O transporte por aplicativo em Santa Catarina tem atraído locadoras de carros com foco específico nos motoristas que rodam para as plataformas e até mesmo “aluguéis informais” de automóveis para esses condutores. Nesses formatos, quem busca uma renda por meio das corridas pelos apps em geral costuma pagar um valor de caução e mais uma quantia semanal de locação para a empresa ou o proprietário do veículo.
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O vice-presidente da Associação Brasileira de Locações de Automóveis (ABLA), Paulo Miguel Júnior, afirma que após a pandemia houve crescimento grande de motoristas de aplicativo optando por aluguel de carros. Esse segmento hoje responde por volta de 18% de todo o mercado de locação de veículos no país, mas ainda assim não é explorado por todas as empresas do segmento.
Veja fotos de carros alugados em SC
— Não é uma prática comum em todas as locadoras, são locadoras mais específicas que lidam com esse mercado porque é um ramo que a gente considera um pouco “nervoso”. São carros que rodam muitos quilômetros por mês, então sai um pouco da rotina e da precificação normal da locadora — explica.
Em razão disso, a atividade virou alvo de locadoras focadas nesse segmento, que adotam outros valores e um controle maior sobre questões como multas de trânsito e danos aos veículos. Segundo os números da associação nacional, SC tinha 699 empresas de locação de carros até 2024, número que cresceu 165% desde 2020. Conforme a entidade, o número foi impulsionado em grande parte por empresas que saíram da informalidade.
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Quando analisados somente os carros alugados para motoristas de aplicativo, o número teve um salto de 76% nos últimos três anos no Brasil, passando de 170 mil em 2021 para mais de 300 mil até o segundo semestre do ano passado.
A reportagem identificou ao menos três locadoras de SC que oferecem aluguel de carros para motoristas de aplicativo. Todas tinham Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) com a locação de carros entre as atividades econômicas, segundo a Receita Federal.
Em geral, as empresas priorizam os contatos por meio de WhatsApp. Um catálogo é oferecido com algumas opções de modelos de carros, com no máximo dois anos de fabricação. Algumas regras costumam ser explicadas logo nas primeiras mensagens aos interessados, como período mínimo de 90 dias de contrato, exigência de um valor de caução de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil para a retirada do veículo e limite de até 8 mil quilômetros rodados por mês — mais do que as locadoras tradicionais costumam permitir. O valor semanal para o aluguel nos contatos feitos fica entre R$ 600 e R$ 750.
Empresário apostou no aluguel para motoristas de app
O empresário Duany Alves Müller, sócio-proprietário de uma empresa que atua em cidades como Blumenau, Jaraguá do Sul e Joinville, conta que trabalhava como vigilante quando precisou comprar um carro próprio para a família, em 2019. Preocupado com o peso das parcelas no orçamento, decidiu comprar dois carros e colocar um para locação a motoristas de app para pagar as prestações dos veículos. A ideia deu certo e começou a render frutos que permitiram a compra de novos carros.
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O aumento do negócio fez com que ele precisasse abrir formalmente uma locadora de veículos para atuar de modo formal. Atualmente, Duany tem uma frota com 124 carros, sendo 80 deles de parceiros que adquirem o veículo e oferecem para que ele faça a gestão de locações a motoristas de app. Somente três clientes não atuam com transporte de aplicativo. Há dois anos o empresário e a esposa passaram a viver somente desta atividade.
— Para o motorista, é vantajoso porque ele não precisa gastar com nada de manutenção do carro, que fica com a locadora, e nem tem a depreciação do veículo, que é grande porque a quilometragem percorrida costuma ser alta — afirma, ressaltando que a oportunidade costuma ajudar motoristas que não têm crédito.
Atualmente, além do aluguel para motoristas de aplicativo, o setor de locação de veículos se divide entre o de frota terceirizada, locação diária e o modelo de carro por assinatura.
Motoristas que recorrem a mercado informal
Apesar do crescimento de locadoras de carros e do foco de algumas delas na demanda de motoristas de aplicativo, outra prática que também cresce é o chamado “aluguel informal” de veículos para esta atividade. Em geral, isso ocorre quando o condutor aluga o carro diretamente com o dono ou com pessoas com pequenas frotas que cedem para uso também mediante pagamento de aluguel semanal.
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O vice-presidente da Associação Nacional das Locadoras explica que essa prática também tem crescido. Essa informalidade, no entanto, possui muitos riscos, conforme lembra o dirigente.
— O aluguel de carro parece um negócio simples, mas tem muita consequência por trás, principalmente na parte de responsabilidade civil. Então, quando você entrega seu carro sem nenhum contrato formal, sem nenhuma lógica de negócio de locação, você está entregando o seu nome, o seu CPF a muitos riscos. Não só de débitos, de multa e pontuação em carteira, mas também na responsabilidade civil, que você vai responder pessoalmente por qualquer dano que o motorista venha a causar — explica.
Nesse tipo de locação, o próprio motorista também fica exposto a riscos. O presidente do Sindicato das Locadoras de Veículos de SC, Eduardo Guedes, afirma que entre as orientações da entidade estão a exigência do seguro para o carro.
— O usuário corre o risco de o carro ser clonado, em caso de acidente, ele não tem assistência médica, se precisar. No fim, é o barato que sai caro — afirma.
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O presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de Santa Catarina (Amasc), Allan Puga, estima que atualmente entre 40% e 50% dos motoristas do Estado cadastrados na entidade rodam com carros alugados. Segundo ele, uma parte aluga com empresas formais, que envolvem desde as gigantes deste ramo em parcerias com plataformas como a Uber, com desconto do aluguel semanal diretamente do valor das corridas, até frotistas menores ou mesmo aluguéis informais com proprietários de carros.
— O problema maior que conseguimos verificar conversando com alguns dos motoristas é o fato de estarem com o nome negativado. Daí, acabam alugando nesse mercado “informal”, com pessoas que têm um, dois, três, quatro veículos e acabam alugando. Eles pedem um valor de caução para garantia, mantêm rastreadores nos carros e ficam de olho mais em cima — explica o motorista.
Entre os pontos de atenção recomendados por dirigentes do setor a motoristas estão a exigência de registro da empresa como locadora de veículos, de um contrato formal e de seguro sobre o veículo, para evitar riscos.
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