O governador Jorginho Mello (PL) publicou um vídeo na manhã desta quarta-feira (6) reagindo à reportagem especial do NSC Total, publicada na última segunda-feira (4), que mostra o aumento de 24,3% nas mortes por intervenções policiais em 2025 em Santa Catarina. Foi o maior aumento desde 2019.
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Na postagem, ele afirma que a polícia não tem salvo-conduto para matar e que a corporação só reage com violência se a situação oferece risco a terceiros. O “lugar de bandido é na prisão, a não ser que ele ofereça risco para um policial ou para o cidadão”, disse.
O governador ligou os dados com o avanço do crime organizado no país.
— Na matéria diz que na minha gestão, a partir de 2023, houve aumento expressivo no número de mortes de bandidos. O que faltou dizer foi que o Brasil está sendo tomado pro facções e elas são violentas. E aqui em Santa Catarina a nossa polícia não negocia com bandido — afirma o governador.
— Olha que coincidência: ano passado batemos recordes na segurança pública. Se por um lado mais bandidos morreram, por outro bem menos inocentes morreram. Não há salvo-conduto para matar. Lugar de bandido é na prisão, a não ser que ele ofereça risco para um policial ou para o cidadão. Daí vira estatística — conclui o governador no vídeo.
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PM justificou aumento por ações ostensivas
Em nota, publicada na reportagem do NSC Total, a Polícia Militar afirmou que houve um “aumento expressivo” no número de operações policiais realizadas no Estado que, segundo a instituição, passou de 300% nas ações operacionais, “o que amplia naturalmente a exposição ao risco em ocorrências dessa natureza”.
Segundo a PM, a partir do aumento no volume de operações, “o crescimento no número de mortes em confronto ocorreu em proporção muito inferior”, o que “indica uma redução da taxa do índice por operação”.
O que mostrava a reportagem do NSC Total
Com base em dados da Secretária de Segurança Pública, obtidos por meio da Lei de Acesso a Informação, a reportagem especial do NSC Total mostra que, no ano passado, 92 pessoas morreram em decorrência da intervenção da Polícia Militar (PMSC).
A série histórica (2019-2025) mostra que 2025 foi o ano com o maior número de mortes causadas por policiais. Em 2019, foram contabilizadas 74, número que aumentou para 84 em 2020 (+13,5%). Nos dois anos seguintes, observa-se uma queda consistente: 66 mortes em 2021 e apenas 43 em 2022, o menor valor de toda a série analisada.
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A partir de 2023, contudo, ocorre uma mudança significativa de patamar. O número de mortes saltou para 75, representando um aumento de 74,4% em relação a 2022. Em 2024, o total permanece praticamente estável (74 mortes), mas em 2025 há nova elevação expressiva, atingindo 92 mortes, o maior número do período. Esse crescimento de 2024 para 2025 corresponde a um aumento percentual de 24,3%.
Já ao analisar os primeiros quatro meses de 2026, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 39 pessoas foram mortas decorrente de intervenção da Polícia Militar de Santa Catarina. O número, contabilizado até o dia 10 de abril, representa um crescimento de 18,18% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 33 mortes.
Relembre mortes em confronto com a PM neste ano
Veja a nota da PMSC na íntegra
“A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) informa que houve um aumento expressivo das operações policiais realizadas no estado. Nos últimos períodos, houve um incremento superior a 300% nas ações operacionais, o que amplia naturalmente a exposição ao risco em ocorrências dessa natureza.
Apesar desse aumento significativo no volume de operações, o crescimento no número de mortes em confronto ocorreu em proporção muito inferior, o que, na prática, indica uma redução da taxa do índice por operação. O dado reforça o compromisso da corporação com a atuação técnica, o uso progressivo da força e a preservação de vidas.
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A PMSC destaca ainda que os casos de confronto decorrem, em sua maioria, da resistência de suspeitos às ordens legais emanadas pelos policiais militares, muitas vezes optando pelo enfrentamento direto, resultando em apreensões de armas de fogo, inclusive de grosso calibre, e munições. Nessas situações, os agentes atuam dentro dos protocolos operacionais e da legislação vigente, visando garantir a segurança da população e a própria integridade.
A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a constante qualificação de seu efetivo, buscando sempre a redução de riscos e a proteção da sociedade catarinense”.






