A decisão que condenou o vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (sem partido), a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados à violência doméstica contra a ex-companheira também determina a perda do mandato eletivo. Ele está internado após se envolver em um acidente enquanto tentava fugir do cumprimento da ordem judicial, na noite de quinta-feira (21).
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O advogado de defesa de Jair Júnior, Guilherme Ramos, disse que irá recorrer da decisão sobre a perda de mandato. Procurada pelo NSC Total, até o fechamento desta matéria, a assessoria de comunicação da prefeitura não retornou sobre os desdobramentos do processo. O espaço segue aberto.
O que acontece com o cargo?
Com a perda do mandato eletivo, a lei prevê que o cargo de vice-prefeito fique vago, de acordo com advogado Paulo Fretta Moreira, especialita em Direito Eleitoral. Não há substituição automática para a função.
Em casos de ausência ou afastamento da prefeita Carmen Zanotto (Republicanos), a linha sucessória passa a ser ocupada pelo presidente da Câmara de Vereadores de Lages, vereador Maurício Batalha Machado (Podemos).
Veja fotos de Jair Junior, vice-prefeito de Lages
Jair Júnior está internado após acidente
A sentença foi proferida na quinta-feira (21). No mesmo dia, para cumprir o mandado de prisão, a Justiça pediu apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em razão de o réu ocupar cargo político e das especificidades da operação.
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Durante o cumprimento da ordem judicial, Jair Júnior tentou fugir de carro e acabou colidindo a BMW que dirigia contra um caminhão na BR-116. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Ele está estável, lúcido e orientado e deve ter alta em 10 dias, conforme a defesa.
Por que Jair Júnior foi condenado?
A condenação atende a uma ação penal ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), após investigação sobre episódios de violência doméstica envolvendo a ex-companheira do político. Segundo o órgão, Jair Júnior foi condenado pelos crimes de lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição.
A denúncia havia sido apresentada pelo MPSC em abril de 2025. O processo tramita sob sigilo judicial.
Ele já havia sido preso no dia 22 de março de 2025 pelo crime, mas foi solto no mesmo dia após uma audiência de custódia e fixação de fiança. A vítima relatou à polícia que o relacionamento durou cerca de um ano e terminou há dois meses, período em que o vice-prefeito não teria aceitado a separação e passou a procurá-la insistentemente.
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Entenda a denúncia contra Jair Júnior
Segundo a denúncia apresentada pelo MPSC, o vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, teria cometido uma série de agressões e atos de perseguição contra a ex-companheira após o fim do relacionamento.
De acordo com o processo, o primeiro episódio de violência física ocorreu em janeiro de 2025, quando ele teria apertado os braços e o rosto da mulher após ela se recusar a publicar uma foto do casal nas redes sociais.
O caso mais grave ocorreu em março, na véspera da prisão em flagrante, do dia 22. Conforme a denúncia, Jair Júnior convenceu a ex-companheira a entrar no carro sob o pretexto de conversar sobre uma reconciliação, mas a levou à força até a casa dele. No local, teria trancado portas e janelas para impedir pedidos de socorro e tentado acessar o celular da vítima em busca de mensagens comprometedoras. Diante da negativa dela em fornecer a senha, ele teria dado tapas no rosto da mulher e pressionado um travesseiro contra a cabeça dela.
Ainda segundo o MPSC, a vítima só foi liberada após prometer que não registraria ocorrência. Mais tarde, incentivada pela irmã, ela procurou a polícia. O Ministério Público também apontou episódios de perseguição, com mensagens insistentes, monitoramento da rotina da vítima e presença frequente em locais onde ela estava.
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