Quem gosta de admirar o céu noturno certamente já viu um ponto avermelhado se destacando próximo às chamadas Três Marias. A coloração diferente e o forte brilho chamam a atenção e, por vezes, nos faz questionar se é um astro ou qualquer outro objeto. Mas trata-se de Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes que podemos enxergar. Apesar de bela, ela representa um verdadeiro drama cósmico: está prestes a explodir.

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Betelgeuse está na constelação de Orion e, em algumas culturas, é chamada de Rubi ou Joia Cintilante devido a cor. É uma supergigante vermelha, 1400 vezes maior e 20 vezes mais pesada do que o nosso Sol. Para efeito de comparação, se estivesse no centro do Sistema Solar, Betelgeuse engoliria naturalmente tudo o que existe entre a estrela e o planeta Júpiter.

O tamanho e o peso é quase que uma sentença de morte para a Joia Cintilante da constelação de Orion. De forma resumida, podemos dizer que quanto maior e mais pesada for uma estrela, mais curta é a vida dela. Isso explica o fato que Betelgeuse, apesar de ser bem mais jovem que o Sol, vai explodir muito antes do que a nossa Estrela-Mãe.

Alarme falso

Os cientistas já sabem há algum tempo que Betelgeuse está com os dias contados. Mas, entre o final de 2019 e o início de 2020, essa supergigante vermelha deu um susto nos astrônomos. Uma grande variação de brilho fez com que alguns pesquisadores acreditassem que a Supernova (explosão) estava acontecendo.

Mas não passou de um alarme falso. Betelgeuse expeliu uma imensa bolha de plasma que se resfriou, transformando-se em uma nuvem de poeira que bloqueou a luz que vinha na direção da Terra. Isso fez com que cerca de 60% do brilho da supergigante vermelha fosse perdido de forma súbita. Alguns meses depois, ela voltou a se destacar como uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno.

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Vai explodir em breve

A vida de Betelgeuse é curta. É relativamente nova, tem idade estimada em 10 milhões de anos (o Sol tem 4,5 bilhões), mas está prestes a explodir. A qualquer momento, a Joia Cintilante, destaque na constelação de Orion, vai deixar de existir.

Ainda não se pode prever com precisão quando a explosão, chamada de supernova, vai acontecer. Cientistas acreditam que pode ser em um intervalo relativamente grande de tempo – pode ser a qualquer momento ou daqui a algumas centenas de milhares de anos.

O que se sabe é que a Betelgeuse já está na fase final da vida. Já consumiu todo o hidrogênio do núcleo e está fundindo metais mais pesados. Esse é um dos últimos estágios antes da supernova. O “aviso final” será quando ela começar a produzir ferro no núcleo – com isso, não terá mais energia para sustentar o peso das camadas externas. A estrela colapsa sobre si mesma em frações de segundos e explode.

Espetáculo seguro no céu

Caso a humanidade atual ainda exista quando a explosão da Betelgeuse acontecer, veremos um verdadeiro espetáculo no céu noturno. A supernova vai gerar um brilho tão intenso que enxergaremos no céu, mesmo durante o dia, uma grande bola de fogo e com mais alguns efeitos visuais. Seria uma espécie de segundo Sol, mas que brilharia ainda mais durante a noite.

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A explosão é violenta, mas não representa perigo. Betelgeuse está a 640 anos-luz de distância da Terra e, por maior que seja, não tem massa nem energia suficientes para que os detritos e a radiação sequer cheguem perto do nosso planeta. Mas a supernova vai gerar um lindo espetáculo que, com “sorte”, poderemos contemplar.

Já vimos estrelas explodirem

Nosso planeta com certeza já foi contemplado com algumas supernovas, mas a humanidade guardou poucos acontecimentos. Nos últimos dois mil anos, astrônomos antigos, medievais e modernos registraram apenas oito explosões de estrelas.

A última supernova que a humanidade conseguiu observar a olho nu foi a SN 1987A, em fevereiro de 1987. Embora tenha sido a mais recente, ela tecnicamente não aconteceu dentro da nossa Via Láctea, mas sim em uma galáxia satélite vizinha chamada Grande Nuvem de Magalhães (a cerca de 168.000 anos-luz de nós). Mesmo estando fora da nossa galáxia, ela foi brilhante o suficiente para ser vista sem telescópios, especialmente no Hemisfério Sul.

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Outro detalhe que é importante ressaltar: se a Betelgeuse explodir agora, continuaremos vendo aquele pontinho vermelho e brilhante no céu por um bom tempo. Só veríamos a supernova daqui a 640 anos.

Ou, se vermos a supernova acontecer agora, significa que Betelgeuse explodiu há 640 anos – em 1386.