As 31 famílias que compõem o Quilombo Vidal Martins, a única comunidade a ter seu território assim reconhecido em Florianópolis, na região Norte da Ilha de Santa Catarina, recebeu nesta quarta-feira (9) a visita dos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para a primeira edição do Censo Demográfico a levantar as características de quilombolas no país.

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Tataraneta do homem que dá nome ao quilombo, a moradora Helena Vidal de Oliveira, de 40 anos, diz que a pesquisa do IBGE é mais uma conquista na história do local.

— O Censo dá visibilidade para as comunidades. Tentam sempre esconder as comunidades, mas isso é uma forma de mostrar que a comunidade está aqui, quantos são, como as pessoas são e a maneira que elas se organizam. É fundamental e foi uma luta muito grande para acontecer — afirma.

Shirlein Vidal de Oliveira, de 42 anos, foi outra moradora que respondeu ao questionário do Censo. Segundo ela, cujo o sobrenome Vidal não é à toa, as indagações foram fáceis e rápidas.

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— Correu tudo bem — resumiu Shirlein, após responder a 77 perguntas.

Conforme o IBGE, uma das perguntas feitas aos moradores é “Você se considera quilombola?”. Em caso afirmativo, o recenseador pede o nome da comunidade.

Até o terceiro balanço do Censo, divulgado em 31 de outubro, 2.294 catarinenses se autodeclararam quilombolas. Esse dado equivale a 0,23% dos 1 milhão de quilombolas recenseados no país.

Guilherme de Barros Coelho, superintendente adjunto do Censo 2022, explica que essa é a “primeira pesquisa oficial em âmbito nacional que irá retratar a realidade das comunidades quilombolas”. A partir disso, será possível identificar as condições demográficas desta população.

Além do espaço localizado no bairro Rio Vermelho, outros cinco territórios oficialmente delimitados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e institutos estaduais de terra também respondem à pesquisa em Santa Catarina.

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180 anos de luta

Constituído de famílias descendentes de escravizados, o quilombo tem mais de 180 anos. Apesar disso, apenas em 2013, foi expedida, pela Fundação Cultural Palmares, a certidão de autorreconhecimento quilombola. O documento é um pré-requisito.

Em 2018, com a demora para o reconhecimento, o MPF ajuizou ação civil pública pedindo que o Incra definisse um cronograma de conclusão do procedimento administrativo.

Quatro anos depois, em 21 de junho de 2022, o Incra publicou no Diário Oficial da União a portaria que declarou como terra quilombola a Comunidade Vidal Martins.

Aos 69 anos, Odílio Martins é um dos moradores mais antigos do quilombo. Chegou a morar na comunidade quando pequeno e diz se lembrar de ajudar os pais no cultivo da terra.

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Depois de viver anos longe do espaço, voltou à comunidade pouco antes da publicação de reconhecimento pelo Incra.

— [É uma terra de] história triste, bota triste nisso, mas de muita resistência. Isso toda a vida foi nosso. A gente andava por tudo aqui — relembra.

Comunidades quilombolas em Santa Catarina

  • Morro do Boi, em Balneário Camboriú
  • Invernada dos Negros, em Abdon Batista e Campos Novos
  • Campo dos Poli, em Monte Carlo
  • São Roque, em Praia Grande
  • Família Thomaz, em Treze de Maio

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