O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria usado documentos diferentes em três registros de entrada na Argentina durante a fuga para os Estados Unidos, onde ele está atualmente. Os registros têm 40 minutos de diferença entre eles, conforme informações do sistema de imigração argentino, que integram uma investigação internacional.
Os dados foram reunidos pelo Fantástico e revelados neste domingo (1°), com detalhes sobre a rota de fuga do candidato à Presidência derrotado nas eleições gerais de 2026. A fuga aconteceu depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o senador entregasse os passaportes à Polícia Federal.
Tudo iniciou no dia 27 de outubro, quando Flávio deixou Brasília em um Cessna Citation Excel, ligado ao amigo do senador, o advogado Willer Tomaz. Às 8h40min daquele dia, o avião pousou em San Fernando, na região de Buenos Aires. Depois, o senador seguiu para Puerto Iguazú em outro voo.
A esposa de Flávio e as duas filhas dele, por outro lado, foram para Cascavel, no Paraná, em outro avião. Naquele mesmo dia, por volta das 20h02min, elas embarcaram em uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. Trabalhadores locais, no entanto, afirmaram que a agência nunca funcionou no local. Em nota, a empresa disse que não transportou Flávio Bolsonaro.
O sistema registro três entradas de Flávio Bolsonaro na mesma van, que cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu para a Argentina naquela noite: às 22h37, com passaporte italiano, às 22h40, com carteira de motorista (CNH), e às 23h11, com passaporte brasileiro. Depois que os documentos brasileiros foram cancelados, dois dos registros foram cancelados.
Ex-espião e advogado em van
Outra van também cruzou a fronteira minutos antes, com o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre, que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, Menachem Booky Halevy, que entrou no Brasil no dia 19 de outubro.
O motorista Neri Luiz Dala Corte afirmou ao Fantástico que foi contratado para buscar dois homens, mas que não viu ninguém da família Bolsonaro.
“Eu levei duas pessoas que eu nem sei quem é. Simplesmente deixei os caras no aeroporto. Eles desceram, fiz a volta, e quando tava saindo tinha uns repórteres assim na minha frente”, disse.
Mesmo com o registro da entrada na Argentina pela van, Flávio teria entrado em Puero Iguazú de avião, de Buenos Aires, conforme a principal linha de investigação.
Veja imagens do jato usado por Flávio Bolsonaro
Viagem para os EUA
Para os Estados Unidos, a viagem foi feita em um jato de luxo Gulfstream G400, da empresa argentina Baires Fly. Primeiro, a aeronave fez uma escala para abastecer em Guayaquil, no Equador. Depois, seguiu para Miami. No dia 28 de outubro, houve o desembarque no Aeroporto Executivo de Opa-Locka.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “não tomou partido” nas eleições brasileiras a pedido do presidente Lula (PT). O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou que o país tenha facilitado a fuga de Flávio Bolsonaro.
“Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas”, disse.
Vitória de Lula nas eleições é legítima e foi reconhecida pelo TSE
As alegações de Flávio Bolsonaro de que houve uma fraude eleitoral na vitória de Lula são falsas. O Tribunal Superior Eleitoral já homologou o resultado das eleições. O ministro Kassio Nunes, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL), também afirmou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais“.
A prorrogação no tempo de votação, solicitada tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio, resultou em apenas 34 mil votos a mais após as 17h, segundo o próprio TSE. O PL, partido de Flávio, não contesta o resultado, alegando que não há como dizer que houve fraudes nas eleições, já que não há provas.







