Rio Itajaí-Açu em Apiúna tirada no último dia 4
    Foto do Rio Itajaí-Açu em Apiúna tirada no último dia 4
    (Foto: )

    O pedido é o mesmo em todo Médio Vale do Itajaí: economize água. As 14 cidades enfrentam uma seca histórica e, por isso, o abastecimento do líquido essencial começa a ficar comprometido. Algumas cidades, como Brusque e Indaial, já adotam medidas para amenizar os impactos da falta de chuva.

    Em outras, como Blumenau e Pomerode, ainda não ocorrem ações de racionamento, mas o estado de alerta é geral. O presidente do Samae de Pomerode, Ricardo Campestrini, explica que o nível dos rios está cada vez mais baixo e, se necessário, o município adotará o sistema de abastecimento por rodízio. Em breve a prefeitura deve anunciar também a suspensão da irrigação de ruas.

    É o que será feito em Indaial a partir desta quarta-feira (13). A orientação é da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), que emitiu uma nota solicitando às gestões municipais medidas que possam colaborar, de forma urgente e efetiva, para que não haja a falta de água potável.

    "Dados técnicos da Epagri Ciram apontam que o déficit de chuvas se iniciou em junho de 2019, alcançando, nesse momento, alguns índices negativos superiores a 600mm de defasagem, considerado recorde até então. Este fato tem ocasionado a redução dos níveis de água de quase todos os rios, gerando situação de escassez hídrica, prejudicando os sistemas de abastecimento de água em todo o estado de Santa Catarina" diz o texto divulgado pela prefeitura de Indaial.

    A cidade ainda não enfrenta a falta de água, mas o uso apenas para o básico (sem lavar carro, calçadas e muros) pode evitar que isso aconteça. Em Gaspar, o bairro Bateias já preocupa o Samae há algumas semanas. Nessa localidade o abastecimento é interrompido durante a madrugada para permitir a chegada da água às torneiras durante o dia, além de ser uma tentativa de aumentar o nível do reservatório.

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    Nesta semana Gaspar deve anunciar mais medidas para enfrentar a seca. A situação é monitorada pela autarquia e Defesa Civil. O pedido de uso consciente é repetido exaustivamente pelas autoridades.

    Sem desperdício

    Em Brusque, a recomendação se transformou em decreto de situação de alerta para o abastecimento de água nesta terça-feira. Conforme o diretor-presidente do Samae, Djair Machado, medidas legais podem ser tomadas, já que a situação exige muita cautela. A fiscalização ocorrerá por meio da Fundação do Meio Ambiente do Samae. Moradores que descumprirem as determinações poderão ser notificados:

    — O decreto proíbe, até a normalização, que seja usada água potável para fazer limpeza de muro de casas, de calçada, de carro e etc. É uma forma de nós estarmos alertando a população que realmente a crise é bastante grave. O nosso rio aqui no centro, onde medimos, na ponte Estaiada, está com 70 cm, é um nível baixíssimo. Não temos uma previsão de chuva para conter todo esse problema, a previsão mais otimista é final do mês de junho — disse Machado.

    Com o decreto fica proibida a utilização de água fornecida pelo Samae para o abastecimento e substituição de piscinas, lavagem de fachadas, calçadas, pisos, muros e veículos com utilização de mangueiras ou lava jatos para uso doméstico. A economia também deve ser realizada para as ações de prevenção ao coronavírus, como higienização e limpeza de locais. Ao término da estiagem, a irrigação será normalizada.

    Em Apiúna, o cenário é mais crítico no interior do município. Por isso, a prefeitura disponibilizou um caminhão-pipa para atender as comunidades com água tratada da Casan. Tanto lá, quanto em Ascurra, Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Botuverá, Guabiruba, Rio dos Cedros, Rodeio e Timbó o recado é claro e simples de entender: "a melhor forma de prevenir a falta de água é fazendo o uso consciente dela".

    Seca, não estiagem

    Antes a situação vivida em Santa Catarina era vista como estiagem, mas conforme o meteorologista da NSC, Leandro Puchalski, uma reunião com a Associação Catarinense de Meteorologia (Acmet) concluiu que o estado passa por uma seca.

    "Pelo glossário da Sociedade Meteorológica Americana considera-se “seca” como um período anormal de tempo sem precipitação, longo o suficiente para causar um sério desequilíbrio hidrológico. Portanto, o que diferencia estiagem de seca é o período de atuação e o impacto no setor socioeconômico. Enquanto o termo “estiagem” é utilizado para qualificar a falta de chuva ocasional, por um período curto e sem impacto na sociedade, a seca está relacionada à persistência da deficiência de chuvas causando impactos com perdas nas safras e desabastecimento de água para as comunidades", escreveu, em nota, a Acmet.

    Leia também: Chuva deve voltar a SC nesta quarta-feira com risco de temporais isolados

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