O combate à Covid-19 tem uma nova estratégia a partir de 2024, três anos após a aplicação da primeira dose de vacina no país. A enfermidade registrou 38 milhões de casos e matou 708 mil pessoas no país desde 2020.

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O foco principal da estratégia nacional será a imunização de crianças de até cinco anos, idosos e grupos prioritários, que têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da Covid-19. Desde 1º de janeiro deste ano, a vacinação contra a Covid-19 de crianças de seis meses a cinco anos de idade foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação.

Para grupos prioritários com mais de cinco anos ou risco de complicações da doença, como pessoas com mais de 60 anos, gestantes, indígenas e trabalhadores da saúde, o Ministério da Saúde passa a recomendar uma dose anual ou semestral, independente do número de imunizantes que a pessoa tenha tomado anteriormente. Além disso, quem ainda não tomou ao menos duas doses da vacina contra a Covid-19 poderá pôr em dia o esquema primário, com duas doses.

Segundo dados do Ministério da Saúde, Santa Catarina tem a menor cobertura de vacinação em crianças nos estados do Sul e do Sudeste. São atualmente 6,2% de adesão em crianças de seis meses a 2 anos e de 10,6% com idades entre 3 e 4 anos — os números consideram imunizados com duas ou três doses, com a vacina monovalente, a indicada para imunização de crianças.

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A média é inferior à registrada no restante do país. Segundo os dados do Ministério, o Brasil tem 18,7% de cobertura de vacinação contra a Covid entre as crianças de seis meses a 2 anos e de 28,2% entre crianças de 3 e 4 anos. Os indicadores também consideram imunizados com duas ou três doses da vacina monovalente.

Nos estados do Sul e Sudeste, a segunda menor adesão em crianças é do Rio de Janeiro, com 11% de cobertura entre seis meses e 2 anos e 19,5% entre pessoas de 3 a 4 anos.

Entre os idosos, o percentual de imunizados é consideravelmente maior em SC. Entre pessoas de 60 a 64 anos, 93,6% têm ao menos duas doses da vacina, enquanto entre catarinenses de 65 a 69 anos, o índice de imunizados é de 94%.

Início da vacinação completa três anos

A aplicação da primeira dose de vacina contra Covid-19 completa três anos nesta semana. No Brasil, a primeira pessoa imunizada contra a Covidfoi a enfermeira Mônica Calazans, de São Paulo, no dia 17 de janeiro de 2021. Um dia depois, em 18 de janeiro, três catarinenses de grupos prioritários receberam as primeiras doses aplicadas no Estado — o enfermeiro Júlio César Vasconcellos de Azevedo, de Florianópolis, a gestora ambiental Kerexu Yxapyry, liderança da terra indígena Morro dos Cavalos, em Palhoça, e o idoso João de Jesus Cardoso, morador de uma instituição de longa permanência em São José.

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Especialista defende vacinas

A infectologista Sabrina Sabino elogia a nova estratégia de vacinação e aponta que ela é vista como esperança para aumentar os índices de vacinação de crianças, considerados baixos atualmente.

— A imunização nada mais é do que uma proteção a mais contra um agente agressor. Então, eu tenho que me certificar de que os grupos que têm maior potencial de casos graves, óbitos e hospitalização estejam imunizados. Acho brilhante a estratégia de sempre procurar os grupos prioritários, como as crianças, que são o grupo que mais está descoberto hoje — avalia.

A médica acredita que a quantidade de notícias falsas, as chamadas fake news, sobre vacinas podem ter criado um receio em pais de imunizar os filhos, mas frisa que é essencial esclarecer que as vacinas são seguras e essenciais para proteger todos.

— Eu digo que é uma determinada hipocrisia, porque o pai se vacinou e às vezes não dá essa mesma possibilidade ao filho de se imunizar também. Hoje se criou um mito sobre vacinas, e a gente tem que afirmar com todas as letras que vacinas salvam vidas e nos protegem, que é a ciência que está por trás de tudo isso — defende Sabrina.

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A especialista defende também que todas as pessoas, não somente do grupo de risco, tenham a vacinação em dia, para assegurar a proteção.

— As pessoas têm que entender que se elas tiveram a possibilidade de se vacinar e não terem gravidade na doença, isso também tem que ser dado a seus filhos. Eu já vi crianças morrerem por Covid, serem internadas, fazendo lobectomia, que é perder metade do pulmão, por conta de Covid-19. Então, a Covid-19 está aí, existe, é uma doença respiratória grave — alerta.

Estado espera aumento na adesão

A Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC) afirma que a adesão à vacinação infantil contra a Covid-19 sempre foi vista como um desafio e uma preocupação. O Estado pontua que desde o início da imunização de crianças a partir de seis meses, em novembro de 2022, vem orientando municípios a realizar ações descentralizadas de vacinação, com aplicação de doses em escolas, praças, shoppings e vans. Também sugere as equipes de saúde a aproveitar as idas de pais e crianças ao posto de saúde para consulta médica para colocar em dia a vacinação.

O órgão também afirma ter oferecido no segundo semestre do ano passado capacitação de 25 facilitadores e 256 técnicos municipais em Microplanejamento e ações de vacinação de alta qualidade.

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Ainda assim, o Estado admite haver resistência dos pais em vacinar os filhos com a vacina contra a Covid-19, mesmo que estudos tenham comprovado a segurança e a eficácia das doses e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha aprovado a aplicação.

“Agora, em 2024, com a inclusão da vacina no Calendário Nacional de Vacinação de crianças, a expectativa é que haja um aumento na adesão, até porque, com essa mudança, ela passa a ser uma dose de rotina, que deve ser aplicada nas crianças assim como as demais (poliomielite, tríplice viral, BCG, pentavalente) e também passa a ser exigida no ato da matrícula escolar”, detalha a Dive-SC, em nota enviada à reportagem.

Cobertura de vacinação da Covid em SC

Vacina monovalente

CRIANÇAS

6 meses a 2 anos

  • 2 doses – 4,2%
  • 3 doses – 2%

3 a 4 anos

  • 2 doses – 9,1%
  • 3 doses – 1,5%

IDOSOS

60 a 64 anos

  • 2 doses – 93,6%
  • 3 doses – 67,6%
  • 4 doses – 30,2%

65 a 69 anos

  • 2 doses – 94%
  • 3 doses – 70,6%
  • 4 doses – 32,5%

70 a 74 anos

  • 2 doses – 92,6%
  • 3 doses – 65,4%
  • 4 doses – 22,7%

75 a 79 anos

  • 2 doses – 124%
  • 3 doses – 84,9%
  • 4 doses – 25,8%

80 anos ou mais

  • 2 doses – 98,6%
  • 3 doses – 70,2%
  • 4 doses – 26,3%

Fonte: Ministério da Saúde

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