Diante do alerta global emitido pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa) dos EUA, que aponta 63% de chances de o El Niño se transformar em um “super” fenômeno com potencial para se estender até 2027, a prefeitura de Florianópolis corre contra o tempo. O município anunciou um decreto de alerta climático e um pacote de ações preventivas que tem entre os pilares a blindagem das áreas de risco por meio de obras de contenção de encostas e a descentralização do socorro através de bases de apoio regionais.

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 O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), avaliou que a ideia é adotar uma conduta preventiva e reduzir possíveis efeitos do El Niño nos próximos meses. 

— Vamos investir na ampliação e manutenção das condições da rede de drenagem, fortalecer as regiões de encostas e capacitar ainda mais o pessoal da Defesa Civil para que estejamos prontos quando o fenômeno atingir seu auge, quando há mais risco de efeitos nas condições do tempo por aqui, que deve ser entre a primavera e o verão — pontuou.

O El Niño em 10 passos

O front dos morros: obras de contenção começam em julho

Com a previsão de que o inverno já registre chuvas acima da média, temporais e risco elevado de deslizamentos, a prefeitura programou para julho o início de uma força-tarefa de engenharia geotécnica. O foco está nos pontos historicamente mais vulneráveis da Capital, onde a saturação do solo provocada pelo El Niño pode ser fatal.

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Essas intervenções estruturais visam criar barreiras físicas para segurar o solo e proteger as milhares de famílias que residem nas áreas de encosta da Ilha.

As frentes de trabalho para o fortalecimento e contenção de encostas atuarão prioritariamente nas seguintes regiões:

  • Maciço do Morro da Cruz
  • Morro da Mariquinha
  • Saco dos Limões
  • Costeira do Pirajubaé
  • Saco Grande

Bases Regionais: Defesa Civil descentralizada nos bairros

Para além das obras de engenharia, a estratégia de resposta rápida da prefeitura baseia-se na criação de bases de apoio regionais. A ideia é que a população não dependa de deslocamentos longos até o Centro em momentos de crise climática.

Além da sede permanente na Avenida Mauro Ramos (Centro), a Defesa Civil mapeou e estruturou quatro bases estratégicas que serão ativadas de forma móvel conforme o avanço do El Niño. Elas servirão como ponto de referência, oferecendo água potável, banheiros, atendimento de saúde e encaminhamento socioassistencial:

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  • Norte da Ilha: Rua Intendente João Nunes Vieira 1955, Ingleses;
  • Sul da Ilha: Rodovia Dr. Antônio Luiz Moura Gonzaga 4734, Rio Tavares;
  • Leste da Ilha: Rua Crisógono Vieira da Cruz, ao lado TILAG, Lagoa da Conceição; 
  • Continente: Rua João Evangelista da Costa 827, Coloninha.

Caso a situação se agrave e exija desalojamentos, o município também estruturou uma rede de abrigos temporários com capacidade para acolher até 1.644 pessoas, distribuídos da seguinte forma:

  • Sul da Ilha: ginásio de Esportes Anísio Teixeira e Associação de Moradores do Rio Tavares;
  • Norte da ilha: ginásio da Escola Herondina Medeiros Zeferino;
  • Continente: Fundação Catarinense de Assistência Social (Fucas);
  • Centro: Centro Multiuso da Pessoa Idosa (Cemupi), o antigo Clube Doze. 

Por que o “Super El Niño” assusta?

De acordo com os dados científicos publicados pela Noaa, Pacífico Equatorial já está 0,7°C acima da média, o que chancela o início do El Niño. Se a temperatura romper a barreira dos 2,0°C de anomalia, o fenômeno entra na categoria “muito forte” (ou super).

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Historicamente, o El Niño funciona como uma barreira atmosférica que retém as frentes frias sobre o Sul do Brasil, provocando chuvas volumosas e frequentes. Especialistas apontam que o fenômeno sozinho não faz o desastre, mas ele cria o cenário perfeito para que oscilações semanais e as mudanças climáticas gerem catástrofes, como a vista no Rio Grande do Sul em 2024 — naquele ano, porém, o El Niño era considerado mais fraco.

Confira outras ações do plano de contingência:

  • Comitê de Crise: Criação de um grupo de gestão climática coordenado pela Defesa Civil, unindo órgãos municipais, estaduais, universidades e sociedade civil.
  • Macrodrenagem: Limpeza antecipada de canais na Lagoa, Carianos, Daniela, Canasvieiras, Monte Verde e Itacorubi, além de ampliação de galerias na SC-401 e novos sistemas no Córrego Grande.
  • Voluntariado: Ampliação do efetivo da Defesa Civil por meio do Curso de Voluntariado em Emergência (CVE) para garantir resposta comunitária rápida.