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Moda catarinense

Confecção de artigos de vestuário e têxteis passa por reinvenção durante a pandemia

Dólar em alta favorece o setor, que foca no mercado interno

22/03/2021 - 09h39 - Atualizada em: 22/03/2021 - 14h12

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Estúdio
Por Estúdio NSC
indústria têxtil catarinense
Produção da marca Colisão é destaque no mercado têxtil
(Foto: )

O estado catarinense se destaca por ser um dos principais pólos de confecção de produtos têxteis e de vestuário, principalmente o Vale do Itajaí. Após um ano de dificuldades com a pandemia, o setor teve que se reinventar e apostar em estratégias para se manter competitivo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a atividade industrial catarinense apresentou crescimento de 23,7% na confecção de artigos do vestuário e acessórios e de 19,7% na fabricação de produtos têxteis em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2020.

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Os segmentos, juntos, foram os com maior saldo de vagas formais geradas em janeiro, com 7416 vagas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

Claudio Grando, presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Moda da FIESC, a Federação das Indústrias de Santa Catarina, acredita que a grande maioria das empresas conseguiu entender o momento e as mudanças nas necessidades dos clientes.

— O empresário transformou a crise numa oportunidade de transformar o negócio. Muitas empresas mudaram o mix de produtos, ajustaram ao atender o que as pessoas precisavam naquele momento na pandemia. Todos nós mudamos nossa rotina, seja por estar em casa, em home office, ou de forma híbrida. Com isso algumas pessoas até consumiram mais roupas e outros itens do que antes, pois precisaram de mais toalhas, roupa de cama melhor, passaram a se presentear um pouco para compensar os momentos de lazer que tinham fora de casa.

Grando afirma que a indústria soube captar esse movimento e entender essa demanda, principalmente com o aumento do dólar, que promove uma substituição de produtos importados por produtos nacionais.

— As grandes empresas que vendem moda compravam muitas coisas fora do Brasil e passaram a entender que é melhor ter fornecedores mais próximos, se voltaram mais para o produtor nacional, que consegue captar mais rápido as tendências do mercado.

O presidente da Câmara da Fiesc aponta que a moda catarinense é bem recebida em todos os estados, mas São Paulo ainda é o maior mercado consumidor. Para Grando, a sustentabilidade do ponto de vista ambiental, fiscal e trabalhista auxilia as empresas a crescerem cada vez mais, principalmente para as grandes magazines.

Processo ainda caminha a passos lentos

O diretor executivo do Sintex, Sindicato Indústria Fiação Tecelagem e Vestuário, Renato Valim, pondera que quando são analisados os últimos doze meses, o resultado ainda é

negativo. Com o fechamento de fábricas, os desarranjos no mercado causaram falta de matéria-prima e prejudicaram o setor industrial.

— Ficamos uns seis meses com a pandemia fortíssima, comércio fechado em São Paulo, Minas, Rio, houve um represamento do consumo. Aliado a isso, o auxílio emergencial injetou dinheiro no mercado e o pessoal foi para as compras — acredita Valim.

Em outubro, as empresas do setor começaram a recuperação. Segundo Valim, as políticas adotadas pelo governo federal que permitiram antecipação de férias, redução de jornada e salários permitiram que a perda dos empregos não fosse maior.

Já Grando está mais otimista para 2021. Se, no ano passado, o setor levou um susto, passados alguns meses, cada empresa encontrou um caminho diferente a seguir – seja adequando produtos, focando no e-commerce e utilizando novas tecnologias para ter acesso a outros mercados consumidores. A substituição de importações continua a favor da produção local.

Inovação e qualidade são aliadas

Diante desse cenário de dificuldades no ano passado, empresas catarinenses buscaram alternativas para continuarem competitivas no mercado. A Colisão, marca de Indaial com foco no mercado têxtil e moda masculina, inaugurou em fevereiro uma unidade de confecção no estado do Paraná para aumentar ainda mais a capilaridade das vendas. Segundo o gestor comercial da empresa Guenther Abel, o aumento no volume de fabricação no ano passado fez com que a empresa tomasse essa iniciativa.

— O projeto ainda é experimental, está com 20% da capacidade, na fase de montagem da fábrica, contratação, treinamentos e iniciamos uma pequena produção. A percepção do consumidor e também do lojista é que temos um produto diferenciado na concepção e na qualidade, com diferencial na estampa, acabamento, para produzir algo que chame atenção — reforça Abel.

indústria têxtil catarinense
Indústria de moda masculina
(Foto: )

A marca está presente em todo o país, mas com atuação mais forte no Sudeste, e conta com fabricação de cerca de 500 mil peças por mês. A empresa “apertou o cinto” no início da pandemia, mas não parou. Com otimismo, manteve a produção e conquistou bons resultados a partir do dia dos pais, quando o mercado reagiu. Abel acredita que o desafio a cada nova coleção é surpreender os clientes e crescer com sustentabilidade para o desenvolvimento de looks completos que tenham conforto, moda e qualidade.

— A busca por tecidos inovadores e cada vez mais ecológicos é constante. E na preocupação com o meio ambiente, também temos produtos com fios de origem reciclada, com algumas camisas com fios de origem de garrafa pet. No tingimento, procuramos trabalhar com o processo menos agressivo possível, inclusive usando o processo de estampa digital, que reduz a utilização de água no processo — completa o gestor.

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