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    "A família não tem visão dele doente, de tão rápido que foi", diz filho de vítima do coronavírus em Joinville

    Jalbas de Souza morreu por causa do coronavírus um mês após fazer um transplante de rim

    31/07/2020 - 06h00

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    Lucas
    Por Lucas Paraizo
    Jalbas de Souza
    Jalbas e o filho Vitor. O morador de Joinville faleceu aos 69 anos
    (Foto: )

    Ao passo em que entra no quinto mês de pandemia, Santa Catarina ultrapassou a triste marca de mil vidas perdidas para o coronavírus. Pessoas com ou sem comorbidades, que reforçam ou contrariam as estatísticas de grupos de risco. Por uma doença ainda nova – embora tão presente nos últimos meses, que até parece que já conhecemos faz tempo – e cujo comportamento ainda impressiona a cada novo caso. Na luta contra o coronavírus, você pode ter apenas um resfriado enquanto a pessoa ao lado vai parar na UTI.

    > Veja a evolução da pandemia em SC em um mapa interativo

    A trajetória de Jalbas de Souza, por exemplo, vai da vitória em uma batalha à queda em outra. A família do morador de Joinville vai lembrar dele como o homem feliz, que se recuperou em tempo recorde de um transplante de rim. Um homem que se via curado e sem precisar das sessões de diálise que o acompanhavam antes, mas que foi parado pela Covid-19.

    Ele havia passado o último ano à espera de um transplante de rim, até conseguir o órgão compatível, cerca de dois meses atrás. A cirurgia foi um sucesso e a recuperação impressionou os médicos. Em uma semana Jalbas estava em casa. O homem de 69 anos estava bem, feliz, mas com a imunidade muito baixa por causa do transplante. Quando voltou ao hospital para alguns procedimentos pós-transplante, o coronavírus apareceu.

    – Ele estava bem, fez um procedimento rápido no hospital. Me ligou numa quinta-feira pedindo para eu visitar no sábado e levar um chinelo para ele no hospital, que na segunda-feira ele teria alta. No sábado quando fui, ele já estava intubado. Passou muito mal na sexta-feira à noite, teve uma queda de pressão, estava febril, sem conseguir respirar. Foi muito rápido, de um dia para o outro – lembra o filho de Jalbas, Vitor Roberto de Souza.

    Jalbas acabou ficando uma semana internado na UTI até morrer. Sem direito a um velório por causa das medidas sanitárias, foi enterrado no mesmo dia em uma cerimônia pequena.

    – O caixão vai direto pra sepultar, sem canto, sem oração, sem poder velar. A gente ficou muito abalado, não tem direito de se despedir. A família não tem visão dele doente, de tão rápido que foi. Só viram ele bem depois do transplante – conta o filho.

    Nascido em Garuva, Jalbas morou desde a infância em Joinville. Trabalhou a vida inteira no setor de RH da mesma empresa. Depois de aposentado, dedicou o tempo livre ao hobby de criar passarinhos. Os curiós da casa eram a alegria dele. Apaixonado pelo Flamengo, adorava assistir futebol. Com três filhos, oito netos e dois bisnetos, era apegado à família e um homem muito querido por toda a vizinhança, que até agora sente o luto da perda.

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