Um vídeo onde adolescentes de um curso preparatório militar do Centro de Florianópolis aparecem cantando uma marcha sobre “mirar na cabeça” e “atirar pra matar” ganhou repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira (30). Procurada pelo NSC Total, a escola pré-militar declarou repudiar “qualquer forma de violência, linguagem violenta ou incentivo a práticas que não estejam alinhadas aos princípios educacionais, ao respeito à vida e à formação cidadã.”
Continua depois da publicidade
Nas imagens é possível ver os adolescentes, que teriam entre 14 e 17 anos, correndo uniformizados na região central da cidade. Em um dos trechos, eles cantam: “Eu miro na cabeça, atiro pra matar; se munição eu não tiver, pancadaria vai rolar”.
A instituição privada é voltada para adolescentes que pretendem seguir carreira militar e possui unidades em todo o país. Em nota, o curso destacou ainda que a canção “não está de acordo com os valores e princípios educacionais” adotados no local.
A cena acabou virando alvo de uma denúncia protocolada no Ministério Público de Santa Catarina.
Veja o vídeo
A denúncia no Ministério Público foi protocolada pelo vereador Bruno Ziliotto (PT). Ao NSC Total, o MP afirmou que recebeu a denúncia e que, neste momento, ela está em análise para o endereçamento à promotoria com atribuição no caso.
Continua depois da publicidade
O documento cita a possibilidade de a conduta configurar crime de incitação à prática de delito, de acordo com o artigo 286 do Código Penal, além de poder se enquadrar no crime de corrupção de menores, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Curso é voltado para jovens que pretendem seguir carreira militar
A escola tem como foco o atendimento de adolescentes que pretendem seguir carreira militar, com conteúdo para aprovação na Formação de Oficiais de Carreira do Exército Brasileiro, na Escola de Sargentos das Armas e, também, na Academia da Força Aérea, por exemplo. Com unidades em todo o Brasil, a escola de preparação militar tem sede no Rio de Janeiro.
O método adotado na instituição, segundo o site oficial, é focado em aprovações nas carreiras de EsSA, EsPCEx, EEAR e AFA. Na página, a instituição ressalta “Nós entregamos um ensino direto ao ponto, inovador e robusto.”
Procurada pelo NSC Total, a escola declarou que ao tomar conhecimento da situação “adotou imediatamente medidas internas de orientação e revisão de procedimentos”, além de “reforçar as diretrizes pedagógicas e os principais do trabalho educacional desenvolvido”.
Continua depois da publicidade
Destacando ainda que o tipo de conteúdo descrito no canto “não faz parte do material pedagógico, das orientações institucionais ou do perfil de formação adotado pela instituição”.
Veja a nota na íntegra
“A instituição vem a público esclarecer sobre o vídeo divulgado recentemente, no qual alunos aparecem entoando canções com conteúdo que não está de acordo com os valores e princípios educacionais adotados pela escola. Esclarecemos que esse tipo de conteúdo não faz parte do material pedagógico, das orientações institucionais ou do perfil de formação adotado pela instituição.
Ao tomar conhecimento da situação, a instituição adotou imediatamente medidas internas de orientação e revisão de procedimentos, reforçando junto à equipe e aos alunos as diretrizes pedagógicas e os princípios que norteiam o trabalho educacional desenvolvido. A escola mantém acompanhamento constante das atividades e reforça seu compromisso com um ambiente educativo adequado à formação de crianças e adolescentes.
Reafirmamos nosso compromisso com a educação responsável, com a integridade e a proteção dos nossos alunos, bem como com a transparência na comunicação com pais, responsáveis e comunidade. A instituição manifesta ainda seu repúdio a qualquer forma de violência, linguagem violenta ou incentivo a práticas que não estejam alinhadas aos princípios educacionais, ao respeito à vida e à formação cidadã.“
Continua depois da publicidade

