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VÍDEO: mulher quebra imagem de Iemanjá no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis

Vídeo que circula nas redes sociais mostra ato de vandalismo cometido com uso de marreta no Sul da Ilha. Intolerância religiosa é considerada crime

19/09/2019 - 15h16 - Atualizada em: 19/09/2019 - 21h28

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Redação
Por Redação DC
Estátua de Iemanjá no Sul da Ilha
Estátua de Iemanjá no Sul da Ilha
(Foto: )

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma mulher tentando destruir com marretadas a estátua de Iemanjá que fica no bairro Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. O caso aconteceu na manhã desta quinta-feira (19). Os golpes quebraram a base, as mãos e alguns ornamentos da estátua.

As imagens, de pouco mais de um minuto, mostram a mulher danificando a escultura com pelo menos 23 golpes de marreta. Na sequência, ela caminha até um carro branco, ainda com a marreta em mãos, entra, manobra o veículo e vai embora.

Religião

Mulher quebra imagem de Iemanjá no Ribeirão da Ilha

As imagens foram gravadas pelo morador Francisco Leandro Reinaldo da Silva, que mora em frente à estátua. Ele conta que o caso aconteceu por volta de 10h30min. O morador ouviu um barulho e foi até a rua para saber o que estava acontecendo. Quando percebeu a ação da mulher, começou a fazer o vídeo.

— Ela chegou a subir ali em cima [da estátua] e "tacar" a marreta — lembra o rapaz, que mora em Florianópolis há cerca de três meses e afirma nunca ter visto uma situação semelhante, nem na cidade, nem no Ceará, de onde saiu.

A estátua de Iemanjá foi colocada no local em 2013 pela Sociedade Ylê de Xangô, que mantém um centro de umbanda atrás da casa onde vive Francisco. No mesmo ano, a prefeitura e a Câmara de Vereadores reconheceram o espaço como um local público. Uma placa identifica o ponto como o Recanto de Iemanjá.

A estátua também faz parte da cultura e economia da região. Turistas param no local para tirar fotos e fazer orações à divindade, que é conhecida na umbanda como a Rainha dos Mares. Apesar disso, os atos de vandalismo são constantes, como conta Diane Rodrigues dos Santos, que faz parte da associação.

— Ano passado, nessa mesma época, também depredaram a imagem. No ano passado, foi um rapaz, meio atormentado. Dessa vez, foi uma mulher — lamenta.

De acordo com ela, nas últimas vezes em que houve atos de vandalismo, os membros da sociedade se uniram e pagaram pela restauração da imagem. Agora, eles pensam em como podem fazer para recuperar a estátua de Iemanjá.

Polícia investiga o caso

O caso foi registrado na subdelegacia do Ribeirão da Ilha. Até as 16h desta quinta-feira, a polícia ainda não havia terminado o boletim de ocorrência, mas já havia recebido os vídeos. Também devem ser analisadas imagens de câmeras de monitoramento do Sistema Bem-Te-Vi para tentar identificar o carro e a suspeita.

Esta não é a primeira vez que a estátua de Iemanjá no Ribeirão da Ilha é alvo de ataques de intolerância religiosa. Em novembro do ano passado, a mesma imagem foi pintada com tinta vermelha e danificada em algumas partes. Na ocasião, o Ylê de Xangô denunciou o caso à delegacia de Polícia Civil e promoveu um ato para recuperar a estátua. O autor não foi localizado.

Comunidade revoltada

O vídeo do ato de vandalismo se espalhou pelas redes e revoltou moradores. Durante o tempo em que a reportagem esteva no local, algumas pessoas pararam para ver o estrago e vários carros reduziam a velocidade, devido à curiosidade.

O vendedor Ricardo Abreu, que mora no Campeche, disse que viu o vídeo e foi verificar o que tinha acontecido. Ele conta que é evangélico e que não concorda com a atitude da mulher que destruiu a estátua. Para ele, cada um segue a doutrina e a religião que quiser. O homem defende ainda a punição da mulher que aparece nas imagens.

— [Ela] tem que vir e mandar refazer. As pessoas da umbanda não vão lá atrapalhar o culto — afirmou.

Diane diz que a convivência da sociedade umbandista com a comunidade do Ribeirão da Ilha é pacífica. Segundo ela, os moradores são bastante respeitosos e participam de atividades que o grupo desenvolve.

— Somos bem aceitos, eles participam com a gente. Acredito que isso [o vandalismo] não é da comunidade. É alguém de má fé — afirma.

Intolerância religiosa é considerada crime

Danos na imagem de Iemanjá no Sul da Ilha
Danos na imagem de Iemanjá no Sul da Ilha
(Foto: )

Segundo a legislação brasileira, a intolerância religiosa é considerada crime. A lei 7.716/1989, alterada pela lei 9.459/1997, define como crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A pena prevista é de um a três anos de reclusão e multa.

Além disso, o artigo 208 do Código Penal prevê sanções a quem “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. Nesse caso, a pena prevista é de detenção de um mês a um ano, ou multa.

A liberdade de consciência religiosa e de crença é uma das garantias previstas também na Constituição Federal, no artigo 5º, inciso VI.

O advogado Alexandre Canella, presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da OAB-SC, afirma que o caso desta quinta-feira se encaixa na definição prevista no Código Penal, de vilipendiar publicamente objeto de culto religioso.

— Ao longo da história, a gente tem vários exemplos por conta de intolerância religiosa, inclusive com guerras, no mundo inteiro. No Brasil, felizmente, a gente tem um convívio pacífico entre as religiões. É uma coisa isolada ver fatos como esse, embora sempre possa haver algum radicalismo — avalia o advogado, ressaltando o fato de que ainda não se sabe as circunstâncias e a situação da pessoa envolvida no caso retratado no vídeo.

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