A venda de medicamentos em supermercados passou a ter regras mais definidas no Brasil. Com a sanção da Lei nº 15.357/2026, fica proibida a exposição de remédios em gôndolas abertas, como ocorre com produtos de uso cotidiano.

Na prática, a norma permite a instalação de farmácias e drogarias dentro desses estabelecimentos, mas estabelece limites para garantir controle sanitário e segurança no uso dos medicamentos.

Segundo informações divulgadas por órgãos legislativos, a lei proíbe a oferta de medicamentos em espaços abertos — como bancadas, estandes ou ilhas — fora da área exclusiva da farmácia. A medida altera a Lei nº 5.991/1973 e busca evitar práticas que possam incentivar a automedicação ou comprometer a conservação dos produtos.

Continua depois da publicidade

O que a nova lei proíbe nas gôndolas

A principal mudança trazida pela Lei 15.357/2026 está relacionada à forma como os medicamentos devem ser expostos nos supermercados. De acordo com a norma, eles não podem mais ficar disponíveis livremente ao alcance dos consumidores em áreas comuns.

A comercialização deve ocorrer exclusivamente em um espaço delimitado, com estrutura própria de farmácia ou drogaria, com eliminação do autosserviço e garantia de que a dispensação seja feita sob controle técnico, conforme as regras vigentes do setor farmacêutico.

O que a Lei 15.357/2026 autoriza nos supermercados

A nova lei permite que supermercados instalem farmácias em seu interior, desde que funcionem de forma independente e atendam a todas as normas do setor farmacêutico.

Isso envolve, entre outros pontos:

  • Estrutura própria e separação física em relação ao restante do supermercado;
  • Cumprimento completo das normas sanitárias e regulatórias vigentes.

Na prática, o consumidor poderá acessar uma farmácia dentro do supermercado, mas os medicamentos não estarão disponíveis livremente nas prateleiras, mantendo o controle técnico obrigatório na dispensação, conforme a legislação.

Continua depois da publicidade

Por que o balcão exige um profissional habilitado

Um ponto central da lei é a exigência de presença de profissional qualificado. Segundo as diretrizes, é recomendado que um farmacêutico esteja disponível durante todo o horário de funcionamento da farmácia.

O objetivo é garantir orientação adequada ao consumidor, especialmente em casos envolvendo uso contínuo de medicamentos ou possíveis interações farmacológicas, seguindo os protocolos e regulamentos do setor.

Padrão Anvisa: a lei que coloca mercados e farmácias sob a mesma régua

As exigências sanitárias permanecem as mesmas já aplicadas às farmácias convencionais.

Isso inclui critérios de armazenamento, controle de temperatura, rastreabilidade e registro de vendas, especialmente no caso de medicamentos sujeitos a controle especial.

Nesses casos, a entrega ao consumidor deve seguir procedimentos mais rigorosos, como liberação após conferência ou acondicionamento adequado até o momento do pagamento, conforme normas sanitárias vigentes.

A fiscalização continua sob responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de órgãos locais.

A nova dinâmica de acesso a medicamentos em 2026

Para o consumidor, a mudança traz uma combinação de conveniência e controle.

Por um lado, ter farmácias dentro de supermercados amplia o acesso a medicamentos e facilita a compra junto com outros produtos do dia a dia. Por outro, os medicamentos deixam de estar disponíveis em autosserviço, permanecendo sujeitos a controle técnico e à orientação de um profissional, conforme determina a legislação.

Especialistas apontam que a medida busca equilibrar o acesso a medicamentos com a segurança sanitária, ajudando a prevenir o uso inadequado ou impulsivo desses produtos.

Advogados especializados em direito sanitário ressaltam que a lei exige um espaço “fisicamente delimitado, segregado e exclusivo” para farmácias dentro de supermercados, evitando a exposição livre dos medicamentos, que poderia, em certos casos, incentivar a automedicação.

Por que o Brasil barrou o modelo de “venda livre” direta

Diferentemente de alguns países que adotam modelos mais flexíveis, o Brasil manteve a exigência de controle rigoroso na dispensação de medicamentos, mesmo quando instalados dentro de supermercados.

Especialistas e órgãos reguladores destacam que a medida tem como objetivo reduzir riscos à saúde pública, como automedicação, uso inadequado de substâncias e armazenamento incorreto de produtos farmacêuticos.

A intenção é garantir que os medicamentos sejam fornecidos de forma segura, com orientação profissional quando necessária, conciliando o maior acesso da população com a proteção sanitária.

Continua depois da publicidade

Resumo: o que você precisa saber

  • medicamentos não podem ficar em gôndolas abertas;
  • venda só pode ocorrer dentro de farmácias ou drogarias;
  • supermercados podem ter farmácias, desde que separadas;
  • presença de farmacêutico é obrigatória;
  • regras sanitárias seguem as mesmas do setor farmacêutico.

Do balcão ao carrinho: em fotos, entenda o impacto das farmácias nos supermercados

*Com edição de Luiz Daudt Junior.