A Ypê afirmou nesta sexta-feira (15) que o ressarcimento de seus produtos será suspenso. O diretor-executivo de assuntos jurídicos e corporativo da empresa, Sergio Pompilio, disse ao g1 que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na manhã desta sexta, não obriga a Ypê a realizar a indenização.

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Em nota publicada após a reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa, a Ypê orientou os clientes a não devolverem produtos com lote final 1. A empresa pede que os consumidores guardem os produtos “até que novos laudos de laboratórios independentes confirmem a ausência de contaminação”.

A Ypê disse ainda que seus controles e análises internas garantem que os itens da marca são seguros para o consumidor. No pronunciamento, a Ypê informou ter proposto à Anvisa novos testes, por “laboratórios independentes”, em todos os lotes já colocados no mercado.

Uma reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa, nesta sexta, decidiu manter suspensa a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos. Segundo a agência, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

A decisão considerou que as medidas adotadas pela fabricante foram “insuficientes” e os riscos sanitários identificados pela fiscalização “não foram superados”.

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O que foi encontrado pela Anvisa?

O que é a bactéria encontrada

Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente, presente no ar, na água, no solo e até na pele de pessoas saudáveis. Segundo a literatura médica, trata-se de uma bactéria oportunistararamente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar quadros graves em indivíduos com sistema imunológico comprometido.

As infecções variam de quadros leves a doenças graves com risco de morte, podendo atingir pele, pulmões, sangue, olhos, ouvidos, trato urinário e gastrointestinal, conforme o centro médico acadêmico americano Cleveland Clinic. Em casos mais severos, a infecção pode evoluir para sepse e falência de órgãos.

Quem corre maior risco

De acordo com referências médicas citadas na apuração, as infecções por Pseudomonas aeruginosa tendem a ser mais frequentes e mais graves em pessoas imunossuprimidas, como:

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  • Pacientes em tratamento contra o câncer
  • Transplantados em uso de imunossupressores
  • Pessoas com HIV/aids sem controle
  • Pacientes em uso prolongado de corticoides
  • Pessoas com doenças autoimunes em tratamento
  • Diabéticos e pacientes hospitalizados

Leia a nota da Ypê na íntegra:

“Após reunião realizada pela Anvisa em 15 de maio, você merece respostas claras.

Os produtos são seguros?

De acordo com os controles e análises internas realizados pela Ypê até o momento, os produtos são seguros para o consumidor.

Ainda assim, como a própria Anvisa reforçou, é fundamental que nossos processos garantam esta segurança, o que já está sendo trabalhado fortemente com a Agência.

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Até lá, propusemos para a Anvisa apresentar testes realizados por laboratórios independentes autorizados pela agência, de todos os lotes já colocados no mercado, para garantir a segurança dos mesmos junto ao nosso consumidor e sua consequente liberação para uso o mais rápido possível.

É preciso devolver os produtos?

Conforme determinação da Anvisa em 15 de maio, os produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1 não precisam ser devolvidos neste momento.

Por precaução, a orientação é apenas que eles permaneçam guardados até que novos laudos de laboratórios independentes confirmem a ausência de contaminação.

Os demais produtos são seguros?

Reforçamos que os produtos abaixo nunca apresentaram qualquer risco de contaminação e seguem liberados para venda e uso:

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• Lava-roupas em pó Tixan e Ypê Power Act

• Lava-louças para máquina Ypê

• Amaciantes Ypê (tradicionais, diluídos e concentrados)

• Multiuso Ypê

• Água sanitária, alvejantes e cloro gel Ypê

• Sabões em barra Ypê

• Tira-manchas Tixan (pó e líquido)

• Limpadores perfumados e limpeza pesada Ypê

• Lã de aço Assolan e esponjas Ypê e Assolan

• Saponáceo Ypê

• Lustra-móveis Ypê

Também continuam liberados para venda e uso todos os produtos que não possuem final 1 no lote.

Seguimos trabalhando em conjunto com a Anvisa e reforçando nosso compromisso com a qualidade, a transparência e a segurança dos consumidores.”