Alvo de uma crise histórica que pode resultar na investigação de alguns dos próprios ministros da Corte, o Supremo Tribunal Federal (STF) dominou o noticiário político das últimas duas semanas, mesmo a menos de um mês das Eleições 2026.
As revelações e disputas jurídicas causaram impacto na corrida eleitoral tanto em nível nacional, onde a pesquisa Quaest desta segunda-feira (14) mostrou pela primeira vez o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT) em eventual 2º turno, quanto no cenário catarinense, onde o assunto também entrou nas campanhas.
As polêmicas envolvendo grupos políticos e o STF nos últimos anos passaram ao largo dos planos de governo dos candidatos a governador de SC. Dois oito nomes na disputa pela Casa d’Agronômica, apenas um deles citou a Suprema Corte no plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pedido de candidatura.
Bruno Pedreiro do PCO (PCO), em um documento que reproduz um programa nacional do partido, cita o fim da Suprema Corte como uma das defesas da sigla. Os demais planos focam em temas diretamente ligados à atuação do governador e demandas do Estado, como infraestrutura e educação.
Escândalo esquenta corrida por Senado
Nas campanhas para senador, no entanto, o STF se tornou pauta central dos candidatos na última semana. Casa responsável por votar pedidos de impeachment de ministros do STF, o Senado já tinha a atuação dos ministros no focos dos discurso nas primeiras semanas de campanha.
O candidato Esperidião Amin (PP), por exemplo, citou os enfrentamentos feitos ao ministro Alexandre de Moraes logo no primeiro programa do horário eleitoral. Nos últimos dias, no entanto, o assunto virou pauta número um dos candidatos, em programas de rádio e TV, e também nas redes sociais.
A candidata Carol de Toni (PL) recordou reações tomadas a decisões do STF durante o trabalho como deputada federal em um vídeo ao lado das filhas. Após dizer que “fez o que pôde” na Câmara dos Deputados, a candidata projeta um papel mais relevante dos senadores em questões como o próprio impeachment de ministros.
Carlos Bolsonaro (PL) também republicou manchetes jornalísticas sobre a crise no Supremo nos últimos dias e tentou relacionar o escândalo do Banco Master, que atingiu em cheio ministros da Suprema Corte, ao governo petista.
Amin dobrou a aposta nos temas envolvendo o Supremo e, na semana passada, publicou um vídeo com trechos de discursos dele criticando decisões do STF e afirmando que sua “batalha” contra supostos abusos da Suprema Corte “não começou ontem, nem às vésperas da eleição”. Amin chegou a cancelar a agenda de campanha e viajar a Brasília para acompanhar os desdobramentos da crise no STF.
Antídio Lunelli (MDB) divulgou um vídeo em animação com um personagem que simula o candidato em uma sessão do Supremo “denunciando” o contrato do banqueiro Daniel Vorcaro com a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Nos últimos dias, ele dividiu a atenção entre conteúdos voltados à sua trajetória pessoal e política com publicações sobre a crise no Supremo.
Quem são os candidatos ao Senado por SC nas Eleições 2026
O candidato Jefferson Rocha (PRD) estava em Brasília no dia 2 de setembro quando foram reveladas as mensagens de Vorcaro a Moraes, fazendo eclodir a crise no STF. Advogado, ele atuaria em uma ação de interesse do setor agropecuário de SC, mas a reunião foi adiada por conta da crise, e o candidato gravou um vídeo se queixando do adiamento e do suposto envolvimento de Moraes no escândalo do Banco Master.
Entre os candidatos da esquerda, o STF também foi pauta, mas com outras abordagens. Décio Lima (PT) publicou vídeos nas redes sociais divulgando reações de Lula à crise no STF e abordando revelações de investigações ligadas ao filme Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recebeu pagamentos de Vorcaro.
Afrânio Boppré (PSOL) divulgou vídeos sobre supostas alianças de nomes da direita, como o deputado federal Nikolas Fereira (PL), com Daniel Vorcaro. Nos dois últimos casos, no entanto, os últimos dias foram dedicados a postagens sobre a violência sofrida pela candidata ao Senado de Décio Lima, Fernanda Klitzke (PT), em uma ação da Polícia Militar no fim de semana, em Jaraguá do Sul.
Disputa apertada em SC
As polêmicas envolvendo a Suprema Corte esquentaram a pauta da corrida ao Senado em SC, que já vinha sendo marcada por disputas apertadas. Na pesquisa Quaest contratada pela NSC e divulgada no dia 24 de agosto, o candidato Esperidião Amin (PP) liderava numericamente a intenção na soma dos dois votos, com 19%, mas era seguido por Carlos Bolsonaro (PL), com 16%, Carol de Toni (PL), com 12%, e Décio Lima (PT), com 9%. Os dois mais votados se elegem para senador, cargo que tem mandato de oito anos.
O 1º turno das eleições deste ano ocorre no dia 4 de outubro. Se houver necessidade, o 2º turno está previsto para 25 de outubro.













