Um estudo internacional publicado nesta semana na revista científica Nature trouxe revelações inéditas sobre a capacidade do cérebro humano de gerar novos neurônios ao longo da vida e como esse processo falha em pacientes com Alzheimer. Utilizando uma técnica avançada chamada sequenciamento multiômico de célula única, pesquisadores analisaram mais de 355 mil núcleos de células do hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória.
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A principal descoberta do estudo Human hippocampal neurogenesis in adulthood, ageing and Alzheimer’s disease (Neurogênese hipocampal humana na idade adulta, envelhecimento e doença de Alzheimer), aponta para a existência de uma “assinatura de resiliência” no cérebro dos chamados “SuperAgers” (ou superidosos em português).
Essas pessoas, com 80 anos ou mais, possuem uma capacidade de memória ocasional equivalente ou superior à de pessoas de 50 a 59 anos. O estudo revelou que, nesses idosos, há uma preservação significativa de neurônios imaturos e redes moleculares que protegem as funções cognitivas.
O mapeamento detalhado mostrou que, enquanto no Alzheimer ocorre uma redução drástica de neuroblastos e neurônios imaturos, os “SuperAgers” apresentam um aumento de até 2,5 vezes nessas células em comparação com idosos que sofrem da doença.
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Alzheimer
Por outro lado, a pesquisa identificou alterações críticas na acessibilidade da cromatina (parte do DNA) em pessoas com Alzheimer e até mesmo naquelas em estágios pré-clínicos, quando os sintomas ainda não são visíveis. Nessas pessoas, a produção de novos neurônios a partir de células-tronco neurais está gravemente comprometida.
“Nossos resultados apontam para uma assinatura molecular multiômica do hipocampo que distingue a resiliência cognitiva da deterioração com o envelhecimento”, afirmam os autores liderados por Orly Lazarov, da Universidade de Illinois em Chicago.
Novos estudos
A confirmação da neurogênese, o nascimento de novos neurônios, em adultos humanos era um tema de disputa na ciência há décadas. Ao comprovar que esse processo ocorre e que pode ser “blindado” contra doenças, o estudo aponta ser possível investigar intervenções que visem manter a integridade das sinapses excitatórias.
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