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Segundo turno

UFSC escolhe o próximo reitor nesta quarta-feira

Professores Irineu de Souza e Ubaldo Balthazar foram os mais votados na primeira votação feota no final de março

10/04/2018 - 17h43 - Atualizada em: 10/04/2018 - 17h45

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Por Redação NSC
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O nome de quem vai ficar à frente da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pelos próximos quatro anos será definido em votação hoje. Irineu de Souza, professor e diretor do Centro Sócio-Econômico, e Ubaldo Balthazar, atual reitor temporário da instituição e diretor do Centro de Ciências Jurídicas, foram os dois candidatos mais votados no primeiro turno da consulta à comunidade universitária em 28 de março. Agora disputam o segundo turno do pleito.

Aproximadamente 40 mil pessoas, entre estudantes, professores e técnicos-administrativos, estão aptas a votar. Novamente, assim como ocorreu no primeiro turno, serão usadas 64 urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina. Os equipamentos estarão à disposição da comunidade acadêmica e docente das 8h às 21h no campus da Trindade e no Centro de Ciências Agrárias, em Florianópolis, e nos polos de Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville.

O presidente da comissão eleitoral montada pela universidade, Paulo Rizzo, explica que neste pleito haverá uma mudança em um dos locais de votação.

— No primeiro turno, tivemos uma urna extra na reitoria para quase 200 estudantes de pós-graduação que, por uma falha, não constavam das listas. Agora, estão incluídos nas seções eleitorais das unidades acadêmicas de seus respectivos cursos – explica.

Além disso, Rizzo detalha que foi criada uma seção específica em Curitibanos para os estudantes do curso de Medicina Veterinária, na unidade Cedup, onde estudam. A medida foi tomada para que não precisassem ir até o campus onde votam os demais, que fica a 7 quilômetros.

Na semana passada, quando faltavam poucos dias para a votação, os dois candidatos participaram de um debate promovido pelo curso de Jornalismo da própria universidade, transmitido pela TV UFSC. Na ocasião, além de poderem fazer perguntas entre si, Irineu e Ubaldo também responderam aos questionamentos dos estudantes, de representantes dos veículos de comunicação da universidade e também da comunidade universitária.

Participação no primeiro turno foi de 36,7%

O primeiro turno foi concorrido por três nomes, além de Irineu e Ubaldo, o professor Edson de Pieri disputou o voto de aproximadamente 40 mil pessoas, entre alunos, professores e técnicos-administrativos. Por fim, Irineu conquistou a maioria dos votos: 5.434, ou 34% do total, sendo a maior parte vindos de estudantes.

Ubaldo ficou em segundo lugar, recebeu 4.655 votos, 33,7% do total, segundo lugar entre os professores e servidores. De Pieri teve a confiança de 4.507 pessoas, 30,6% dos votos. Ao todo, 14,7 mil pessoas votaram, o que equivale a 36,7% da comunidade acadêmica e docente da universidade.

As eleições na UFSC, que ocorreram pela última vez em novembro de 2015, precisaram ser antecipadas neste ano, depois do suicídio do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, em 2 de outubro do ano passado, dias após a operação Ouvidos Moucos ter sido deflagrada na instituição pela Polícia Federal. Na época, Balthazar acabou assumindo a função pois a vice-reitora Alacoque Erdmann se afastou do cargo por motivos pessoais dias depois do incidente com Cancellier.

Mesmo após o resultado da votação na próxima quarta-feira, ainda não há uma data para que o novo reitor tome posse, já que a UFSC depende de burocracias e trâmites relacionados ao Ministério da Educação (MEC).

Prof. Irineu de Souza
Prof. Irineu de Souza
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"Nosso diferencial será a gestão democrática e participativa", diz Irineu de Souza

Irineu de Souza é doutor em Gestão do Conhecimento. Aos 62 anos, 43 deles na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi aluno e técnico antes de ser professor e diretor do Centro Sócio-Econômico.

Já esperava estar concorrendo no segundo turno?

Esperávamos, de fato, pelo trabalho que foi realizado, a forma como as propostas foram construídas. Foram meses trabalhando, desde dezembro, não tiramos férias. Ficamos em primeiro lugar com cerca de mil votos de diferença com relação ao segundo colocado. É a comunidade universitária pedindo a mudança, pois 70% se manifestaram contra a proposta da atual reitoria. A universidade está precisando, é um momento difícil e a nossa candidatura tem, realmente, condições de tirar a universidade da situação em que se encontra para que os professores voltem a trabalhar com tranquilidade, a pesquisar, fazer extensão e ensinar, os técnicos-administrativos desempenhem suas atividades e os alunos estudem com tranquilidade.

Tem feito algo diferente na campanha para o 2º turno?

Temos nossa proposta, que foi muito debatida pela comunidade universitária. Estamos agora fazendo um trabalho mais intenso. No primeiro turno, não conseguimos atender todos os setores, passar em todas as salas de aula. Estamos completando esses espaços e vamos ter a possibilidade de construir um número bem mais expressivo de votos.

O que o senhor pretende fazer, se eleito, para trazer mais transparência para a UFSC?

A reitoria atual faltou com a transparência e a deve à sociedade em toda a situação que ocorreu. Nós temos ações que serão colocadas em prática, um sistema de controle interno no qual ficarão claros os recursos que chegam à universidade e como são aplicados. Com as políticas que estamos discutindo a sociedade terá acesso a todas as informações.

Como o senhor pretende lidar com os desdobramentos da Operação Ouvidos Moucos?

Essa é a única candidatura que tem de fato condições de chamar todo esse pessoal da operação, Polícia Federal, Ministério Público, e dizer que a universidade quer trabalhar em paz, precisa desenvolver as atividades acadêmicas. Vamos colocar à disposição desses organismos o que eles necessitarem e pedir que esse assunto seja resolvido com a maior brevidade possível, por que está inibindo a academia. Vamos dar a transparência, as informações e os elementos necessários para que essa operação seja concluída. Está demorando muito e a nós não interesse essa demora. Não podemos deixar que a nossa universidade, de certa forma, seja inibida e fragilizada junto à sociedade.

Caso eleito, qual será o diferencial de seu mandato?

Transparência e gestão democrática e participativa. Vamos também colocar em prática a autonomia universitária. Estamos firmes nesse propósito, de resgatar a autonomia da universidade, nos posicionar sempre que os governos extrapolam suas funções e, de certa forma, inibem a universidade, como aconteceu em 2017, quando o governo proibiu o concurso público, e a universidade tinha condição de fazer, tinha o decreto que possibilitava, e as universidades não se posicionaram. Vamos nos posicionar sempre que o governo comete alguma arbitrariedade à autonomia universitária?

O senhor foi um dos mais votados entre os alunos, mas como o senhor pretende conquistar mais votos dos professores?

Ganhamos, na verdade, entre os estudantes. Também dos técnicos-administrativos tivemos uma votação expressiva. Dos docentes foi também uma excelente votação. Mas na comunidade universitária, a maioria dos docentes se posicionou contra a reitoria atual. Temos certeza que estarão conosco.

Prof. Ubaldo Balthazar
Prof. Ubaldo Balthazar
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“Política transparente dentro das limitações orçamentárias”, diz Ubaldo Balthazar

Ubaldo Balthazar é advogado, doutor em Direito, decano do Conselho Universitário, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e reitor pro tempore (temporário) desde outubro. Tem 65 anos, 40 deles atuando

na UFSC.

O senhor esperava estar concorrendo no segundo turno?

Esperava estar no segundo turno, assim como espero ganhar esta eleição.

Tem algo que está fazendo diferente ao longo da campanha para o 2º turno?

Em princípio, segue a mesma linha, com visitas a todos os setores da universidade, salas de aula, fazer contato, repetir o que venho dizendo, que queremos quatro anos para trabalhar por uma universidade pública autônoma, com uma política de transparência dentro das limitações orçamentárias, que todos conhecem, já está até virando chavão. Mas eu estou lá como reitor pro tempore (temporário) há cinco meses e estou vendo a situação precária das finanças da universidade. Eu diria que vamos até terça-feira à noite continuar no ritmo de trabalho que a gente vem imprimido, que é cansativo, mas vale a pena porque nós estamos conhecendo a universidade, levando a todos os setores da universidade as nossas propostas.

O que o senhor pretende fazer, se eleito, para trazer mais transparência para a UFSC?

Essa é uma questão que vem sendo muito discutida. O meu opositor vem marcando muito, falando que não há transparência nas decisões da UFSC, dos órgãos centrais e administração central. O que eu posso dizer é que nós temos, inclusive, um portal da transparência na universidade. Isso decorre de lei, inclusive, não é questão de querer ou não ser transparente. Se você hoje entrar no nosso portal, você terá acesso a todas as nossas ações, tudo o que vem sendo feito, onde o dinheiro vem sendo aplicado, isso nós já temos. O que queremos é aperfeiçoar ainda mais esse sistema para que todos, a partir de qualquer veículo ou plataforma, possam ter acesso a tudo o que é feito na universidade.

Se eleito, como o senhor pretende lidar com os desdobramentos da Operação Ouvidos Moucos?

A Operação Ouvidos Moucos, por enquanto, não trouxe respostas. Temos que tomar algumas decisões, já obtivemos a aprovação do conselho pleno da Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina para acompanhar o processo de investigação, já tomamos decisão sobre a questão do corregedor-geral e vamos continuar acompanhando, na medida do possível. Até porque ainda é considerada uma investigação que corre em segredo de justiça.

Caso eleito, qual será o diferencial de seu mandato?

Eu diria que é principalmente a questão do diálogo. Tenho uma capacidade de ouvir infinita, não me preocupo com isso. Meu diferencial vão ser decisões tomadas a partir das conversas e discussões das partes interessadas. Por isso venho dizendo que não estou prometendo nada. Não quero prometer. Não é uma campanha de promessas, até porque o candidato que muito promete é leviano.

O senhor foi o segundo mais votado entre os professores e técnicos. O que fazer para conquistar mais votos dos alunos no segundo turno?

Estamos trabalhando, e trabalhando bastante, visitando salas de aula, indo para o Restaurante Universitário, para mostrar para os estudantes as nossas propostas para que eles se motivem e venham votar. Agora, nós temos trabalhado também muito o apoio da chapa do professor De Pieri (terceiro colocado no primeiro turno) e temos tido uma receptividade muito grande nesse sentido. Para quem votou nele, que abrace a nossa campanha.

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