O cenário para as Eleições 2026 impõe um divórcio forçado entre parte dos eleitores e seus principais representantes. No caso, possivelmente alguns milhões de cidadãos não encontrarão nas urnas nomes que digitaram em pleitos passados, já que pelo menos dois deputados federais entre mais votados em eleições anteriores — Guilherme Boulos e Eduardo Bolsonaro — devem estar ausentes da disputa pela Câmara. A falta desses nomes não afeta apenas os indivíduos, mas também a sobrevivência de partidos. Com isso, os dois lados correm contra o tempo para arrebanhar eleitores e evitar encolhimento de suas bancadas.
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Guilherme Boulos: do Legislativo ao coração do governo

Guilherme Boulos (PSOL), que rompeu a barreira de 1 milhão de votos em 2022, mudou sua trajetória. Após a disputa pela prefeitura de São Paulo, ele assumiu o cargo de Ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Boulos indicou publicamente que pretende cumprir sua missão no governo Lula até o fim, priorizando a gestão e a articulação política interna em vez de buscar a reeleição na Câmara ou uma vaga no Senado. Sua ausência deixa um vácuo imenso para a esquerda, que perde seu maior “puxador de votos” proporcional.
Eduardo Bolsonaro: o exílio político e a estratégia da família

Eduardo Bolsonaro (PL), que já foi o deputado mais votado da história do Brasil em 2018 (com algo em torno de 1,84 milhão de votos), enfrenta um cenário de incertezas. Atualmente nos Estados Unidos, o parlamentar teve o mandato cassado administrativamente pela Mesa da Câmara por excesso de faltas.
Embora isso não o torne inelegível automaticamente (pois não foi uma condenação criminal), a distância física e as investigações no STF complicam seu retorno. Além disso, há uma estratégia de bastidores: Eduardo Bolsonaro se tornou uma ponte do bolsonarismo com líderes estrangeiros.
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A herança que gera vantagem
Ter a “bênção” de nomes que carregam tantos votos pode ser uma vantagem para herdar o eleitorado órfão. Em uma disputa que promete ser acirrada nas Eleições 2026, com cada sigla disputando voto a voto na briga por mais representantes no Congresso, conseguir fazer essa transição pode representar poder tanto para a sigla quanto para quem herdar essa massa de eleitores.

