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    Sobrevoo registra 42 baleias-francas entre o litoral de SC e do RS

    Principal sobrevoo de monitoramento da temporada 2020 foi realizado nos dias 17 e 18 de setembro

    22/09/2020 - 09h08 - Atualizada em: 22/09/2020 - 16h17

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    Por Guilherme Simon
    Baleias-francas em SC
    A maior concentração foi registrada em Laguna, no Sul catarinense, onde foram encontradas 24 baleias
    (Foto: )

    Um total de 42 baleias-francas foram avistadas em um monitoramento aéreo realizado entre o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, entre a última quinta (17) e sexta-feira (18). Esse foi o principal sobrevoo de monitoramento da temporada 2020, já que setembro é o auge do período reprodutivo das baleias-francas. O próximo sobrevoo está previsto para novembro, no fim da temporada.

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    As informações foram divulgadas pelo Instituto Australis de Pesquisa e Monitoramento Ambiental, uma entidade civil sem fins lucrativos criada em 2015 para auxiliar na manutenção das atividades do Programa de Pesquisa e Conservação da Baleia-Franca.

    Conforme o instituto, o sobrevoo avistou 20 mães acompanhadas de filhotes e duas adultas sozinhas, totalizando 42 baleias-francas.

    A maior concentração foi registrada em Laguna, no Sul catarinense, com 24 baleias, seguido de Mostardas (RS), com 10 baleias, Jaguaruna, também no Sul de SC, seis baleias, e Capão da Canoa (RS), duas baleias. Além das baleias, foram avistados grupos de toninhas (Pontoporia blainvillei), pinípedes (lobos e leões marinhos) e golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus).

    Além do tradicional monitoramento que abrange a região da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, entre Torres, no Rio Grande do Sul, e Florianópolis, dessa vez o percurso foi estendido e iniciou no município de Santa Vitória do Palmar, extremo sul gaúcho, percorrendo cerca de mil quilômetros de costa até a cidade de Penha, no litoral norte de SC.

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    Intitulado expedição ProFRANCA, o sobrevoo estendido é uma ação conjunta do programa de monitoramento das baleias francas da SCPAR Porto de Imbituba e do Projeto Franca Austral, realizado pelo Instituto Australis, com patrocínio Petrobras.

    Dentro da área regularmente sobrevoada em anos anteriores, entre Florianópolis e Torres (RS), foram avistadas 30 baleias, sendo 15 mães acompanhadas de filhotes. Esse número é menor que observado em setembro do ano passado, quando foram avistadas 52 baleias no mesmo trecho.

    Segundo Karina Groch, Diretora de Pesquisa do ProFRANCA, "o baixo número de baleias foi uma surpresa, pois este ano as baleias chegaram na região mais cedo". Segundo ela, isso em geral é um indicativo de um número maior de baleias virem se reproduzir no litoral do Brasil.

    Baleias-francas em SC
    Sobrevoo estendido é uma ação conjunta do programa de monitoramento das baleias francas da SCPAR Porto de Imbituba e do Projeto Franca Austral, realizado pelo Instituto Australis
    (Foto: )

    — Além disso, estamos tendo um ano muito atípico em termos de distribuição das baleias, com ocorrência mais ao Sul. E temos feito contato com os pesquisadores que atuam nas outras áreas de concentração de baleias-francas no Hemisfério Sul, que também estão registrando números menores que em 2019 — complementa.

    De acordo com pesquisadores que participaram do sobrevoo, diversos fatores podem influenciar no número de baleias em áreas reprodutivas avistadas neste ano.

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    — A variação pode estar atrelada a fatores como a disponibilidade de alimento antes da migração e a reprodução desses animais na Argentina, que é uma área mais próxima às zonas de alimentação, localizadas na Antártica — afirma Gilberto Ougo, oceanógrafo da empresa Acquaplan, que integrou a equipe da expedição.

    Ameaçada de extinção no Brasil, a baleia-franca é uma espécie que conta com uma população estimada em 500 indivíduos e uma taxa de crescimento de 4% ao ano. Os números são resultado de uma tese de doutorado apresentada este ano, contemplando a uma análise de 15 anos de dados dos sobrevoos de monitoramento da espécie. A realização e continuidade deste monitoramento sistemático de longo prazo é fundamental para acompanhar a recuperação populacional da espécie no sul do Brasil.

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