Bolsonaro amplia reclusão e delega a Mourão tarefas do dia a dia

Em mais de duas semanas após a derrota, o presidente foi apenas duas vezes ao Palácio do Planalto

Compartilhe:
Jair Bolsonaro

Bolsonaro tem preferido evitar contatos locais e internacionais desde que perdeu o pleito, no fim de outubro (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

Recluso no Palácio da Alvorada desde que perdeu a eleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) delegou ao vice Hamilton Mourão a tarefa de receber nesta quarta-feira (16) cartas credenciais de embaixadores estrangeiros que irão atuar no Brasil.

Continua após a publicidade

Receba notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

No início do governo, o mandatário fez cerimônias abertas para receber os diplomatas de outros países. Depois, passou a fazer solenidades fechadas e, agora, sequer participou do ato que marca oficialmente o início da missão dos embaixadores no Brasil.

Continua após a publicidade

Mourão afirmou que o mandatário não esteve presente porque está “se curando” de um problema na perna.

“Questão de saúde. Está com ferida na perna, uma erisipela, não pode vestir calça, como ele vai vir para cá de bermuda?”, disse.

Deputado federal e ex-ministro de SC estão em equipe de transição de Lula

O vice-presidente afirmou ainda que teve uma “conversa protocolar” com os novos representantes de missões diplomáticas e que falou, entre outros assuntos, sobre “corrente de comércio que temos com os países”.

Continua após a publicidade

Mourão recebeu nesta quarta-feira as cartas dos embaixadores do México, Laura Beatriz Valdés; da Dinamarca, Eva Bisgaard Pedersen; da Finlândia, Johanna Karanko; de Myanmar, Aung Kyaw Zan; do Nepal, Nirmal Kafle; e da Argentina, Daniel Scioli.

O destino do polêmico diretor da PRF de Bolsonaro pode ser SC? Entenda

Continua após a publicidade

Este último, por exemplo, é um político de destaque e aliado de Alberto Fernández, presidente do país vizinho que é alinhado internacionalmente ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele esteve, por exemplo, no encontro que Fernández teve com o petista em São Paulo um dia após a eleição deste ano.

Continua após a publicidade

Lula diz que combate à crise climática será prioridade e propõe COP na Amazônia

Scioli já foi embaixador no Brasil, mas havia deixado o cargo para assumir na Argentina o Ministério do Desenvolvimento Produtivo. No entanto, ele ficou poucos meses à frente da pasta e foi nomeado novamente para representar o governo argentino no Brasil.

Continua após a publicidade

Bolsonaro, por sua vez, tem preferido evitar contatos locais e internacionais desde que perdeu o pleito, no fim de outubro. Mais de duas semanas após a derrota, o presidente foi apenas duas vezes ao Palácio do Planalto.

A primeira foi no dia seguinte à eleição, quando teve encontro com Paulo Guedes (Economia) e outros ministros.

Continua após a publicidade

Em 3 de novembro, teve uma passagem relâmpago pelo Planalto: foi cumprimentar o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), que estava no local para a primeira reunião da transição com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

No Egito, Lula defende para Pacheco tirar Bolsa Família do teto por 4 anos

Continua após a publicidade

Na ocasião, segundo relatos obtidos pela reportagem, pediu a Alckmin que ele “livrasse o Brasil do comunismo”.

Também fez apenas dois pronunciamentos depois da vitória de Lula. Ele comentou movimentos antidemocráticos de seus apoiadores em frente a quarteis generais e repreendeu o bloqueio de rodovias, mas disse que as mobilizações são fruto de “indignação” e “sentimento de injustiça”.

Continua após a publicidade

Pouco depois, divulgou um vídeo para pedir que seus apoiadores desbloqueassem vias obstruídas em diversos estados.

*Por Ricardo Della Coletta e Matheus Teixeira