Campanha ao governo de SC começa com estratégias distintas, foco em obras entregues e visitas em bairros

Campanha eleitoral começa neste domingo (16) com estratégias distintas entre candidatos ao governo do Estado, foco em obras entregues, roteiros em bairros afastados e apelo às imagens de presidenciáveis

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Candidatos ao governo de SC

Candidatos ao governo de SC iniciam campanha eleitoral neste domingo, 16 (Fotos: Arquivo NSC)

A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo (16) e marca, na prática, a arrancada para a corrida por votos. Os postulantes aos cargos em disputa, que nos últimos meses já negociaram alianças com partidos, gravaram vídeos e participaram de eventos nas cidades, agora estão autorizados a pedir voto e divulgar os seus números. Com a campanha nas ruas e nas redes, a busca é para convencer os 5,7 milhões de eleitores catarinenses a incluírem esses números entre os que serão anotados na “colinha” e apertados na urna eletrônica no dia 4 de outubro.

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Na eleição para o governo de Santa Catarina, a virada na corrida pelos números no voto dos eleitores simboliza também a largada na estratégia das campanhas. As equipes dos três candidatos das maiores alianças, Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB), revelam que a estratégia busca explorar realizações dos políticos nos cargos ocupados por eles, além de ligações com lideranças nacionais, como os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL), no caso de Jorginho, e Lula (PT), para a chapa de Merisio.

Confira abaixo as estratégias das campanhas na largada da corrida ao governo de SC:

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Jorginho Mello (PL): entregas do governo e novas obras

A campanha à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) deve focar na divulgação de ações e obras entregues durante o primeiro mandato e também em projetos a serem executados em um eventual segundo mandato. O principal caso deve ser o da Viamar, rodovia paralela à BR-101 no trecho entre Biguaçu e Joinville pensada para reduzir os congestionamentos na rodovia federal. A via teve o edital de licitação para o primeiro lote lançado em junho e é uma das principais apostas de Jorginho para a campanha à reeleição.

Além disso, a campanha também deve apostar em ampliações de hospitais e nas chamadas obras estruturantes.
“Não vai ser uma eleição agressiva, porque nós não somos desse aspecto. Nós estamos aqui para contar aquilo que a gente fez, vai fazer e o que vai deixar de legado. Essa é a nossa ideia. Vai ser uma campanha bonita, na televisão mostrando as obras, as coisas que foram feitas e aquilo que vai ser ainda melhorado no segundo mandato”, afirma o filho do governador e vice-presidente estadual do PL, Bruno Mello.

Para essa divulgação, o governador conta com a rede de prefeitos e aliados, o horário eleitoral em rádio e TV, onde deve ter cerca de 3 minutos e 30 segundos por bloco, e também o trabalho nas redes sociais.

O dirigente partidário não aponta nenhuma região em que a campanha deva focar mais atenção nessa arrancada do período eleitoral. Nem mesmo o Oeste, onde João Rodrigues foi prefeito da maior cidade em quatro mandatos e o PT também construiu historicamente uma base forte, é apontada como cenário de atenção no atual momento.

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Os primeiros vídeos da campanha, exibidos na convenção do PL, em 1º de agosto, apresentaram a figura do governador resgatando suas origens, desde a infância em Herval d’Oeste e o trabalho vendendo o doce conhecido como “pé de granfino” na rodoviária local. Essa identidade pessoal de Jorginho também deve ser explorada nesta arrancada da campanha eleitoral.

“Pelo fato de ele ser um candidato leve, uma persona do povo, que não veio de castas, muitos eleitores se identificam com ela porque é um vencedor, veio de uma família humilde e se tornou governador de Estado, acreditou, teve persistência, dedicação. Então, muitas pessoas se identificam com isso, porque o povo catarinense é um povo de superação. Então, isso faz com que a gente também conte esse enredo”, completa Bruno Mello.

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João Rodrigues (PSD): o trabalho como prefeito

A campanha de João Rodrigues (PSD) pretende priorizar agendas do candidato em periferias de cidades catarinenses. Como a pré-campanha do ex-prefeito de Chapecó já fez reuniões com lideranças políticas e empresariais nas regiões de SC, a intenção agora é focar em áreas extremas dos bairros em que a campanha identifica que o candidato tem obtido boa aprovação.

“O eleitor dele está muito nessas regiões. A ideia é priorizar esse tipo de trabalho. Na pré-campanha, reunimos partidos para tentar apaziguar onde foi possível. Agora, nos 60 dias, a ideia não é voltar para o mesmo lugar. É visitar o morador, o líder comunitário, isso que se pretende fazer no primeiro momento”, afirma o presidente do PSD em SC, Eron Giordani.

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O desafio maior da estratégia é levar aos eleitores as ações feitas por João Rodrigues durante o trabalho como prefeito de Chapecó. Medidas como o programa de internação involuntária de moradores de rua são apontadas como trunfos do candidato que são conhecidas por grande parte dos catarinenses, e que podem também tornar o nome do candidato mais conhecido estadualmente.

As primeiras semanas de campanha devem dividir espaço entre essas visitas, em cidades como Palhoça, São José e Blumenau, gravações dos primeiros programas eleitorais de rádio e TV já roteirizados e participação nos primeiros debates.

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“A comunicação é um território do João. Ele precisa diminuir o nível de desconhecimento do eleitor em relação a ele, dizer por que quer ser governador, e nada melhor para fazer isso do que aproveitar entrevistas, sabatinas, debates. São oportunidades de intensificar, falar com muitas pessoas ao mesmo tempo”, avalia Eron.

Regiões como o Norte do Estado, território do candidato a vice do adversário Jorginho Mello, o ex-prefeito Adriano Silva (Novo), e o Vale do Itajaí são vistos como áreas que devem receber maior atenção da campanha, por terem como característica um eleitor de direita mais identificado com o PL e o bolsonarismo. A referência usada é a eleição de 2024, onde o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) elegeu a maior parte dos prefeitos nessas regiões.

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A expectativa também é de que a campanha do rival Jorginho Mello possa sofrer impacto em caso de oscilações no desempenho da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro — João Rodrigues apoia o candidato do PSD à Presidência, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD).

Quem são os candidatos ao governo de SC nas Eleições 2026

Gelson Merisio (PSB): confronto de números e respaldo de Lula

A campanha de Gelson Merisio (PSB), que lidera a chapa dos partidos de esquerda, deve vincular a imagem do candidato ao governo de SC à do presidente Lula (PT). Apesar da resistência a projetos petistas em eleições anteriores, a coligação se inspira em retrospectos como o de 2002, quando Lula venceu a eleição em SC na primeira vitória à Presidência, e na disputa mais recente, quando Décio Lima (PT) levou uma chapa com o PT pela primeira vez a um 2º turno no Estado. Na ocasião, ele superou os rivais Carlos Moisés (ex-Republicanos), Esperidião Amin (PP) e Gean Loureiro (União), mas perdeu a disputa em 2º turno para Jorginho Mello.

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Para os partidos que lideram a aliança, esses resultados mostram que o eleitor catarinense já fez escolhas diferentes ao longo do tempo, e poderiam favorecer o nome de Merisio.

“Não é uma ‘aposta’ [na identificação de Merisio e Lula], e sim um reconhecimento ao que Lula sempre fez por Santa Catarina. As mentiras e a verticalização ideológica promovida pela extrema direita em SC nos impediram, nos últimos anos, de fazer um debate franco sobre a importância do presidente para o nosso Estado. Vamos mostrar a verdade durante a campanha”, dispara o presidente do PSB em SC, Celso Calcagnotto.

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O tom da campanha deve buscar confrontar dados apresentados pelo atual governo de SC com o que a coligação aponta como “a realidade dos números”. Entre as áreas que a campanha pretende explorar na estratégia de confrontar o atual governo estão os de valorização dos professores, aumento de efetivo policial, investimento em cultura e obras estruturantes em parceria com o governo federal.

A relação do governo Jorginho com a gestão de Lula, com a ausência do governador em visitas oficiais do presidente no Estado, também deve ser explorada nos espaços do candidato, como redes sociais, programas de rádio e TV e participação em debates.

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“Com o início da campanha, vamos mostrar ao eleitor catarinense a realidade dos números e revelar que Santa Catarina não é exatamente o que se mostra na propaganda. Somos um estado com excelentes indicadores, construídos ao longo de décadas, mas que o atual governo busca se apropriar como se fossem resultados de sua gestão”, afirma Calcagnotto.

Ralf Zimmer (PRD): redes sociais e debates

A campanha do candidato Ralf Zimmer (PRD) aponta que pretende aproveitar ao máximo espaços como redes sociais e debates para divulgação de propostas. A propaganda eleitoral deve ser diversificada, com uso de redes sociais, participação em debates e outras estratégias que a equipe de campanha ainda não pretende divulgar. A meta inicial é alcançar 2% nas pesquisas, mas em seguida obter índices maiores para tentar chegar ao 2º turno.

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Brunno Dias (PCO): militância e campanha de rua  

A candidatura de Brunno Dias busca divulgar o programa do partido e aproveitar as eleições para denunciar a situação atual vivida pelos trabalhadores e ataques internacionais contra o Brasil. Sem acesso a tempo de rádio e TV e com o menor fundo eleitoral, o partido deve adotar uma campanha militante, com foco nas ruas e em questões fundamentais a trabalhadores, como aumento salarial e redução de jornada. 

Lais Chaud (UP): atos de rua e divulgação de programa

Na campanha da candidata Lais Chaud (UP), o objetivo central é apresentar um programa voltado aos interesses dos trabalhadores. Redes sociais, eventos e debates devem ser usados para defender um modelo que permita a trabalhadores decidir sobre o orçamento do Estado. A chapa majoritária tem quatro mulheres nos principais cargos (governo, vice e Senado) e defende medidas como aumento de 100% do salário-mínimo e programas de habitação popular e de combate à violência contra a mulher.

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A falta de tempo de TV e participação em debates deve levar a uma estratégia baseada em atos de rua em espaços como fábricas, pontos de ônibus, escolas e bairros pobres, com panfletos, bandeiras, um jornal do partido e aposta na militância.

Marcelo Brigadeiro (Missão): debates e redes sociais

A campanha de Marcelo Brigadeiro (Missão) pretende utilizar especialmente espaços como debates em que o candidato seja convidado para buscar mostrar um contraste entre o perfil dele e dos demais concorrentes. A intenção é explorar supostos pontos vulneráveis da atual gestão, como fila de cirurgias, dados de saneamento e mobilidade, para se apresentar como alternativa ao governo atual.

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O candidato aposta também no Instagram, rede em que tem mais de 600 mil seguidores, como canal de comunicação com o eleitorado. A campanha deve se vincular ao presidenciável Renan Santos (Missão) e enfatizar propostas como a criação de um presídio de segurança máxima. 

Marcus Sodré (PSTU): material em organizações e críticas ao governo

Sem direito a espaço no horário eleitoral e debates, a campanha de Marcus Sodré (PSTU) pretende criticar a desigualdade de condições entre os candidatos, pela menor exposição. A estratégia busca imprimir material e distribuí-lo em escolas, fábricas, organizações populares, movimentos organizados, e também utilizar a internet. O engajamento de militantes e filiados é visto como forma de superar limitações dos algoritmos.

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A campanha do PSTU pretende atacar pontos como as renúncias fiscais, a cobrança de 14% sobre salário de aposentados e a demora no fim da escala 6×1. Entre as principais propostas está um plano de obras públicas para habitação popular.