Em meio a crise, Congresso do Paraguai adia votação de impeachment contra Santiago Peña

Nova sessão acontece na sexta-feira (6), às 10h; Senado ignorou pedido de renúncia do presidente, apresentado à tarde, e deu continuidade ao processo de impeachment

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Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai, nesta quinta-feira (5)(Foto: Redes sociais, Reprodução)

O Senado do Paraguai encerrou a primeira sessão de julgamento do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña na noite desta quinta-feira (5) sem uma decisão. A Casa ignorou o pedido de renúncia de Peña e deu continuidade ao processo de impeachment, aberto nesta manhã. Uma nova sessão acontece na sexta-feira (6), às 10h.

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O processo seguirá um cronograma de cinco sessões extraordinárias, segundo o presidente do Congresso do Paraguai, Basilio Núñez. Na segunda fase, na sexta-feira, Peña fará a defesa, que poderá ser pessoalmente ou através de um advogado.

Depois da defesa, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Em seguida, haverá uma sessão para a apresentação dos argumentos finais. A última etapa será a votação nominal dos 45 senadores, que decidirão o futuro do presidente.

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Penã diz que vai se apresentar ao Senado

Em publicação no X, Peña disse que vai se colocar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre sua ligação com o escândalo do banco ueno diante da continuidade do processo de impeachment.

Na carta, o presidente também disse que os clientes do Ueno Bank afetados pela crise devem ser ressarcidos idependentemente de seu futuro político.

Em pronunciamento, o porta-voz da presidência paraguaia, Guillermo Grance, afirmou que Peña está no Paraguai e deve permancer no país. Ele desmentiu a informação de que o presidente teria fugido para a Argentina.

“Quero reiterar que o presidente da República está no país e vai cumprir seu dever constitucional de se defender. Ele fará isso dentro do prazo e da forma estabelecidos”, afirmou a jornalistas.

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Santiago Peña reunciou ao cargo nesta quinta-feira

A renúncia de Peña, anunciada no início da tarde desta quinta-feira, ocorre em meio à crise política provocada pela quebra do Ueno Bank, instituição da qual Peña foi acionista até março de 2025. Horas antes, o Congresso do Paraguai deu os primeiros passos para votar um impeachment contra Peña, e contra seu vice, Pedro Alliana.

Também nesta quinta, mesmo após a divulgação da carta de renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura de impeachment contra Peña, com 78 votos favoráveis.

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Já o vice-presidente Pedro Alliana escapou da abertura de um processo de impeachment. A Câmara rejeitou a medida por 48 votos contrários e 30 favoráveis, permitindo que o vice-presidente avance na sucessão sem esse impedimento.

Pela Constituição, em caso de vacância definitiva da Presidência, o vice assume o cargo e conclui o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028, sem necessidade de convocar novas eleições.

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Entenda a crise do Ueno Bank

A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar, em 3 de novembro, a dissolução do Ueno Bank, considerado o maior banco digital do país, por insolvência. A instituição é investigada por suspeitas de irregularidades na gestão e empréstimos a empresas ligadas aos controladores.

Peña foi acionista da Ueno Holding, grupo controlador do banco, até março de 2025. O caso também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária.