Uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), nesta quarta-feira (27), pode destravar ou comprometer o plano de recuperação financeira dos Correios. A Corte analisa a legalidade do aval concedido pelo Tesouro Nacional a um empréstimo de R$ 12 bilhões da estatal, julgamento que também pode influenciar uma nova captação de R$ 8 bilhões prevista para financiar a reestruturação da empresa.

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O peso do rombo bilionário

O processo acompanha as condições do empréstimo, riscos fiscais da operação e a capacidade de pagamento da empresa. A avaliação do tribunal é vista internamente como decisiva para definir se os Correios conseguirão avançar com novas negociações junto aos bancos credores.

As contas da estatal voltaram a deteriorar nos últimos anos. Depois de registrar lucro de R$ 3 bilhões em 2021, os Correios passaram a acumular deficits consecutivos. R$ 767 milhões em 2022, R$ 633 milhões em 2023 e R$ 2,6 bilhões em 2024.

Em documentos enviados ao TCU, a empresa informou que o prejuízo acumulado em 2025 chegou a R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre.

Entre os fatores apontados pela direção da estatal está a queda no volume de encomendas internacionais após a tributação de compras de até US$ 50 no programa Remessa Conforme.

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Segundo os relatórios anexados ao processo, houve retração em cerca de 60% nas entregas internacionais, segmento considerado um dos mais rentáveis para os Correios.

Guerra das entregas: o avanço das rivais e o desafio da eficiência digital

O balanço também reflete o aumento de despesas operacionais e passivos históricos. A estatal reconheceu uma dívida de R$ 7,6 bilhões ligada ao Postalis, fundo de pensão dos funcionários, além da elevação de custos com acordos trabalhistas e benefícios internos.

A concorrência com empresas privadas ampliou a pressão sobre as receitas. Enquanto grupos como Mercado Livre, Amazon, Loggi e Jadlog expandiram estruturas próprias de distribuição, os Correios seguem submetidos às regras de contratação pública e à obrigação de manter atendimento em regiões sem retorno financeiro.

Dados da estatal indicam a existência de cerca de mil agências deficitárias mantidas para assegurar a cobertura postal nacional.

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Proposta de reestruturação mira até 15 mil demissões

O empréstimo analisado pelo TCU faz parte de um plano inicialmente desenhado para captar R$ 20 bilhões com garantia da União. O Tesouro Nacional autorizou o aval limitado a R$ 12 bilhões, citando restrições fiscais e metas do resultado primário.

A operação foi estruturada com participação de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander, sob juros equivalentes a 115% do CDI, prazo de 15 anos e carência de três anos.

A relatoria está com o ministro Benjamin Zymler. O Ministério Público junto ao TCU questiona se as condições financeiras da operação são compatíveis com a situação da estatal e alerta para o risco de o Tesouro precisar cobrir parcelas da dívida caso a empresa não consiga gerar caixa suficiente.

O plano de recuperação dos Correios prevê retorno ao equilíbrio financeiro até o fim de 2026 e retomada do lucro em 2027.

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Entre as medidas em estudo estão a venda de imóveis, fechamento de agências deficitárias e programas de desligamento voluntário. Documentos internos projetam a possibilidade de redução de até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027.

*Com edição de Nicoly Souza