Os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ficam no limite em um cenário de baixa cobertura vacinal contra a influenza em Joinville. Na tarde desta segunda-feira (4), a taxa de ocupação dos leitos chegou a 95,5% na região Norte de SC, enquanto apenas 25,9% dos grupos prioritários receberam alguma dose da vacina contra a Influenza.
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De acordo com o critério de regiões adotado pela Secretaria de Saúde, a região do Planalto Norte e Nordeste do Estado, de 291 leitos ativos, para atender uma população de mais de 1,4 milhão de habitantes, tem apenas 13 disponíveis.
Ocupação de leitos de UTI está em 95,5% no Norte de SC
Ao mesmo tempo, a taxa de vacinação acende um alerta na maior cidade de Santa Catarina. Ao todo, 57.564 doses da vacina contra a gripe foram aplicadas na população neste ano. Destas, 38.525 doses foram destinadas aos grupos prioritários, o que representa uma cobertura de 25,9% em Joinville.
Para as autoridades, a situação surge como um alerta, já que os pacientes do grupo de risco são mais suscetíveis a desenvolver formas mais graves da doença, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente com a chegada do inverno.
Estratégias para avançar a vacinação
O cenário de preocupação levou a prefeitura de Joinville a adotar algumas estratégias para impulsionar a vacinação na cidade. Além da disponibilidade de vacinas durante a semana em Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) e na Sala de Vacina Central, estão em andamento ações para vacinar as pessoas com maior risco de desenvolver formas mais graves da doença.
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Durante todo o mês de abril, a Secretaria da Saúde mobilizou equipes para vacinar idosos acamados e que moram em Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs). Os idosos são o grupo prioritário com a maior cobertura vacinal em Joinville até o momento, com 27,4% de cobertura e mais de 27 mil vacinados. A ação já percorreu 52 ILPIs.
— Nesta época do ano, há um crescimento natural da procura dos serviços de saúde devido aos sintomas gripais. Sem a vacina, o risco destes sintomas evoluírem para casos graves é ainda maior. A estratégia de ampliar a cobertura vacinal em crianças é necessária para evitar quadros de bronquiolite ou pneumonia viral, por exemplo, complicações típicas da gripe — afirma a diretora de Vigilâncias da Secretaria da Saúde de Joinville, Maria Cristina Willemann.
No mês de maio, a Saúde também vai reforçar as ações de vacinação aos finais de semana e em locais de grande circulação da população, como shoppings, eventos e terminais de ônibus.
Pressão no sistema de saúde?
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), os hospitais de SC são referência em alta complexidade e já operam com uma taxa de ocupação historicamente elevada, acima de 80%, devido à demanda por procedimentos especializados e atendimentos emergenciais.
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“Até o momento, não há indicação de pressão assistencial relacionada à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na região Nordeste de Santa Catarina. A Secretaria de Estado da Saúde segue monitorando os dados de notificação e, ao analisar os registros até 25 de abril de 2026, observa-se redução no número de casos em comparação ao mesmo período do ano anterior”, afirma a pasta.
Segundo os dados da SES, em 2025, foram notificados 217 casos de SRAG, enquanto em 2026 o total é de 196 registros, o que representa uma queda de 9,6%.
A médica infectologista Sabrina Sabino alerta sobre os riscos da baixa vacinação contra a gripe, principalmente do grupo prioritário, que pode refletir na ocupação dos hospitais do Estado.
— Aqueles pacientes que deveriam estar protegidos acabam ocupando leito de UTI. Esses pacientes ficam 15, 20 dias e acabam impedindo essa rotatividade de vagas. Então, por este motivo que acaba tendo essa saturação, porque esses pacientes ocupam por muito tempo o leito — detalha.
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Segundo a médica, pacientes com comorbidades tendem a apresentar mais complicações durante o período de internação, principalmente pelo vírus ser altamente inflamatório, o que eleva o número de dias necessários para a total recuperação.
— Se a gente não tiver uma aceleração imediata na aplicação dessas doses, e até uma conscientização da população, vamos ter um aumento de letalidade. Porque a taxa de mortalidade começa a querer a subir, mas não porque o vírus ficou mais letal, e sim porque o suporte médico não consegue ser oferecido ao mesmo tempo para todos — alerta.
A médica ainda reforça que a baixa vacinação é um “terreno fértil” para a disseminação do vírus da gripe.
— Porque a vacinação não vai servir apenas para proteger aquele indivíduo. Ela acaba reduzindo a carga viral circulante e a gravidade desses casos. Não existe medida mais eficaz, hoje, do que a vacinação para te prevenir de uma doença que é infecto-prevenível. A vacinação da influenza evita hospitalização e morte — explica.
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Confira a nota na íntegra da Secretaria de Estado da Saúde
“Santa Catarina foi o estado que mais expandiu a rede SUS de leitos de UTI nos últimos anos. Desde 2023, já foram abertos mais de 300 leitos de terapia intensiva, entre adultos e infantis, distribuídos em diversas regiões.
Os hospitais da Secretaria de Estado da Saúde são referência em alta complexidade e operam com uma taxa de ocupação historicamente elevada, acima de 80%, devido à demanda por procedimentos especializados e atendimentos emergenciais. As cirurgias eletivas e emergenciais, muitas vezes, demandam internação em UTI no pós-operatório, contribuindo para a taxa de ocupação.
Até o momento, não há indicação de pressão assistencial relacionada à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na região Nordeste de Santa Catarina. A Secretaria de Estado da Saúde segue monitorando os dados de notificação e, ao analisar os registros até 25 de abril de 2026, observa-se redução no número de casos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, foram notificados 217 casos de SRAG, enquanto em 2026 o total é de 196 registros, o que representa uma queda de 9,6%, reforçando o cenário de estabilidade na região.
Ressalta-se que nesta segunda-feira, 04 de maio, de acordo com o Painel de Leitos de UTI, há no Estado 142 leitos de UTI disponíveis, sendo 52 para adultos, 27 neonatais e 63 pediátricos. A taxa média geral de ocupação desses leitos é de 90,2%.
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A Secretaria reforça que o sistema de saúde catarinense funciona em rede, garantindo assistência a todos os cidadãos. Caso não haja vagas em um hospital, a Regulação busca leitos em outras unidades, inicialmente na mesma região e, se necessário, em outras localidades ou na rede privada. Todos os pacientes internados nas unidades hospitalares recebem toda a assistência médica.
A SES segue com a campanha de vacinação contra a influenza, voltada atualmente aos grupos prioritários, reforçando que a imunização continua sendo a principal ferramenta de prevenção. Os idosos e crianças permanecem como o grupo mais afetado pela SRAG, o que reforça a importância da vacinação e dos cuidados preventivos.
Além do incentivo a vacinação, a SES segue expandindo a rede, recentemente foi inaugurada a nova UTI pediátrica do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, com a ampliação de dois leitos. Também foram inaugurados 10 leitos de UTI neonatal em Rio Negrinho e abertos quatro leitos de suporte ventilatório no Hospital da Criança, em Chapecó. Essas ações são fundamentais para garantir a melhor assistência aos pacientes, principalmente no período sazonal de aumento das doenças respiratórias nas crianças.”
*Sob supervisão de Leandro Ferreira






