Única mulher pré-candidata à Presidência da República, Samara Martins (UP) cobrou mais espaço para presença feminina na política.

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Em entrevista ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, Samara Martins admitiu que o fato de ser a única pré-candidata mulher à Presidência anunciada até o momento acaba sendo um “diferencial” para ela, apesar da baixa representatividade das mulheres nesta disputa.

— Infelizmente, é um “diferencial”, porque mesmo a gente sendo maioria, mesmo estando em um momento de conjuntura em que a violência contra a mulher é gigante, a gente vivendo uma epidemia de feminicídio, de violência contra a mulher, que a cada seis minutos uma mulher é estuprada, ter uma única pré-candidata a presidente é algo muito ruim. Porque as mulheres deveriam estar nos espaços de poder e de decisão, por viverem essas mazelas da sociedade capitalista. Mas [também] acaba sendo um espaço para a gente apresentar nossa pré-candidatura, porque muitos jornais, podcasts têm nos chamado por sermos a única mulher pré-candidata a presidente — explica.

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Samara alertou também que o ambiente da política e o acúmulo de tarefas imposto às mulheres no atual contexto social também contribuem para afastar o público feminino da participação direta na política.

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— Quando a gente discute agora redução da jornada de trabalho, e tem setores mais à direita defendendo até 52 horas de trabalho [semanal], nós, mulheres, já temos mais de 60 horas semanais trabalhadas, quando você soma o trabalho convencional e o trabalho doméstico. É um espaço hoje para a gente apresentar, mas deveríamos ter muito mais mulheres nesses espaços políticos. Por conta da violência, inclusive política, acaba que as mulheres não entendem esse lugar como seu — avalia.

Na entrevista, a pré-candidata também defendeu pautas de esquerda como a suspensão do pagamento da dívida pública e a reforma agrária.

Assista à íntegra do podcast

Samara Martins, 38 anos, é dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), nasceu em Minas Gerais, mas mora no Rio Grande do Norte. Ela foi pré-candidata a vice-presidente nas eleições de 2022, em chapa liderada por Léo Péricles (UP), e este ano pretende concorrer pela primeira vez na cabeça de chapa.