Um prejuízo milionário e que trouxe consequências para dezenas de vítimas. Estas são as principais denúncias contra o homem suspeito de aplicar o golpe das criptomoedas em Santa Catarina. Raine Miranda Gomes Zanotto, dono de uma empresa de investimentos em Florianópolis, foi preso em março e denunciado pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. De acordo com o representante dos ex-clientes, a perda pode chegar ao montante de R$ 8 milhões. A defesa, no entanto, alega que não é possível garantir que o estabelecimento tenha cometido algum crime.

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Em vídeos, divulgados nas redes sociais, o empresário prometia que a RZ Consultoria e Assessoria ofereceria um rendimento de até 10% ao mês no investimento de criptomoedas. Um valor considerado acima do mercado.

— Se eu comprei a R$ 50 mil, e ele valorizasse a R$ 100 mil, eu ganharia 10% em cima disso — contou um dos investidores, que preferiu não se identificar, à NSC TV.

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Outra vítima conta que chegou a juntar R$ 130 mil para investir com a RZ.

— Era um pouco do dinheiro que tinha de rescisão de trabalho, e ai começou a dar certo o investimento. Após isso, peguei um empréstimo para entrar com capital, um recurso maior no investimento — diz.

Prejuízo milionário

De acordo com o advogado Felipe Américo, que representa as vítimas, quando começaram as reclamações dos atrasos, o suspeito alegou que os recursos dos cripoativos estavam bloqueados. Ele explica que a empresa possuía clientes em ao menos três estados e até fora do país.

— Existe um prejuízo milionários, de ao menos 50 pessoas, que totalizam aproximadamente R$ 8 milhões em investimentos na empresa — explica.

Uma das vítimas informou que, após a polícia receber uma série de denúncias contra o Raine, o empresário começou a apresentar justificativas aos clientes.

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— Uma sucessão de mentiras, dizendo que estava doente, que tinha ido para o hospital, que tinha passado mal. Assim, ele falou para vários clientes — relata.

Outra vítima conta que, enquanto tentava recuperar o dinheiro investido, a mulher passou por um tratamento de câncer, o que dificultou ainda mais a vida do investidor.

— A gente vendeu casa, vendeu carro, foi à falência bem dizer. Eu me sinto roubado, eu me sinto envergonhado ao mesmo tempo por ter feito isso, de acreditar numa coisa que a gente escuta tanto. Eu me sinto transtornado — desabafa.

Prática pode ser considerada pirâmide financeira

Conforme o economista Lorenzo Frazzon, o mercado das criptomoedas tem sido usado com frequência para enganar os investidores. Mas, apesar de ser uma área nova, os golpistas tem aplicado uma prática que já é antiga: a pirâmide financeira.

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— O dinheiro dos novos investidores paga o retorno dos antigos e, no momento que todo mundo quiser recuperar o seu, a empresa que promete [o retorno] não vai ter isso para pagar. Aí que cai a pirâmide — pontua.

Na pirâmide financeira, os primeiros investidores chegam a receber, no início, o valor prometido pela empresa, o que os motiva a convidar outras pessoas a investir. Porém, em determinado momento, a capacidade de atração de novos investidores atinge um limite, o que faz o pagamento atrasar. Sem o dinheiro dos novos investidores, não existem rendimentos a serem devolvidos aos antigos.

Por ser um modelo insustentável, a pirâmide financeira é considerada crime.

Investigações continuam

Raine Miranda Gomes Zanotto foi preso em 15 de março durante a Operação Faraó, que faz referência das pirâmides. Conforme a investigação, entre 2021 e 2022, foram movimentados cerca de R$ 6 milhões.

— O principal objetivo da investigação agora é tentar minimizar os danos relacionados aos investidores e tentar recuperar uma parte e até a totalidade dos valores para o ressarcimento dessas vítimas — pontua o delegado Paulo Hakim.

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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou uma ação penal contra o homem pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Segundo a promotoria, ele teria se apropriado indevidamente de valores aplicados por vítimas do esquema.

De acordo com Fabiano Zoldan, que defende o empresário da RZ Consultoria e Assessoria, não é possível atribuir a autoria desses crimes a empresa.

— A defesa teve acesso aos autos e está fazendo um estudo aprofundado dessas acusações. Mas, de antemão, pode afirmar que não se pode responsabilizar a empresa RZ como autora desses delitos, vez que a empresa era uma simples representante comercial e ela não operava esses valores, muito embora a materialidade. Houve pessoas que investiram valores, mas nós não podemos atribuir a autoria desses crimes a empresa RZ — disse a defesa à NSC TV.

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