Um túnel escavado por animais pré-históricos e com quase 26 metros de extensão ganhou nome em Lauro Müller, no Sul de Santa Catarina. A estrutura, identificada por pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), foi denominada paleotoca Amaral de Baixo após estudos mais detalhados.

Continua depois da publicidade

A cavidade tem 25,9 metros de comprimento e apresenta uma ramificação. O formato arredondado e as marcas de garras nas paredes indicam que o túnel foi escavado por mamíferos extintos, possivelmente tatus de grande porte, durante o Período Quaternário, que abrange os últimos 2,5 milhões de anos.

Segundo os pesquisadores, as paleotocas funcionavam como abrigo contra predadores e variações climáticas. Hoje, esses vestígios são considerados importantes registros da presença de animais que habitaram a região no passado.

A identificação em Lauro Müller amplia o conhecimento sobre a distribuição desses vestígios em Santa Catarina. Até então, registros semelhantes estavam concentrados principalmente em outras regiões do estado, como o Vale do Itajaí, o Planalto Serrano e parte do Sul catarinense.

Fundo do túnel da paleotoca mostra marcas de garras deixadas pelos escavadores, possivelmente tatus pré-históricos (Foto: BioGeo, Udesc, Reprodução)

Túnel pré-histórico faz revelação sobre a megafauna na região

De acordo com o coordenador do estudo, professor Jairo Valdati, o túnel pré-histórico encontrado indica que esses animais ocuparam áreas mais amplas do que se imaginava:

Continua depois da publicidade

— Encontrar novos registros é fundamental para entender melhor a distribuição desses vestígios no território.

Os dados coletados devem ser apresentados em um evento científico em outubro, no Rio Grande do Sul. Entre as próximas etapas da pesquisa está o uso de tecnologia Lidar para criar modelos tridimensionais da paleotoca e aprofundar a análise da estrutura.

A estrutura foi localizada durante uma escavação para o alargamento de uma estrada na propriedade de Simone Cattaneo Betti, que acreditou ter encontrado, no túnel pré-histórico, o caminho para um tesouro.
O local é cercado por histórias curiosas da região. Simone contou a história ao Jornal do Almoço.

Lenda do cemitério do russo

Em Lauro Müller, há uma lenda antiga de que uma família russa rica vivia no local. A história afirma que todos os membros morreram devido a uma doença. Eles foram enterrados no local que ficou conhecido como “cemitério do russo”, ao lado da casa de Betti.

Continua depois da publicidade

— Dizem que cada família foi enterrada com todos os seus pertences. Quando descobrimos que tinha esse buraco, pensamos que o tesouro estava ali, era só pegar e seguir o caminho — relatou. Apesar da confirmação de que o local foi escavado por animais, Simone ainda acredita que o espaço possa, sim, ter sido usado para armazenar itens.

— Depois vieram os indígenas, os escravizados e os russos, né? Então eles poderiam ter usado essa toca para guardar muitas coisas — afirmou, rindo.

Outra moradora da região também relembrou histórias antigas sobre o local, conhecido como cavernas usadas por indígenas:

“Esse mistério nunca foi desvendado, uns falavam que guardavam ouro, outros que era moradia dos indígenas. O cemitério existia, a gente ia lá ver e tinha cruzes pequenas de ferro enferrujado”, escreveu.

Continua depois da publicidade