A mulher assassinada a facadas em Blumenau nesta quinta-feira (22), identificada como Mariana da Silva, 29, era constantemente ameaçada pelo ex-marido, conta um familiar do casal. O homem de 41 anos se entregou à polícia horas depois do crime no bairro Garcia.
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Câmeras de segurança gravaram o instante em que ele chegou à rua da residência, às 5h13min. Oito minutos depois, ele passou pelo mesmo local, correndo para ir embora. Vizinhos perceberam a movimentação, viram manchas de sangue nele e acionaram a Polícia Militar.
Quando a polícia chegou, encontrou Mariana morta e a porta arrombada. Os três filhos pequenos do casal estavam no imóvel no momento do crime. Um primo do suspeito, que foi ao local e prefere não ser identificado, diz que a bebê de colo, de cerca de um ano, estava em estado de choque.
As três crianças foram levadas pelo Conselho Tutelar até que se decida com quem elas ficarão. Mariana não tinha parentes na cidade. Criada pela avó, ela conheceu o parceiro em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, onde morava. Ele, que tem família em Blumenau, trouxe a jovem a Santa Catarina para que o casal passasse a viver junto.
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Porém, a união de pouco mais de cinco anos, calcula o primo, sempre foi envolta de violência. O homem, que trabalhava com manutenção e pintura, usava drogas constantemente, relata ainda o familiar. Além de ameaçá-la, ele vendia o que tinha em casa para manter o vício. Depois de um tempo, deixou o serviço por conta dos entorpecentes. Sozinha, a jovem recebia o apoio remoto da mãe e dos familiares do marido. Neste ano, pediu medida protetiva contra o ex-parceiro.
— Nós estávamos dando a maior força, orientamos ela a fazer boletim de ocorrência, a se separar. Ela agiu, mas ele dizia que medida protetiva nenhuma o impediria de matá-la. Falou que ia fazer e fez — lamenta o primo.
O homem já tinha passagens por violência doméstica, injúria e ameaça. Ele deve passar pela audiência de custódia nesta quinta-feira. Informações sobre o velório da vítima ainda não foram divulgadas.
Feminicídio
O delegado Rafael Lorencetti, que registrou o flagrante do homicídio, entendeu que houve um feminicídio com impossibilidade de defesa da vítima. O autor teria dito que matou por causa de uma briga pelas crianças, já que a ex-mulher tinha a guarda dos filhos. A Justiça deve determinar se a prisão será convertida em preventiva ou não.
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