Comprar um SUV usado é uma das maneiras de levar para casa um carro maior e mais equipado sem pagar o preço de um zero-quilômetro. O problema é que a desvalorização derruba o valor de compra, mas não barateia peças, mão de obra e componentes eletrônicos.
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É assim que modelos antes inacessíveis passam a custar o mesmo que carros compactos mais novos. O preço no anúncio chama atenção, enquanto uma transmissão, um sistema de tração integral ou um motor turbo malcuidado podem esconder uma conta de cinco dígitos.
Isso não significa que todos os exemplares dos cinco SUVs abaixo apresentarão defeitos. Procedência, versão e histórico de manutenção fazem enorme diferença. Antes de fechar negócio, a recomendação é fazer uma avaliação em uma oficina independente e especializada no modelo.
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Ford EcoSport PowerShift de 2013 a 2017

A segunda geração do EcoSport tem bom espaço interno, posição elevada para dirigir e uma ampla oferta no mercado de usados. A atenção deve ser concentrada nas unidades automáticas produzidas antes da reestilização de 2018.
Esses carros usam o câmbio PowerShift, uma transmissão automatizada de dupla embreagem e seis marchas. O sistema ficou conhecido por falhas relacionadas à vedação, contaminação das embreagens, desgaste de atuadores e problemas no módulo eletrônico TCM.
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Trepidações ao arrancar, trancos, demora para engatar a ré, perda repentina de marchas e avisos de falha no painel são sinais de alerta. Mesmo um carro aparentemente normal durante um percurso curto pode apresentar problemas depois que o conjunto aquece.
Antes da compra, peça notas fiscais dos serviços já realizados e faça uma leitura eletrônica do veículo. Oficinas especializadas estimam que um reparo mais amplo no PowerShift pode custar entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, dependendo dos danos. Para reduzir o risco, as versões manuais ou os EcoSport a partir de 2018, já equipados com câmbio automático convencional, são escolhas mais seguras.
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Jeep Compass 2.0 flex de 2017 a 2021

O Compass de primeira fase nacional continua bastante desejado. É confortável, espaçoso e tem acabamento superior ao de muitos SUVs compactos mais novos. O ponto que exige atenção está no sistema responsável por controlar a temperatura do câmbio automático de seis marchas.
O trocador de calor trabalha com o óleo da transmissão e o líquido de arrefecimento separados por uma estrutura interna. Caso haja corrosão ou rompimento, os dois fluidos podem se misturar. Quando o líquido de arrefecimento chega ao interior do câmbio, discos, peças metálicas e outros componentes podem ser danificados.
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A manutenção incorreta do sistema de arrefecimento, principalmente com uso de água comum ou aditivo fora da especificação, aumenta o risco. Mecânicos consultados pela Revista O Mecânico estimam que um câmbio contaminado possa gerar reparos de R$ 20 mil a R$ 60 mil, conforme a gravidade.
Observe o reservatório do líquido de arrefecimento. Presença de óleo, borra, coloração estranha ou nível que varia sem explicação exige investigação. O histórico de troca do fluido também deve ser comprovado.
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Chevrolet Captiva V6 de 2008 a 2013

Poucos carros entregam tanto espaço, potência e equipamentos pelo preço cobrado por uma Captiva V6 usada. Essa combinação explica por que o SUV ainda desperta interesse. O valor baixo, porém, também reflete a desconfiança do mercado em relação à transmissão automática.
A Captiva foi vendida inicialmente com motor 3.6 V6 e, posteriormente, com um 3.0 V6. Nas duas configurações há relatos de problemas no câmbio de seis marchas, com trancos, demora nas trocas e dificuldade para engatar.
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Entre as falhas já identificadas estão danos no conjunto planetário, rompimento de componentes internos e defeitos no módulo eletrônico. Em situações mais graves, pode ser necessário reconstruir ou substituir a transmissão.
Faça o teste com o carro frio e continue dirigindo até o conjunto atingir a temperatura de trabalho. Engates demorados entre D e R, patinação, pancadas e oscilações de rotação durante as trocas não devem ser ignorados. A Captiva V6 também tem consumo elevado e peças compatíveis com um SUV grande e potente, não com o preço reduzido encontrado nos anúncios.
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Volkswagen Tiguan 2.0 TSI de 2009 a 2016

A primeira geração do Tiguan reúne motor 2.0 turbo de 200 cv, câmbio automático convencional de seis marchas e tração integral 4Motion. Dirige como um carro menor e costuma aparecer por valores próximos aos de SUVs compactos muito mais simples.
O motor EA888 exige atenção ao histórico de troca de óleo. Ruído metálico durante a primeira partida do dia pode indicar desgaste no tensionador da corrente de comando. Também devem ser investigados vazamentos na bomba d’água, falhas em bobinas e perda de desempenho causada por carbonização nas válvulas.
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A tração integral usa um sistema Haldex que precisa de manutenção própria. O fluido e o filtro do diferencial traseiro devem ser substituídos nos intervalos corretos. Sem esse cuidado, a conta pode envolver bomba, diferencial e outros componentes da tração.
Range Rover Evoque de 2012 a 2019

A primeira geração do Evoque é uma das tentações mais perigosas do mercado de usados. O SUV ainda tem desenho atual, acabamento refinado e desempenho forte, mas algumas unidades desvalorizaram a ponto de custar menos que modelos generalistas mais novos.
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O comprador precisa lembrar que o valor das peças continua sendo de um veículo premium. O sistema de tração integral, os módulos eletrônicos, a suspensão e o motor turbo exigem oficinas especializadas.
Um ronco vindo da traseira, principalmente em velocidades mais baixas, pode indicar desgaste nos rolamentos ou no diferencial. Dependendo do diagnóstico, o serviço envolve também a bomba do sistema Haldex e pode chegar facilmente a cinco dígitos.
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Fumaça forte no escapamento com o motor aquecido é outro motivo para desistir do negócio. Ela pode apontar desgaste interno do motor ou do turbocompressor. Falhas no start-stop, mensagens intermitentes no painel e equipamentos elétricos que funcionam apenas algumas vezes também merecem atenção.
